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O que me lembro

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Estas são as coisas que aprendi durante o período de faixa branca – que me lembro – na arquearia até agora (lembrando que sou destra, provavelmente para quem atira com a mão esquerda seja o oposto). Escrevi para não me esquecer, pois minha memória corporal é péssima! – sempre respeitar a linha de tiro – retirar as flechas do alvo sempre de frente para a outra pessoa – apenas duas pessoas, não mais do que duas, podem pegar as flechas do alvo – ao pegar uma flecha do alvo, colocar dois dedos ladeando-a, e puxar a partir do ponto mais perto do alvo – sempre aguardar a ordem para ir pegar as flechas, e para atirar – postura: pé esquerdo virado para a frente, pé direito para o lado direito (exceto no tiro em posição de cavaleiro, no qual ambos estão paralelos, virados para o lado) – encocar a flecha reta, com o arco virado para baixo – pena guia sempre para fora (ela costumava ser sempre vermelha, agora varia…) – após encocar a flecha no arco, elevar o arco, com a flecha já virada para o alvo, inspirando – abaixar o arco, expirando – cotovelo em noventa graus, alinhado com o ombro – flecha na altura do peito (mamilo) – dedo indicador da mão direita sobre a corda do arco, enquanto os outros três dedos ficam em cima do polegar que está envolvendo/segurando a corda – indicador da mão esquerda – ao abrir a mão e soltar a flecha, harmoniosamente, sem pressa, o braço direito se desloca para trás, como num movimento de ballet :) – tipos de tiro: peso ao centro, peso atrás, peso à frente e cavaleiro (neste último tipo, segurar na flecha, e não no arco; encocar a flecha já estando na postura cavaleiro) – tiro ritual: cumprimentar alvo e, em seguida, a pessoa mais graduada, com o arco na mão, rente ao corpo, a 45 graus, com a mão direita segurando a faixa com as flechas, e aguardar o sinal para prosseguir. Primeiro tiro com peso ao centro; segundo, peso atrás, terceiro, cavaleiro. Cumprimentar a pessoa mais graduada e em seguida o alvo, com o arco na mão a 45 graus rente ao corpo, e a mão direita, que está livre, voltada para baixo, com os dedos em forma de leque – 24 movimentos: cabeça para cima e para baixo; cabeça para os lados; cabeça em movimento circular; depois eu complemento porque esqueci a ordem exata hahhahaha :P Próxima aula anotarei mentalmente os dois próximos movimentos!

Massacrada

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Nossa, hoje eu fui à Pakua para ver como era a aula de yoga e…bem, o título já diz tudo, né :P kkkkkk!!! No começo até que a coisa estava suave, começamos fazendo meditação, respirando…mas aí ferrou tudo quando começou a parte física da coisa ;) hahahahhahha Mesmo assim, tudo bem, nada que eu nunca tivesse feito antes. Meus pulsos doíam pra burro mas a instrutora disse que depois eles se fortalecem e a gente acostuma. Beleza. A gente fez aquele treco temerário de subir um nas costas do outro…só consegui depois de umas 3 tentativas, pois não relaxava e ficava pesada demais para ela me levantar, tadinha! Até que no final ela nos apresentou uma postura bizarra de ponta cabeça kkkkkk Dei muita risada, jamais ia conseguir fazer aquilo lá. Aí ela me botou na parede e me ajudou a subir com uma faixa em torno da cintura…geeeennte!!!! Fui. Foi legal ficar daquele jeito, mas tive ajuda de DUAS pessoas hahahahhahahahah

Acabou a aula. Ufa. Só que eu ainda não ia para a casa, pois teria aula de arquearia, certo?

Errado. A Duda machucou o pulso e hoje excepcionalmente tivemos aula de arte marcial com o mestre. Aquecimento com corrida e abdominal, e flexão de braço – de novo, aquele braço meu que já não estava se aguentando mais, pois eu tinha feito as posturas da yoga…

Dois tipos diferentes de defesa, legal. Mas…

…não bastasse ter ficado de ponta-cabeça na aula anterior, nesta o mestre me jogou no chão (pior que foi muito legal *rs*), subiram em mim (literalmente, para fazer uma acrobacia), subi no mestre e em mais dois instrutores pra tentar fazer e não rolou *rs*, e depois todos tivemos que fazer cambalhotas para frente e para trás. Nem preciso dizer que rolei mal e porcamente, sou patética nessas coisas desde criança, não adianta. O problema foi quando fui (tentar!!!) dar a cambalhota pra trás…! Doeu tudo na coluna cervical, devo ter dado mal jeito nos nervos e músculos, achei que tivesse destroncado o pescoço :P Da segunda vez a cambalhota saiu bonitinha e fui suave, mas já estava doendo a cervical, que não parou de doer até agora kkkkkkkkk Meu consolo é que não fui a única, um colega meu de arquearia saiu detonado também por conta dessa cambalhota maledetta *rs*

Em suma: parece que um pequenino caminhão passou por cima de mim hahahahhahahaha Estou dolorida já hoje, então amanhã vou estar pior, certeza :P Ainda mais com a TPM que está começando!!! O bacana foi que em duas aulas descobri que certas coisas definitivamente não são pra mim. Que bom que me encontrei na arquearia :) Quinta-feira tem mini-curso de nunchaku. Já me avisaram que existe a possibilidade de me auto-acertar na cara, mesmo fazendo devagarinho kkkkk Talvez fosse o caso de eu ir equipada com capacete ;)

Pete Seeger

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Eugène Pottier (1816-1887)

1. Debout! les damnés de la terre!
Debout! les forçats de la faim!
La raison tonne en son cratère,
C’est l’éruption de la fin.
Du passé faisons table rase,
Foule esclave, debout! debout!
Le monde va changer de base:
Nous ne sommes rien, soyons tout!

Chorus:
C’est la lutte finale:
Groupons-nous, et demain,
L’Internationale
Sera le genre humain.
C’est la lutte finale:
Groupons-nous, et demain,
L’Internationale
Sera le genre humain.

2. Il n’est pas de sauveurs suprêmes:
Ni Dieu, ni César, ni tribun,
Producteurs, sauvons-nous nous-mêmes!
Décrétons le salut commun!
Pour que le voleur rende gorge,
Pour tirer l’esprit du cachot,
Soufflons nous-memes notre forge,
Battons le fer quand il est chaud!

Chorus:

3. L’État comprime et la loi triche;
L’Impôt saigne le malheureux;
Nul devoir ne s’impose au riche;
Le droit du pauvre est un mot creux.
C’est assez languir en tutelle,
L’Égalité veut d’autres lois;
“Pas de droits sans devoirs,” dit-elle,
“Égaux, pas de devoirs sans droits!”
Chorus:

4. Hideux dans leur apothéose,
Les rois de la mine et du rail
Ont-ils jamais fait autre chose
Que dévaliser le travail:
Dans les coffres-forts de la bande
Ce qu’il a créé s’est fondu.
En décrétant qu’on le lui rende
Le peuple ne veut que son dû.
Chorus:

5. Les rois nous soûlaient de fumées,
Paix entre nous, guerre aux tyrans!
Appliquons la grève aux armées,
Crosse en l’air et rompons les rangs!
S’ils s’obstinent, ces cannibales,
A faire de nous des héros,
Ils sauront bientôt que nos balles
Sont pour nos propres généraux.
Chorus:

6. Ouvriers, paysans, nous sommes
Le grand parti des travailleurs;
La terre n’appartient qu’aux hommes,
L’oisif ira loger ailleurs.
Combien de nos chairs se repaissent!
Mais, si les corbeaux, les vautours,
Un de ces matins, disparaissent,
Le soleil brillera toujours!

The Child’s Story by Charles Dickens

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Once upon a time, a good many years ago, there was a traveller, and he set out upon a journey. It was a magic journey, and was to seem very long when he began it, and very short when he got half way through.

He travelled along a rather dark path for some little time, without meeting anything, until at last he came to a beautiful child. So he said to the child, “What do you do here?” And the child said, “I am always at play. Come and play with me!”

So, he played with that child, the whole day long, and they were very merry. The sky was so blue, the sun was so bright, the water was so sparkling, the leaves were so green, the flowers were so lovely, and they heard such singing-birds and saw so many butteries, that everything was beautiful. This was in fine weather. When it rained, they loved to watch the falling drops, and to smell the fresh scents. When it blew, it was delightful to listen to the wind, and fancy what it said, as it came rushing from its home– where was that, they wondered!–whistling and howling, driving the clouds before it, bending the trees, rumbling in the chimneys, shaking the house, and making the sea roar in fury. But, when it snowed, that was best of all; for, they liked nothing so well as to look up at the white flakes falling fast and thick, like down from the breasts of millions of white birds; and to see how smooth and deep the drift was; and to listen to the hush upon the paths and roads.

They had plenty of the finest toys in the world, and the most astonishing picture-books: all about scimitars and slippers and turbans, and dwarfs and giants and genii and fairies, and blue- beards and bean-stalks and riches and caverns and forests and Valentines and Orsons: and all new and all true.

But, one day, of a sudden, the traveller lost the child. He called to him over and over again, but got no answer. So, he went upon his road, and went on for a little while without meeting anything, until at last he came to a handsome boy. So, he said to the boy, “What do you do here?” And the boy said, “I am always learning. Come and learn with me.”

So he learned with that boy about Jupiter and Juno, and the Greeks and the Romans, and I don’t know what, and learned more than I could tell–or he either, for he soon forgot a great deal of it. But, they were not always learning; they had the merriest games that ever were played. They rowed upon the river in summer, and skated on the ice in winter; they were active afoot, and active on horseback; at cricket, and all games at ball; at prisoner’s base, hare and hounds, follow my leader, and more sports than I can think of; nobody could beat them. They had holidays too, and Twelfth cakes, and parties where they danced till midnight, and real Theatres where they saw palaces of real gold and silver rise out of the real earth, and saw all the wonders of the world at once. As to friends, they had such dear friends and so many of them, that I want the time to reckon them up. They were all young, like the handsome boy, and were never to be strange to one another all their lives through.

Still, one day, in the midst of all these pleasures, the traveller lost the boy as he had lost the child, and, after calling to him in vain, went on upon his journey. So he went on for a little while without seeing anything, until at last he came to a young man. So, he said to the young man, “What do you do here?” And the young man said, “I am always in love. Come and love with me.”

So, he went away with that young man, and presently they came to one of the prettiest girls that ever was seen–just like Fanny in the corner there–and she had eyes like Fanny, and hair like Fanny, and dimples like Fanny’s, and she laughed and coloured just as Fanny does while I am talking about her. So, the young man fell in love directly–just as Somebody I won’t mention, the first time he came here, did with Fanny. Well! he was teased sometimes–just as Somebody used to be by Fanny; and they quarrelled sometimes–just as Somebody and Fanny used to quarrel; and they made it up, and sat in the dark, and wrote letters every day, and never were happy asunder, and were always looking out for one another and pretending not to, and were engaged at Christmas-time, and sat close to one another by the fire, and were going to be married very soon–all exactly like Somebody I won’t mention, and Fanny!

But, the traveller lost them one day, as he had lost the rest of his friends, and, after calling to them to come back, which they never did, went on upon his journey. So, he went on for a little while without seeing anything, until at last he came to a middle-aged gentleman. So, he said to the gentleman, “What are you doing here?” And his answer was, “I am always busy. Come and be busy with me!”

So, he began to be very busy with that gentleman, and they went on through the wood together. The whole journey was through a wood, only it had been open and green at first, like a wood in spring; and now began to be thick and dark, like a wood in summer; some of the little trees that had come out earliest, were even turning brown. The gentleman was not alone, but had a lady of about the same age with him, who was his Wife; and they had children, who were with them too. So, they all went on together through the wood, cutting down the trees, and making a path through the branches and the fallen leaves, and carrying burdens, and working hard.

Sometimes, they came to a long green avenue that opened into deeper woods. Then they would hear a very little, distant voice crying, “Father, father, I am another child! Stop for me!” And presently they would see a very little figure, growing larger as it came along, running to join them. When it came up, they all crowded round it, and kissed and welcomed it; and then they all went on together.

Sometimes, they came to several avenues at once, and then they all stood still, and one of the children said, “Father, I am going to sea,” and another said, “Father, I am going to India,” and another, “Father, I am going to seek my fortune where I can,” and another, “Father, I am going to Heaven!” So, with many tears at parting, they went, solitary, down those avenues, each child upon its way; and the child who went to Heaven, rose into the golden air and vanished.

Whenever these partings happened, the traveller looked at the gentleman, and saw him glance up at the sky above the trees, where the day was beginning to decline, and the sunset to come on. He saw, too, that his hair was turning grey. But, they never could rest long, for they had their journey to perform, and it was necessary for them to be always busy.

At last, there had been so many partings that there were no children left, and only the traveller, the gentleman, and the lady, went upon their way in company. And now the wood was yellow; and now brown; and the leaves, even of the forest trees, began to fall.

So, they came to an avenue that was darker than the rest, and were pressing forward on their journey without looking down it when the lady stopped.

“My husband,” said the lady. “I am called.”

They listened, and they heard a voice a long way down the avenue, say, “Mother, mother!”

It was the voice of the first child who had said, “I am going to Heaven!” and the father said, “I pray not yet. The sunset is very near. I pray not yet!”

But, the voice cried, “Mother, mother!” without minding him, though his hair was now quite white, and tears were on his face.

Then, the mother, who was already drawn into the shade of the dark avenue and moving away with her arms still round his neck, kissed him, and said, “My dearest, I am summoned, and I go!” And she was gone. And the traveller and he were left alone together.

And they went on and on together, until they came to very near the end of the wood: so near, that they could see the sunset shining red before them through the trees.

Yet, once more, while he broke his way among the branches, the traveller lost his friend. He called and called, but there was no reply, and when he passed out of the wood, and saw the peaceful sun going down upon a wide purple prospect, he came to an old man sitting on a fallen tree. So, he said to the old man, “What do you do here?” And the old man said with a calm smile, “I am always remembering. Come and remember with me!”

So the traveller sat down by the side of that old man, face to face with the serene sunset; and all his friends came softly back and stood around him. The beautiful child, the handsome boy, the young man in love, the father, mother, and children: every one of them was there, and he had lost nothing. So, he loved them all, and was kind and forbearing with them all, and was always pleased to watch them all, and they all honoured and loved him. And I think the traveller must be yourself, dear Grandfather, because this what you do to us, and what we do to you.

Mitologia: Uma das formas que o homem encontrou para explicar o mundo

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Por considerar a raça humana irremediavelmente perdida e cheia de defeitos, Zeus, o soberano dos deuses, resolveu acabar com ela. Para isso, provocou um dilúvio no mundo para afogar a humanidade. Apenas o casal formado por Deucalião e Pirra seria poupado, em virtude de sua bondade. Zeus os aconselhou a construírem uma arca e se abrigarem nela. Depois de flutuar nove dias e nove noites, sobre as águas da tormenta, a arca parou no topo de uma montanha, onde o casal desembarcou.

Quando as águas baixaram, apareceu Hermes, o mensageiro de Zeus, e lhes disse que o soberano satisfaria qualquer desejo dos dois. Deucalião lhe disse que queriam ter amigos. Hermes determinou que ambos jogassem por cima dos ombros pedras recolhidas do chão. As pedras jogadas por Deucalião se transformaram em homens ao atingir o solo. As pedras de Pirra tornaram-se mulheres e, assim, o mundo foi repovoado.

Muito semelhante ao episódio do dilúvio bíblico, esse mito grego narra a destruição e o ressurgimento da humanidade na Terra. De fato, a mitologia, entre os povos antigos ou primitivos, era uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza.

Era também um modo de estabelecer algumas verdades que não só explicassem parte dos fenômenos naturais ou culturais, mas que ainda dessem formas para a ação humana. Não sendo, porém, nem racional nem teórico, o mito não obedece a lógica nem da realidade objetiva, nem da verdade científica. Trata-se de uma verdade intuída, que dispensa provas para ser aceita.

À mercê de forças naturais

O mito pode ter nascido do desejo e da necessidade de dominar o mundo, para fugir ao medo e à insegurança. À mercê das forças naturais, que são assustadoras, o homem passou a lhes atribuir qualidades emocionais. As coisas não eram consideradas como matéria morta, nem como independentes do sujeito que as percebe: o próprio ser humano.

As coisas, ao contrário, eram vistas como plenas de qualidades, podendo tornar-se boas ou más, amigas ou inimigas, familiares ou sobrenaturais, fascinantes e atraentes ou ameaçadoras e repelentes. Assim, o homem se movia num mundo animado por forças que ele precisava agradar para haver caça abundante, para fertilizar a terra, para que a tribo ou grupo fosse protegido, para que as crianças nascessem e os mortos pudessem ir em paz para o além.

Mito, magia e desejo

O pensamento mítico, portanto, está muito ligado à magia e ao desejo de que as coisas aconteçam de um determinado modo. A partir dele desenvolveram-se os rituais, como técnicas de obter os acontecimentos desejados. O ritual é o mito em ação. Já nas cavernas de Lascaux e Altamira, o homem do Paleolítico (12.000 a 5.000 a.C.) desenhava os animais – com um estilo muito realista, diga-se de passagem – e depois os atacava com flechas, para garantir o êxito da caçada.

O mito tem funções determinadas nas sociedades antigas e primitivas. Inicialmente, ele serve para acomodar e tranquilizar o homem num mundo perigoso e assustador, dando-lhe segurança. O que acontece no mundo natural passa a depender, através de suas ações mágicas, dos atos humanos. Além disso, o mito também serve para fixar modelos exemplares de todas as atividades humanas.

Atualizando o sagrado

O ritual é a repetição dos atos dos deuses, que foram executados no início dos tempos e que devem ser imitados e repetidos para as forças do bem e do mal se manterem sob controle. Desse modo, o ritual é uma atualização dos acontecimentos sagrados que tiveram lugar no passado mítico.

Assim, o mito é uma primeira narrativa sobre o mundo, uma primeira atribuição de sentido ao mundo, na qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Sua função principal não é propriamente a de explicar a realidade, mas a de adaptar psicologicamente o homem ao mundo.

O mito primitivo é sempre um mito coletivo. O grupo, cuja sobrevivência precisa ser assegurada, existe antes do indivíduo. É só através do grupo que os sujeitos individuais se reconhecem enquanto tal. O indivíduo só tem consciência, só se conhece como parte do grupo, da tribo. Através da existência e do reconhecimento dos outros, ele se afirma enquanto ser humano.

A prevalência da fé

Outra característica do mito é a de apresentar-se como uma verdade que não precisa ser provada e que não admite contestação. A sua aceitação decorre da fé e da crença. Não é uma aceitação racional, fundamentada em provas e raciocínios.

Sob essa perspectiva coletiva, a transgressão da norma, a não-obediência da regra afeta o transgressor e toda sua família ou comunidade. Desse modo é criado o tabu – a proibição -, cuja desobediência é extremamente grave. Só os ritos de purificação podem restaurar o equilíbrio da comunidade e evitar que o castigo dos deuses recaia sobre todos.

A imortalidade do mito

Mas e quanto aos nossos dias? Por acaso não existem mais mitos? O pensamento filosófico e científico, que tiveram início com os primeiros filósofos, na Grécia do século 6 a.C., teriam ocupado todo o lugar do conhecimento e condenado à morte o modo mítico de nos situarmos no mundo?

Essa é a posição defendida por Augusto Comte, filósofo francês do século 19, fundador de uma corrente filosófica chamada positivismo. As ideias positivistas explicam a evolução da espécie humana em três fases: a mítica (religiosa), a filosófica (metafísica) e a científica. Esta última seria o ápice do desenvolvimento humano e não só é considerada superior às outras, como também seria a única válida para se chegar à verdade.

Além da razão

Porém, ao opor a razão ao mito, o positivismo empobrece a realidade humana. O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é constituído só de razão, mas também de afetividade e emoção. Se a ciência é importante e necessária à nossa construção de mundo, por outro lado ela não oferece a única interpretação válida do real.

Negar o mito é negar uma das formas fundamentais da existência humana. O mito é a primeira forma de dar significado ao mundo: fundamentada no anseio de segurança, a imaginação cria histórias que nos tranquilizam, que são exemplares e nos orientam no dia-a-dia.

Os super-heróis e os salvadores da pátria

Na verdade, independentemente de nosso desenvolvimento intelectual, o mito continua a nos acompanhar. Sua função de criar narrativas mágicas subsiste, por exemplo, na arte e permeia a nossa vida diária.

Atualmente, os meios de comunicação de massa trabalham os desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. Os super-heróis dos desenhos animados e das histórias em quadrinhos, por exemplo, encarnam o Bem e a Justiça e assumem a nossa proteção imaginária, exatamente por que o mundo moderno, com todos os seus problemas, especialmente nos grandes centros urbanos, revela-se cada vez mais um lugar extremamente inseguro.

Da mesma maneira, no plano político, certas figuras procuram se transformar em heróis populares, dizendo lutar contra as injustiças sociais e os privilégios. Também artistas e esportistas podem ser transformados em modelos de existência: são fortes, saudáveis, bem alimentados, etc. Até as telenovelas, ao trabalhar a luta entre o Bem e o Mal, estão lidando com valores míticos, pré-reflexivos, que se encontram dentro de todos nós.

Além de mitos, o mundo moderno também tem seus rituais. Afinal, as festas de formatura, de Ano Novo, os trotes dos calouros, os bailes de quinze anos, não são em tudo semelhantes aos antigos rituais de passagem das velhas tribos e clãs?

(escrito por Antonio Carlos Olivieri em 20/10/2005)

Poeminha em grego

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Reblogado de: http://gonzum.wordpress.com/2010/12/18/poema-em-grego-antigo/

Em homenagem ao falecido de um mês atrás.

A terra preta bebe [a chuva],
As árvores a bebem [absorvem a água da chuva],
O mar bebe os rios,
O sol bebe o mar.
A lua bebe o sol.
Porque vocês ralham comigo, meus camaradas,
quando eu também quero beber?

Confira aqui como se pronunciam as palavras:

Hé gué melaina pinei,
Pinei de dendre auten,
Pinei Talassa crunus,
Hó d’élios talassan,
Ton d’élion selene.
Pi moi makest’ hetairoi,
Kautoô telonti pinein?

Vocabulário:
Hé – A
gué – Terra
melaina – negra
pinei – bebe
de – e
dendre – árvore
auten – a [água da chuva]
talassa – mar
crunus – rio
ó – o
d’ – e
élios – sol
talassan – rio [como objeto direto]
ton – o
élion – sol [como objeito direto]
selene – lua
ti – então
moi – me, comigo
makest – ralham
hetairoi – amigos
kautoô – também + eu mesmo
telonti – quero
pinei – beber