Metá metá


Ontem lá estava eu assistindo o Metrópolis, programa da TV Cultura, e vi/ouvi esta banda (eles tocaram 2 músicas Oya e  Orunmila, que adorei!!!). A voz desta cantora (Juçara Marçal) é MUITO poderosa – dá para dizer, sem medo, que ela é nossa Elis Regina (BEM mais do que a filha da própria, diga-se de passagem!), só que, ao contrário da “original”, ela está viva😉

Baixe o CD mais recente da banda, Metal metal, clicando aqui.

Download de outras 3 músicas do Kiko Dinucci e outros artistas muito loucos aqui

contato: meta.dsm@gmail.com

> Show – dia 14 ou 21 de fevereiro (favor ligar para confirmar qual o dia correto, foram divulgadas ambas as datas!)

Studio SP – Baixo Augusta 
Rua Augusta, 591 CEP: 01305-000 – São Paulo – (55 11) 3129-7040

Com:

Kiko Dinucci – voz, guitarra e violão

Juçara Marçal – voz

Thiago França – saxofone

Marcelo Cabral – baixo

Serginho Machado – bateria

Samba Sam – percussão

Letra de Oya:

(Douglas Germano/Kiko Dinucci)

Oya oriri

Na chuva dançou

Veste o fogo, espada

Chama não se apaga

Beijo, clarão, labareda, pimenta

Se o vento se alastra

A brasa aumenta

É lava, combustão

Oya oriri

Guarda guerra, amor

Seu rosto vermelho

Rio em fogo aceso

Tanta paixão

Um só corpo não aguenta

Atinge o apogeu

Quando o sangue esquenta

É só pagar pra ver

Epa hei oya, epahei

Oya roro oya aji loda

Pena que neste vídeo o som ficou tão ruim – só ouço o baixo e a percussão *rs*

Leia/ouça/assista mais em: http://www.kikodinucci.com.br/ e também aqui.

O compositor e violonista Kiko Dinucci, a cantora Juçara Marçal e o compositor e saxofonistaThiago França lançam o disco “Metá Metá”, com canções de Siba VelosoMaurício Pereira,Lincoln AntonioDouglas Germano, por exemplo, além de músicas de Kiko Dinucci e parcerias.
O trio formado por Dinucci, Juçara e França investe em arranjos econômicos que ressaltam elementos melódicos e signos da música de influência africana no mundo. O disco tem sido citado e elogiado em veículos internacionais como o jornal francês Vibrations Music e a revista inglesaWire, na qual foi apontado como o álbum brasileiro de 2011, pelo jornalista inglês Russ Slater, além de receber ótimas críticas no Estadão, Folha de São Paulo, O Globo entre outros veículos de destaque no Brasil.
O lançamento digital de “Metá Metá” aposta na integração entre música e imagem e traz vídeos assinados por convidados: os artistas plásticos Edith Derdyk, Tatiana Blass,Marcelo D`Salete eGina Dinucci e o diretor de cinema francês Jeremiah são alguns deles. O álbum será disponibilizado gratuitamente no aplicativo musical Bagagem, criado pelo grupo Axial, que traz as faixas em mp3, os vídeos de cada música, encarte e ficha técnica. O software também permite interação do ouvinte com os artistas por meio de uma rede social do próprio aplicativo. Em agosto,“Metá Metá” (Selos – Circus/ Desmonta) ganha edições em vinil e CD.
O termo metá metá, na língua Iorubá, falada pelo grupo étnico africano que habita a Nigéria, faz referência à ideia da tríade. De acordo com o pesquisador Nei Lopes, no livro “Logunedé: Santo menino que velho respeita”, a palavra metá significa três. Assim, metá-metá pode ser traduzido, em um sentido mais próximo à tradição africana, como a síntese de três elementos em um.
Em “Metá Metá”, a tríade aparece nos arranjos para voz, violão e sax (ou flauta) em boa parte do repertório, que inclui faixas como “Obá Iná”, de Douglas Germano, e “Vias de Fato”, parceria de Germano com Edu Batata e Kiko Dinucci. Há também o cavaquinho de Rodrigo Campos na música “Samuel”, parceria do músico com Dinucci.
Kiko Dinucci é compositor e violonista. Tem seis discos lançados: “Padê” (2008), com Juçara Marçal“Pastiche Nagô” (2008), com Bando AfroMacarrônico“O Retrato do Artista Quando Pede” (2009), com Duo Moviola, e “Na Boca dos Outros” (2010), com vários intérpretes e Passo Torto (2011) com Romulo Fróes, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral. Lançou em 2006 o documentário “Dança das Cabaças – Exu no Brasil”
Juçara Marçal, cantora, além do disco “Padê” (2008), gravou os discos “Turista Aprendiz” (1999),“Baião de Princesas” (2000) e “Trilha, Toada e Trupé” (2007), com o grupo A Barca“Flor D’Elis”(1998), “180 anos de samba cantando Adoniran & Noel” (2002), ao lado de MPB4, Luiz Tatit eRoberto Silva, e “Ser Tão Paulista” (2004), com o grupo Vesper Vocal.
Thiago França, saxofonista e compositor, lançou em 2008 o disco “Na Gafieira”. Já dividiu palco com nomes como Elza Soares, Instituto e Nelson Sargento. Colabora atualmente com artistas como Romulo Fróes, Rodrigo Campos, Criolo e Lurdez da Luz. Dirige a Gafieira Nacional e lançou em 2011 o disco de seu novo projeto, Marginals.

Já está disponivel a pré-venda do cd Metá Metá “metal metal” por R$10 (unidade). As encomendas já podem ser feitas pelo o email shop@desmonta.com.

Para receber o cd em casa, favor enviar por email o endereço completo + CEP para o cálculo de frete. Você receberá um e-mail com o valor da postagem incluso na sua compra e os dados para depósito/tranferência bancária.

Todos os pedidos serão enviados somente a partir do dia 17 de dezembro mediante o comprovante de depósito/tranferência bancária.

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Metal sobre Metal — Escutar de novo, pela primeira vez

Bernardo Oliveira

Baby, baby, baby, não se assuste, a cidade é iluminada! Mas serena? Tranquila? Não, definitivamente. Como te (en)cantar, São Paulo? Como lançar o feitiço da canção por sobre teu asfalto, cantar o encantamento de teus desencantos, ligada no 220, na “padoca”, nos olhares discretos e garagens infinitas? As respostas possíveis foram dadas pelos punks da periferia, pelos rappers, pelos versos tortos da lira — e mesmo teu samba é anômalo! Teu corpo inteiro é vasto e cresce multidirecionado, mas muitos reconhecem em ti uma “periferia”, desencavada do esquecimento estratégico para habitar para sempre nosso imaginário (blame on the boogie, Nelson Triunfo, Racionais…). Seus abismos sociais, interações tímidas e canções paradigmáticas, que entoam a cidade remota, a cidade dos que “moram longe” (longe de quem, de onde?), que padecem da falta de condução, “se eu perder esse trem que sai agora às 11h…” Como cantar esta cidade munido apenas por violão, saxofone e uma voz? Como fugir da maldição da MPB, do “sambinha” e da “mpbezinha”, munidos com as mesmas armas? “Das armas brancas, químicas quentes, música é a preferida…”

A armadura instrumental pode não deixar dúvidas, mas o que fazer diante do fato de que as dúvidas simplesmente desmoronam? Basta assimilarmos uma realidade improvável, segundo a qual teriam marcado encontro na mesma encruzilhada, sob a bênção de todos os orixás, a radicalidade do improviso jazzístico de Peter Brötzmann, o peso do Black Sabbath, os afrosambas de Vinícius e Baden Powell, os detritos sonoros do drone, os ruídos no wave, a pegada do punk e do metal, a música da umbanda e do candomblé, as dissonâncias de Arrigo e Sonic Youth, a pujança do tambor de mina, da ciranda, da umbigada, o canto das três raças, o cinema falado, a escola de samba e a onipresença de Benedito João dos Santos Silva Beleléu, vulgo Nego Dito, cascavé, ensinando a bater cabeça no sobressalto do afoxé, e a fazer riff de metal no galope acertado de um “batuque” de cordas e sopros…

Kiko Dinucci converte seu instrumento em um híbrido de violão e guitarra, mas também assume as formas do atabaque e do agogô. Adapta o instrumentos às técnicas do “piano preparado” de John Cage, interpondo um pedaço de plástico entre as cordas e o corpo do violão. Por vezes, emula uma banda inteira através da utilização de pedais de distorção, palhetadas abafadas, linhas de baixo repletas de intervalos menores, acordes dissonantes, dedilhados abertos e muito suingue. Os sopros de Thiago França extrapolam o papel de “solistas” geralmente consagrado a este instrumento, e, tal como o violão, se afirmam a partir de uma série de possibilidades imprevistas: percutindo as chaves, criando desenhos rítmico-melódicos para servir como acompanhamentos e usando as ressonâncias da respiração para criar texturas sinistras. Com seu timbre versátil e interpretação precisa, Juçara Marçal é a maior cantora brasileira surgida nos últimos 30 anos. Como nenhuma outra, conjuga força expressiva e espontânea, com versatilidade e, o que mais chama a atenção, dosagem precisa de emoção na emissão e nos floreios, o que a destaca de grande parte das cantoras da atualidade.

Ressalto as qualidades instrumentais do conjunto porque, além da concepção, é a execução um dos grandes baratos de Metal Metal, segundo álbum do trio Metá Metá. Se a expressão indica a síntese de uma tríade (“metá” em iorubá significa “três”), adequada à sólida argamassa destilada pelo grupo em suas apresentações, o emprego do parônimo Metal Metal não só reforça a soldagem consistente de seus talentos, como também alude ao bater dos ferros do candomblé, à batucada digital do Kraftwerk de “Metal on Metal”, do heavy metal de linhas melódicas menores e sombrias, apontando para uma linha fora da curvatura: o discurso da “música popular” tomado por inflexões e perspectivas absolutamente destoantes de tudo o que vem sendo feito nesta seara.

Em seu último livro, Desde que o samba é samba, o escritor Paulo Lins narra uma visita de Brancura, célebre sambista do Estácio, ao terreiro de umbanda. A mãe de santo se vira para o compositor e diz: “Faz um ponto pro Pai Joaquim do Cruzeiro das Almas, Brancura! Quando a gente vai cantar pra ele, fica cantando esses pontos velhos — pediu a mãe de santo — Ele cuida tanto de você.” A cena, descrita com a fluência dos videntes, capazes de reportar à força de um acontecimento, ilustra um procedimento comum na constituição da umbanda e do candomblé em território brasileiro: a porosidade do corpus musical das religiões afro-brasileiras, aberto à contribuição criativa dos fiéis e seguidores.

Das nove faixas de Metal Metal, pelo menos três se aproximam da canção litúrgica na qual se especializaram não só Brancura, mas também Pixinguinha (sendo “Yaô” sua contribuição mais conhecida): “Oyá”, parceria de Dinucci com Douglas Germano, oferece uma pungente roupagem jazzística em alusão à batucada ritual do candomblé; tingida por uma proximidade com a música cósmica de Sun Ra, o afrobeat “Logun”, composto por Dinucci (“Caçador que marca com arô não se perde…”); e a incrível regravação de “Rainha das Cabeças”, composta por Dinucci e Germano, registrada pelo Bando Afromacarrônico em 2008, preenche todo o espaço com seu ritmo frenético e versos de devoção:

“Awoió ori dori re

Iyemanjá cuidou

Adé, alá, beijou

E encheu o ori de mar…”

Faixa introdutória de Metal Metal, “Exu” abre-alas: o sax combina ruídos, ambiências e melodias soltas, o violão percussivo se transfigura em um terreiro de candomblé e Marçal solta a voz como quem lança impiedosamente o fio de uma espada sobre os sentidos do ouvinte. “Man Feriman”, outra composição de domínio público, ganha uma roupagem repleta de dedilhados e intervenções do sax. Em alusão ao vocabulário e à cadência dos pontos litúrgicos, “Cobra Rasteira”, composta por Dinucci, é a única a remeter à música latina, ao passo que “São Jorge” faz referência ao afoxé, texturizado por efeitos e intervenções instrumentais admiravelmente imprevistas. “Tristeza não”, composição inédita de Itamar e Alice Ruiz, encerra o trabalho a meio caminho dos Stones de “Can’t You Hear me Knockin’”: um peso descomunal entoado com singeleza e concentração comoventes.

Metal Metal reforça uma concepção calcada no punch da execução e nas infusões sonoras inesperadas, executada por três artistas que empunham seus instrumentos como um campo aberto de experiências. Operando por contraste com o discurso dominante da chamada MPB, a música do Metá Metá expõe o ouvinte a uma experiência situada entre a familiaridade e a desorientação — escutar de novo, pela primeira vez. Recusa-se, ao contrário do que se espera hoje da sigla MPB, a emprestar tons pastéis e execução standard a elementos do rock e da música de todos os santos, extrapolando fronteiras pré-delimitadas pela dinâmica ideológica e mercantil. Não seria o esgarçamento de tendências comuns ao discurso mediano da MPB que confere ao grupo algo para além das siglas e gêneros? Em outras palavras, como cantar São Paulo no século XXI? A resposta não poderia ser mais explosiva e eficiente: conjurando-a com outras armas brancas, outras químicas quentes, leveza, curto-circuito.

Bernardo Oliveira

Ps.: Baseado no artigo “Escutar de novo, pela primeira vez”, editado no blog Matéria, a propósito dos shows do Metá Metá no Oi Futuro Ipanema, dias17 e 18 de agosto de 2012.

 

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