Se você é médico veterinário, leia


(…ou se você tem algum bicho de estimação, ou quer ter, ou se conhece alguém que é médico veterinário ou quer ser, encaminhe esta mensagem para tal pessoa – é longa, mas necessária)

A gente adora ter bichos de estimação – pelo menos a maioria das pessoas adora. Mas quem não é veterinário não sabe ao certo o que deve ou não ser feito…então lá fui eu procurar o que está na lei, e encontrei logo de cara estes dois trechos:

CAPÍTULO II
DOS DEVERES PROFISSIONAIS

Art. 6º São deveres do médico veterinário:
I – aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício dos animais e do homem;
II – exercer a profissão evitando qualquer forma de mercantilismo;

(…)

Módulo II – Ética e Profissões

Art. 4º No exercício profissional, usar procedimentos humanitários para evitar sofrimento e dor ao animal.

Todos os médicos veterinários com os quais tive que lidar até agora (e já foram vários, pois tive vários bichos de estimação, e foi sempre a mesma novela!) parecem encarar a eutanásia como um tabu, uma palavra de baixo calão que jamais deve ser pronunciada, muito menos posta em prática! Pois bem…

Caso 1– Tive uma cachorra, pastora belga. Ela estava velhinha (12 anos de idade) e já tinha tido câncer. Parou de beber, de comer, não conseguia dormir, nem ficar em posição alguma que não fosse incômoda. O veterinário aceitou fazer a eutanásia nela somente após uma semana nessa agonia…

Caso 2– Tive outra cachorra, pastora alemã. Já tinha uma certa idade (8 ou 9 anos), mas estava inteiraça, forte e cheia de energia. Parou de fazer xixi.

a) Fomos ao veterinário Xis (não o mesmo médico do caso 1, óbvio) que, após exames, nos informou que ela tinha um tumor enorme na bexiga, e que ele ia operar. Operou – até onde a gente sabia. E a cachorra na mesma…desconfiados, fomos a outro veterinário. Este outro nos informou que o primeiro simplesmente abriu a cachorra e fechou. Não havia feito nada, o tumor gigante continuava lá. E a cachorra cheia de pontos, tomando antibiótico, usando aquele colar horrível que a impedia de se locomover direito… Mais tarde, confrontando o primeiro veterinário, ele alegou que simplesmente abriu e fechou porque viu que a cachorra não tinha salvação.

Pergunto: custava ter ligado para os donos e perguntado se poderia fazer a eutanásia, já que não tinha jeito?!? Não, era mais fácil mentir e pegar nosso dinheiro. E deixar a cachorra sofrendo.

b) Ao perceber que a cachorra continuava na mesma e desconfiarmos do veterinário Xis, fomos ao veterinário Y, que ficou horrorizado com o comportamento do primeiro, e afirmou ser possível sim a cirurgia, que a cachorra era nova, que ela estava bem no geral, blablabla. Pedimos a eutanásia. O veterinário recusou terminantemente, a cachorra era forte e nova! Topamos relutantemente…acreditamos no veterinário, apesar de achar que uma cirurgia grande era um risco e sofrimento desnecessários. A única coisa que ele não nos tinha dito era que, em sua opinião, mesmo que a cachorra sobrevivesse à cirurgia e complicações pós-cirúrgicas, viveria no máximo uns 3 meses mais. Isso o veterinário nos falou depois…achou que 3 meses mais, com uma qualidade de vida duvidosa, era melhor do que nada. Não nos perguntou nossa opinião! Bem…mas nem tivemos a oportunidade de saber quantos meses ela viveria, porque dias depois da cirurgia ela estava passando mal. Era uma cachorra pesada, enorme, nem sei como conseguimos colocá-la no carro. Minha mãe tremia ao volante. O veterinário ficava do outro lado da cidade…e eu gritando desesperada para ela ir mais rápido!!! Enquanto isso, a cachorra deitada no banco de trás ao meu lado, se esvaindo em sangue….muito sangue…minha calça jeans ficou empapada, pingando….morreu dois dias depois, após outra cirurgia, transfusões de sangue, etc.

Pergunto: custava ter sido honesto com o dono, dito que achava que a cirurgia, mesmo se bem-sucedida, iria prolongar em poucos meses a vida dela, e se queríamos isso? Custava ter nos ouvido quando pedimos a eutanásia? E quando ela chegou nesse estado lastimável, por que não perguntar se agora não queríamos a eutanásia? Por que tentar procedimentos até o último minuto?? Entendo, deve ser frustrante tentar o procedimento A e não obter resultado, o B, e o C…mas tem que saber a hora de parar, não??

Caso 3- a) Meu marido tinha duas porquinhas da índia quando era solteiro. A primeira morreu aos 4 anos de idade (a média de vida dos porquinhos é de 3 a 5 anos), após 8 meses doente…e o médico ainda assim disse que continuar tratando era possível. Meu marido conseguiu convencê-lo a proceder com a eutanásia.

b) A segunda porquinha da índia estava bem velhinha (5 anos e meio) e ficou doente no começo de janeiro. Tratamos, mas ela piorou. Teria que amputar uma patinha. Debatemos sobre o melhor a se fazer – prosseguir com a cirurgia, ou sacrificar. Após ouvir os argumentos do médico (o mesmo da primeira porquinha), e perguntar sobre a opção da eutanásia (que ele desconsiderou de cara, como se fosse absurdo), consegui arduamente convencer meu marido de que ela estava bem, bastaria tirar a patinha e tudo bem, o médico disse que, se ela aguentasse a cirurgia, era provável que ela ficasse bem. Só que não…as complicações foram aparecendo uma após a outra, o organismo dela não estava reagindo aos tratamentos, e estava piorando visivelmente.

Dez dias depois da cirurgia, fui correndo levá-la ao veterinário, meu marido estava trabalhando. Agora a recomendação era que além de oferecer ração e folhas, tinha que dar papinha, já que ela não estava se alimentando direito, estava bem debilitada, e que teria que fazer outra cirurgia, pois havia um osso exposto (em decorrência da primeira cirurgia). Perguntei se deveria deixá-la internada na hora. O médico disse que tanto fazia, que de qualquer forma ele não poderia realizar a cirurgia aquele dia. Poderia leva-la para casa se quisesse. Era sexta-feira. Liguei para meu marido, que pediu que a trouxesse para casa. Voltaríamos ao médico no dia seguinte. Comecei a dar papinha assim que cheguei em casa, ela comeu pouco. Insisti de tempos em tempos para ela comer…comia pouco, mas voltou a comer. Voltou até a comer algumas folhinhas…Melhor que nada, certo?!?

Naquela tarde-noite, quando meu marido voltou do trabalho, conversamos bastante, choramos, e decidimos que uma segunda cirurgia significaria mais sofrimento. Estávamos sem dormir há um mês. E ela também! Os curativos, os remédios, o novo – e desconfortável – habitat…tudo era torturante para ela, dava para ver. Ela já não andava, e agora não estava comendo direito…só conseguia dormir no nosso colo…tombava várias vezes quando a colocávamos no quartinho dela…sugeri que voltássemos ao veterinário no dia seguinte, sábado. Não para realizar a cirurgia, mas sim para pedir que ele procedesse com a eutanásia. Entretanto, meu marido me contou sobre o caso 3, e a relutância do médico em realizar o procedimento com a outra porquinha, que estava num estado mais lastimável que esta…meu marido tinha certeza que esse médico não aceitaria, e insistiria na cirurgia.

Já conhecendo o modus operandi dos veterinários, falei para meu marido que deveríamos insistir com ele, e que seria inútil irmos a qualquer outro lugar. Nenhum outro veterinário toparia tratá-la, pois já estava em tratamento numa clínica, e muito menos topariam a eutanásia…afinal, na minha experiência, os veterinários parecem sempre “lavar as mãos” e não querer se envolver quando um bicho está sendo tratado em outro lugar. Ou seja, você tem que ficar preso a um só?!? Não pode ter segunda opinião, não pode tentar outro tratamento, não pode acabar com o sofrimento do bichinho, nada??? Donos e bichos têm que ficar sofrendo??

Bom, mas meu marido é teimoso…então:

c) No sábado, fomos a outro veterinário, aqui perto de casa (a clínica do primeiro fica longe demais, parece nossa sina ter que lidar com veterinários à distância!) para pedir uma segunda opinião. E pedindo clemência para nosso bicho de estimação idoso que estava sofrendo havia um mês…ele se recusou terminantemente a praticar a eutanásia, dizendo que o animal estava “bem”, que ela estava “comendo bem” (comeu 3 folhinhas na frente dele, o que não é nada perto do que ela costumava comer…), que o primeiro veterinário estava praticando o tratamento correto, que precisava sim de uma segunda cirurgia para corrigir o osso que tinha ficado exposto (e que ele não ia mexer ali de forma alguma, afinal, foi outro médico que fez aquilo, ele que consertasse!!!), que a porquinha estava com fome e precisava apenas ser melhor alimentada – ou seja, ainda por cima nos acusou de negligência com relação à alimentação da bichinha, sendo que estávamos tentando de tudo, oferendo alimentos de 15 em 15 minutos!!! -, e que, se estávamos cansados demais para cuidar dela, que deveríamos dá-la em adoção (!!!!!)…que tipo de profissional é esse, que não escuta os donos, que os acusa sem saber, e que se recusa a praticar um ato humanitário e misericordioso?! Veterinários cuidam de bichos, não de gente, mas se trata de vida, não de um objeto inanimado!!!

Bom…ele foi tão contundente que nos convenceu. Deveríamos voltar ao primeiro veterinário e continuar o tratamento, pois ela ainda estava bem e poderia ser salva, era um caso “tranquilo”. Mas, segundo ele, ao invés de retornar ao veterinário no próprio sábado, deveríamos voltar na segunda-feira e, enquanto isso, alimentá-la melhor, pois ela estava muito magrinha e isso seria um risco na cirurgia. Precisava ganhar ao menos 40-50 gramas.

Final da história: ela morreu agonizando em nossos braços no dia seguinte (domingo) assim que encostamos no portão da clínica, após voarmos com um táxi até essa mesma clínica veterinária à qual havíamos ido no dia anterior pedir para que ela morresse em paz, sem sofrimento. Pena que esse médico não estava lá, ele ia ouvir um monte, eu fiquei transtornada!

Não sei qual a política do Conselho Federal de Medicina Veterinária, nem o que se ensina nas faculdades de Medicina Veterinária, mas pelas minhas experiências com todos os veterinários que encontrei até hoje, certamente devem ser da opinião de que não devem tratar de um bicho que já tenha sido tratado por outro veterinário (!), e que a vida tem que ser mantida a todo custo, mesmo que seja o custo do sofrimento prolongado e agonizante do bicho e dos donos (!!). Eu já imaginava que isto não estava certo, e apenas confirmei lendo a legislação supracitada.

Moral da história 1 – se você é dono de um bichinho, não tenha receio em pensar na possibilidade da eutanásia. Analise a situação com calma e sangue-frio. Todo mundo fica horrorizado quando se fala em “sacrificar” um bicho…e você sempre fica na dúvida, será que não poderia fazer mais nada, será que ele ainda viveria por muito mais tempo…seja como for, acredite, é uma morte bem mais digna, e merece ser analisada com carinho.

Moral da história 2 – se você é médico veterinário, ou pretende ser um, tenha em mente isto: o dono conhece seu bicho melhor do que ninguém. O bicho não está reagindo ao tratamento, não está comendo, não está andando, está apático, não dorme, está demasiadamente carente, não é mais o mesmo, não está sequer conseguindo reclamar mais…

Se o dono chega na sua clínica veterinária-hospital veterinário esgotado, pedindo que faça eutanásia, por favor, honre seu diploma, seja misericordioso e faça o que ele está pedindo. Não, ele não está querendo se livrar do bicho, e não, ele não está sendo egoísta ou negligente. Sei que deve ser difícil para os médicos identificar que tipo de dono está pouco se lixando e quer se livrar do bichinho, e que tipo de dono está lá porque realmente já tentou e está vendo o bichinho sofrer sem muitas esperanças…o caso da porquinha era “simples”, mas ela já tinha uma idade bem avançada…no final das contas, me arrependi amargamente de ter acreditado no veterinário e não ter apoiado meu marido e pedido a eutanásia enquanto ela ainda estava bem o suficiente. Antes de ter sido amputada. Passou por uma cirurgia, inúmeros curativos e medicamentos, dor, e no final, pela agonia da morte…ficou molinha de repente, começou a ter espasmos e a abrir e fechar a boquinha, como se não estivesse conseguindo respirar…ela não precisava ter passado por isso, não mesmo. Não😦 E nós também não. Poderíamos todos ter sido poupados. Ficaremos com a memória desses últimos momentos de agonia para sempre. Assim como ficarei com a imagem da minha cachorra se esvaindo em sangue no meu colo…é muito traumatizante, a gente se sente impotente, não temos como ajudar nossos bichinhos tão queridos…mas os veterinários têm como! Parece cruel pedir para acabar com uma vida, mas mais cruel ainda é tentar mantê-la a qualquer custo, inclusive sabendo que o bichinho, mesmo em outras circunstâncias, teria pouco tempo de vida de qualquer forma.

Non val medicina,
non giova la china,
non si può guarire,
bisogna morire.

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