Arquivo do dia: 9 de dezembro de 2018

Algumas das coisas que aprendi com a gravidez


Tem mulheres que não sentem nada na gravidez. Nada. Continuam a vida normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Aliás, tem umas que se descobrem grávidas apenas aos 3, 5 meses ou até mesmo um dia ou dois antes do parto. Não foi assim comigo…

  • Pra mim, ficar grávida é a parte mais difícil de ter filhos (pelo menos até agora) – porque não dá pra pedir ajuda a ninguém. É bem solitário, e muito dolorido. No final, é literalmente pesado! ahahahah
  • Todo mundo fala que o começo da gravidez é a pior parte – sim, se você considerar que os CINCO primeiros meses dos nove totais é o começo…:P hahahhah
  • Não tive enjôos. Tive enxaquecas. Matadoras. De não dormir 5 dias seguidos. Queria morrer.
  • É horrível se sentir um barril. Comer e andar é difícil desde o começo. Aliás, acho que no final foi até melhor, porque já tinha me acostumado com o passo de tartaruga/tai-chi chuan. E já tinha me conformado em comer pequenas porções também. E em não comer as coisas que eu queria comer.
  • A parte sexual fica um horror. Não dá pra olhar pro próprio corpo e pensar “Nossa, como estou linda…” – acho inacreditável quem fala que grávida fica linda. A barriga fica MUITO desproporcional. Os seios doem e incham demais….o desejo sexual some completamente. Horrível.
  • Não dá pra engordar muito na gravidez – pra mim, a gravidez foi equivalente a fazer uma mini-cirurgia bariátrica. Eu tinha que escolher entre comer uma banana ou uma colher de arroz e feijão…não dava pra comer ambas as coisas! Ou entre beber água e comer. Parecia que minha barriga ia explodir a qualquer momento. Por conta disso, engordei apenas 4 quilos ao longo da gestação.
  • Vale a pena o sacrifício de não comer coisas com corantes e só beber água e leite puro durante a gravidez toda, e abrir mão dos chás gelados, dos sucos – industrializados e naturais – dos chocolates quentes, dos chás…afinal, são 9 meses de sacrifício, e pelo seu bebê. Todo mundo quer ter filho saudável. Agora, querer que a mãe continue nesse ritmo durante a amamentação, ah…me perdoem, mas vão à merda 😛
  • Idem pros remédios. Não pode tomar nada na gravidez. Paracetamol e nada dão na mesma 😛 Só no final da gravidez descobri que podia tomar novalgina. Agora, depois que a criança nasceu…affff. Ainda se houvesse um prazo fixo de amamentação…se a pessoa soubesse que ficaria 3 ou 4 ou 6 ou 9 meses ou 1 ano amamentando, beleza. Mas a coisa é a perder de vista, a menos que algum imprevisto aconteça. Minha prima, por exemplo, amamentou por quatro anos. Então é bem complicado pedir a uma mãe que não tome nenhuma medicação por estar amamentando…ainda mais quando ela é e está fisicamente toda lascada como eu 😛 E as que têm depressão???
  • A gente quer deixar tudo pronto e pensar em tudo antes do bebê nascer, mas não rola.
  • Sobre a tal rede de pessoas: não é mentira. Ou você tem grana pra contratar uma rede inteira, ou você tem uma família colaborativa, ou um mix dos dois. Sozinha a mulher fica esgotada, surta e não tem condições sequer de ir ao banheiro, sobretudo no começo. Não sei como mulheres sozinhas fazem isso…por isso que dá tanta merda. E tem tanto indivíduo surtado, psicótico e abandonado por aí. Maternidade definitivamente não é brincadeira, it DOES take a village!
  • O corpo não é mais seu, de várias maneiras – muita gente manuseando, seja por necessidade, seja por curiosidade (coitadas das que odeiam gente que toque suas barrigas….); o bebê é um verdadeiro parasitinha sugando tudo seu (TEM QUE tomar vitamina e cálcio e o escambau, não dá pra ser diferente, não dá pra descuidar nem um dia) e seus órgãos todos se comportam de uma maneira bizarra, saem do lugar e depois que você dá à luz, tá tudo solto, tudo fora do lugar…eu contava os dias pra ter meu corpo de volta só pra mim. Tem gente que fica “de luto” pela perda da barriga, sente falta…eu, hein! Adorei finalmente poder ver o bebê (que na barriga, por mais que você sinta, ainda parece muito abstrato), e adorei voltar “ao normal” (detalhe que demora mais 2 meses pra voltar), mas o corpo ainda não é inteiramente meu, já que os peitos continuam “alugados” hahahaha – mas após o parto fica bem mais fácil 🙂
  • Por mais hipocondríaca que seja a mulher, chega uma hora que cansa demais ficar indo a médicos, hospitais, fazendo aquelas baterias de exames….no começo é ótimo, sobretudo pra quem é neurótica ou hipocondríaca, mas cansa rápido ahahahha E sempre aparecem uns sintomas estranhos, então cê sempre corre pro hospital, pra ouvir “ah, isso é normal!” ou “ah, não é nada!” (poxa, um coágulo de sangue no xixi não é nada??)
  • Falando em neurótica, a gravidez inteira – mas sobretudo o começo – é isso aí, pura neurose. Cada coisa que a gente sente, por menor que seja, a gente pensa o pior. Cada vez que vai ao banheiro, olha o xixi pra saber se abortou, se saiu sangue, se tá tudo bem. Cada vez que faz cocô, tem medo de fazer força demais e o bebê acabar saindo junto 😛
  • …e sim, a constipação é um dos piores aspectos. Sobretudo para quem, como eu, já era constipada. Tem que tomar cálcio e outras coisas que fazem piorar a constipação. E o intestino vai sendo pressionado conforme o bebê cresce, então piora até ficar quase insuportável. E causa hemorroida nos últimos meses. Uma beleza. Até hoje (4 meses depois do parto) estou sem comer pimenta, que amo, com receio da hemorroida.
  • É horrível não poder fazer uma escolha sobre o modo de parto. Toda essa mulherada “empoderada”, cujos blogs a gente lê, não tem como relutar contra médicos. Eles estudaram,  a gente não. Então, por mais informada e estudada que sejamos, não somos médicas. Eu sempre quis ter cesárea, achava medieval ter parto normal quando a medicina avançou tanto, achava desnecessário passar por certas coisas…mas a partir do momento que me disseram que eu não podia ter parto normal, fiquei triste e querendo muito ter alguém que me dissesse que eu poderia ter essa escolha se quisesse. E fiquei brava quando a cirurgia foi marcada antes de completar 39 semanas (2 dias antes, pra ser mais exata). Relutei e perguntei e enchi o saco da médica, óbvio, mas você não tem argumentos suficientes e, quando te falam que sua placenta está “velha” e seu bebê vai ficar em risco se esperar mais, você vai arriscar?? Claro que não. Mesmo assim, pelo que pesquisei, dava pra esperar pelo menos mais uma semana…a bebê teria nascido com mais uns belos graminhas e quem sabe o começo tivesse sido mais fácil, sobretudo no quesito amamentação.
  • Por falar em cesárea: PÉSSIMA. Acho que vou fazer uma publicação específica só sobre ela, porque tem muita coisa ruim pra dizer. Mas, de novo, assim como tem mulher que demora meses pra descobrir que está grávida por não sentir nada, tem quem não sente nada durante ou após a cirurgia…ao contrário de mim.
  • Outra coisa péssima que merece uma publicação à parte: o sono. Tanto o excesso quanto a falta dele. Durante e após a gravidez.
  • Quando você se descobre grávida, a primeira coisa que faz é correr atrás de informação. QUANTA informação, mellldelssss!!!! Isso estressa demais. E tem informações contraditórias, inclusive. E tem informações erradas. Tanto na internet quanto nos livros. E tem informações contraditórias vindas de médicos diferentes também. E não é exatamente porque a medicina avançou….claro, tem coisas que ficaram comprovadas que xis ou ípsilon e não se faz mais, ou não são recomendadas por serem até perigosas. Mas tem coisa que é claramente modismo ou oportunismo. Aí você não sabe o que fazer exatamente…o negócio é perguntar pra amigos, conhecidos, parentes, médicos, e no final das contas seguir o que parece bom senso. E desencanar. Porque nem todas as situações vão acontecer com você ou com seu bebê. Quando acontecer, aí sim você vai lá e lê a respeito e tira suas próprias conclusões. Ou então tenta uma coisa, se não der certo tenta outra, e se não der tenta uma terceira via. Porque senão tem uma hora que é de surtar qualquer um. Uns amigos já tinham me dito que ser pai é mais ou menos fácil – não diria exatamente “fácil”, mas muitas coisas são instintivas, e tudo parece muito mais complicado quando se começa a ler…não estou aqui advogando a ignorância, obviamente! Mas, como eu disse, a gente não estudou pra ser médico, e mesmo entre médicos não há consenso sobre tanta coisa…

Encerro por aqui (por enquanto!), porque se fosse falar sobre tudo o que me aconteceu na gravidez, e desde que a minha filha nasceu, vixe! Aliás, escrevi um diário assim que me descobri grávida (já desconfiava antes), e prossegui até o final da gestação, com mais ou menos detalhes, dependendo da época. Não muito agradável, e foram quase 200 páginas. Meu objetivo, ao escrever o diário, não foi desanimar ninguém (nem minha filha, que vai ler no futuro!!! Espero que ela entenda que não é nada pessoal, o processo é natural e genérico, independente de quem nasça :)), e ao publicar essas coisas aqui, tampouco. Pelo contrário: como eu disse, tem informações contraditórias na internet, vi muita desinformação e muita dúvida por aí. Eu não obtive todas as respostas, mas percebi que tinha mães em condições piores do que as minhas, e o que achava na internet não condizia com o que estava acontecendo…a visão hegemônica da gravidez, mais do que da maternidade, ainda é muito idealizada e romantizada. Talvez porque a mulherada engravida cedo e os organismos delas de fato não sintam o impacto como o meu sentiu, sei lá!

De toda forma, não dá pra reclamar da violência do processo todo, considerando-se que ele leva apenas 9 meses (parece muito pra quem está de fora, mas não é, passa voando!) e que o que está em jogo é a formação de um ser humano inteirinho, perfeitinho e fofo, extremamente fofo! Alguém que, se tudo der certo, será um ser humano melhor do que as pessoas que o geraram, que vai melhorar o mundo e que vai sobreviver décadas mais do que quem o gerou…de quebra, quiçá vai gerar gerações posteriores, todas melhores do que as anteriores 🙂

Tendo dito isto, vou deixar o Stevie Wonder cantar algo muito apropriado (trocando “Aisha” pelo nome de qualquer bebê):

Categorias: Myself | 6 Comentários

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