Notícias e política

Men can stop rape.Los hombres pueden prevenir la violación. Contre le viol. Os homens podem prevenir o estupro.


…e sim, mesmo quando um homem e uma mulher são casados, ainda é estupro. Denuncie.

…and yeah, even when a man and a woman are married, it’s still rape. Denounce it.

…et oui, même quand un homme et une femme sont marriés, c’est encore le viol. Denoncez-le.

Janus Aureus

If you’re an English speaker, visit http://www.mystrength.org

Si hablas español, visite http://www.mifuerza.org

Si vous êtes francophone, vous pouvez aller ici et signer la pétition: http://www.contreleviol.fr/

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Tese sobre teses


Um amigo me mandou, em 18 de setembro de 2014 (!!) – nossa, ainda não me conformo como não vi a mensagem dele até ontem…- reflexões a respeito das dissertações de mestrado e teses de doutorado. Depois, se ele me permitir, reproduzo aqui o que ele disse. De toda forma, dentre outros textos, ele me indicou a leitura de um crônica do Mario Prata sobre o assunto.

Lá vai um trecho do texto do Prata, caso o link não funcione futuramente:

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspeta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

(…)

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo para, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.

Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Não tenho permissão para publicar nem a crônica do Prata e nem os questionamentos do meu amigo, mas posso colar minha resposta a ele aqui, afinal, é de minha autoria 😉

Adoro o Mario Prata, ele escreve muito bem! E só ele mesmo para trazer um assunto como teses acadêmicas para o mundo da crônica…que bom que você me apontou essa, acabei de ler.

Os pontos que ele levanta, e os que você levanta, são cruciais, obviamente. Não posso falar por todos, então vou falar apenas da minha experiência, e do que observo por aí.

Venho lendo dissertações e teses desde o segundo ano da faculdade (se soubesse a respeito delas desde o primeiro, teria lido mais algumas, mas eu era tonta e ignorante *rs*). Escolhi um tema difícil para fazer um trabalho final quando estava no segundo ano, e um dos professores me recomendou uma visita à sessão de teses da biblioteca…foi como se estivesse descobrindo outro mundo, uma espécie de biblioteca “palalela”. Não é muito difícil perceber que aquelas prateleiras estão entre as menos frequentadas de todas, o que é uma pena, pois é conhecimento público obtido com dinheiro público e muito esforço pessoal (como o Prata descreveu perfeitamente na crônica dele – aposto que ele teve contato diário com mais de uma pessoa nessa situação, heheheh, tadinho!) que poderia estar sendo transmitido e não está…um conhecimento obtido a partir de inúmeras leituras e destrinchado, muitas vezes mais didático (bom, nem todos os autores de tese se preocupam com o aspecto da inteligibilidade, como bem observou o Prata, mas há várias exceções!).

De lá para cá acho que essa situação não mudou muito, isso que é mais deprimente. Sinto que existe, além da falta de acesso (quem não é da universidade não pode retirar teses), preconceito – é como se pensassem que, por determinado estudo não ter sido publicado, ou seja, ratificado por uma editora comercial, ele não valesse a pena (mesmo tendo passado por banca examinadora duas vezes, hein!).

Mas teve sim uma mudança significativa: as teses passaram a ser disponibilizadas online. Isso ocorreu a partir do ano de 2001, se não me engano. As mais antigas não estão online (eles devem ter um projeto para digitalizar todo o acervo, mas imagino que isso demore séculos, ainda mais que a galera escrevia pra caramba antes, já que os prazos para completar mestrado e doutorado giravam em torno de 10-15 anos…), mas a informação “fresquinha”, sim. Tudo bem que o pessoal de hoje não é nenhum Antonio Candido…até porque, como dito anteriormente, a gente mal entra no mestrado e no doutorado e já tem que qualificar e defender em seguida….e os prazos continuam diminuindo….quando a prioridade das agências financiadoras passa a ser o dinheiro e produtividade, como se pesquisa e conhecimento fossem produzidas numa linha de montagem, e as universidades se tornam reféns delas por conta de falta de verba, dá nisso 😦 Mesmo assim, melhor disponibilizar tudo, ainda que de qualidade inferior, do que não haver acesso a nada ou a quase nada.

Algumas teses são super populares, e o motor de busca permite baixar qualquer tese de qualquer faculdade da nossa universidade, ou seja, não se tem mais que encarar aquela burocracia toda, ir pingando de faculdade em faculdade, de biblioteca em biblioteca, procurando as obras manualmente e, depois de encontrar o que interessa, ainda tentar obter autorização da faculdade de origem e da que está emprestando a tese, blablabla…achei maravilhoso!

Já baixei, por pura curiosidade, teses de astronomia (não deu pra entender grande coisa *rs*), medicina (sobre um problema de saúde da minha mãe), psicologia (sobre depressão, assunto sobre o qual acho essencial ler), etc. Aliás, as teses digitais me ajudaram inclusive de última hora, quando estava prestando concurso e não tinha tempo de procurar material fisicamente. E continuam me ajudando agora que dou aulas sobre assuntos nos quais não sou especialista, e sobre os quais aprendi há muitos anos, na graduação…baixo o conteúdo e estudo antes de preparar minha aula. Nem sempre encontro tudo o que gostaria, o que não é de se espantar, considerando-se o desestímulo para qualquer um que queira prosseguir seus estudos e pesquisa 😦 Ouvi dizer inclusive que estão sobrando bolsas!!! Na minha época (agora estou soando velhinha MESMO! *rs*) tinha fila de espera pelas bolsas…eu mesma só consegui bolsa no último ano do meu mestrado. Já no doutorado consegui de cara (quem quer fazer doutorado???).

Tudo isso para dizer que sou super fã de teses *rs* Tem as mal escritas? Claro! Tem as irrelevantes, ou com temas irrelevantes? Vixe, é o que mais tem! (outro dia li uma do Recife, sobre tatuagens de periguetes hahahahah) E tem as complicadas, arrogantes, que foram escritas “em código”, apenas para “os pares” lerem e entenderem. Mesmo assim, os benefícios do acesso às informações superam tudo isso.

Ah, esqueci de dizer que, fora essa minha mania de procurar teses e lê-las por conta própria (coisa que todo estudante universitário deveria fazer), no departamento ao qual eu pertencia enquanto doutoranda havia nosso grupo de estudos, que tinha reuniões mensais. O professor incentivava que todos apresentassem aos colegas sobre o que estavam estudando, em que pé estava o projeto, o que já havia sido descoberto durante os estudos e assim por diante. Quando chegava a hora da qualificação, éramos incentivados a comparecer para ver como seriam as críticas àquele trabalho que já estávamos acompanhando há tempos…idem na defesa. O autor disponibilizava a tese antes da defesa para quem quisesse ler, então na defesa a gente não ficava “boiando”, acompanhávamos e sabíamos exatamente do que a banca estava falando. Claro que cada um tem sua própria pesquisa, então a tendência majoritária é quase não dar bola para o trabalho alheio e nem ler o que foi escrito, pela falta de tempo, mas eu li tudo o que os outros orientandos da minha época escreveram, dava o maior orgulho dos meus colegas, tinha coisas muito boas! Não sei se este espírito colaborativo permaneceu lá ou se se esvaiu, tudo depende de quão bem as pessoas se dão umas com as outras….naquela época a gente era super sincronizado uns com os outros, tinha uma camaradagem e tal. Espero que tenha permanecido!

Sim, a questão sempre foi e continua sendo discutir sobre assuntos interessantes e extremamente relvantes com um público muito restrito. Você começou seu texto, e o Mario Prata fez o mesmo na crônica dele, questionando quem vai ler, se é que alguém vai ler, tanta tese importante escrita. E que esse conhecimento vai cair no vácuo. Pois bem. Se eu tivesse parado assim que escrevi meu mestrado e meu doutorado, talvez isso acontecesse mesmo. Só que, depois disso, prestei concurso e hoje leciono (aliás, são minhas últimas semanas aqui, snifff, estou ficando um pouco deprê por conta disso…) numa universidade pública, o que me permite compartilhar tudo o que descobri nos meus estudos, o que aprendi com meus professores e o que continuo aprendendo ao preparar minhas aulas. Não faz sentido estudar e manter esse conhecimento a sete chaves…não entendo por que raios tem gente que faz isso, muito menos por que tem gente que GOSTA de fazer isso, mantém o conhecimento trancado para si e para os “poucos eleitos”. Só pode ser falta de auto-estima, não tem outra explicação…uma pessoa “normal” tem curiosidade, pergunta, vai atrás, lê, e depois que descobriu pelo menos parte das respostas vai querer contar pros outros, não tem como não fazer isso, ainda mais se o assunto é relevante, importante e concerne a todos os seres humanos!!!

Então é isso: você não deve ter receio de entrar de cabeça nisso por conta de que pouca gente vá ler seu trabalho, porque existem outras formas de você expor e continuar este trabalho para um público muito maior (claro que salas de aula não se comparam à audiência da Globo, mas já é alguma coisa…até porque dali vão sair formadores de opinião também). Claro, eu posso estar expondo informações incompletas, opiniões debatíveis, etc., mas pelo menos estou tentando fazer minha parte, e não baseando-me apenas em achismo, e sim no que pesquisei.

Falei, falei, e não li os 5 trabalhos que você me recomendou 😦 E preciso ir, fiquei sem tempo!! Beijos!

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Snow King!


Евгений Плющенко: “Первый тизер шоу-сказки “Снежный король”! Мы вас удивим, обещаю!” / Evgeni Plushenko: “The first teaser of show fairy tale “Snow King”! We will surprise you, I promise!” – Подробнее и Билеты / More details and Tickets: 05-13.12.2014 Москва / Moscow (9 shows) http://evgeni-plushenko.com/forum/vie… 03-07.01.2015 Санкт-Петербург / St. Petersburg (10 shows) http://evgeni-plushenko.com/forum/vie… – Cast: Евгений Плющенко, Ирина Слуцкая, Джонни Вейр, Брайан Жубер, Катарина Гербольдт, Томаш Вернер, Братья Сафроновы / Evgeni Plushenko, Irina Slutskaya, Johnny Weir, Brian Joubert, Katarina Gerboldt, Tomas Verner, Safranov Brothers – Продукция / Production: Яна Рудковская и корпорация «PMI» / Yana Rudkovskaya and corporation “PMI” http://pbs.twimg.com/media/Bwc1KBICQAMP-tZ.jpg:large

Plushenko and Snow King cast

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Tempo: Cada vez mais acelerado


Você tem a sensação de que o tempo está voando? Não é o único. Pesquisadores estão tentando entender como – e por que – tudo ficou tão rápido (boa parte da culpa pode ser daquele monte de badulaques hipervelozes de última geração)

por Sérgio Gwercman

Você deve demorar uns seis minutos para ler as 1 679 palavras desta reportagem. Um pouco mais, um pouco menos, dependendo do seu ritmo, mas estima-se que a velocidade de leitura de um adulto chegue a 350 palavras por minuto. Convenhamos, seis minutos não é muito – mal dá para lavar a louça do jantar. Mas procure na banca de jornais quantas revistas fazem reportagens de quatro páginas, como esta, ou de dez, como a capa da edição que está em suas mãos, e você verá que a Super ocupa um espaço cada vez menor – o das revistas de “leitura longa”. “Existe um consenso entre editores do mundo todo de que os leitores têm cada vez menos tempo – e paciência – para ler. Por isso, a solução é fazer revistas, jornais e livros cada vez mais acelerados”, diz o jornalista canadense Carl Honoré. Para ele, a proliferação da leitura rápida é um dos sintomas de uma epidemia que assola todas as sociedades industrializadas: o desejo de viver em velocidade.

Carl é uma espécie de porta-voz do “movimento pela lerdeza” – hábito que ele jura não ter adquirido quando viveu por seis meses nas tranqüilas praias brasileiras. Seu livro, Devagar (que sai em junho no Brasil), é best seller na Europa advogando que poderíamos viver melhor trocando lanchonetes por banquetes caseiros, fazendo longas horas de sexo e parando de dirigir como pilotos de Fórmula 1. Ironicamente, o trabalho só começou por causa da leitura rápida. “Estava no aeroporto e me interessei por um livro com histórias de ninar de um minuto”, diz Carl. “Percebi que estávamos indo longe demais”. Naquele momento ele decidiu escrever um livro pregando que você deve passar muito mais de um minuto lendo para o seu filho antes de ir dormir.

O tempo está se acelerando. Um dia continua tendo 24 horas, 1 hora vale 60 minutos e, aleluia, cada minuto ainda tem 60 segundos – nem tudo está perdido. Mas há uma sensação generalizada de que não conseguimos fazer tudo que queremos. Falta tempo. Pagamos fortunas por engenhocas tecnológicas que deveriam facilitar nossa vida e continuamos com uma pressa insaciável. Você já deve ter sentido os efeitos desse fenômeno. Lembra quando a internet surgiu? Da maravilha que era saber que trocaríamos mensagens instantâneas e teríamos a biblioteca de Harvard ao alcance, bastando um clique no mouse. Agora pense na última vez que você recebeu um arquivo eletrônico pesado. E dos segundos que esperou para abri-lo, amaldiçoando a velocidade do computador, do provedor, da placa multimídia e do modem. Esses incompetentes que nos obrigam a esperar insuportáveis segundos para baixar…um livro inteiro!

AS CAUSAS

Essa histeria provavelmente começou na revolução industrial, com máquinas que trabalhavam mais rápido que os homens. Muitas atividades rotineiras foram agilizadas. Entre elas, uma vital: a capacidade de deslocamento. Dos tempos de Julio César, no século 1 a.C, aos de Napoleão, no século 19 d.C, nossa velocidade de movimentação foi quase sempre a mesma: a que o cavalo permitisse. A invenção dos motores, colocados em trens, mudou tudo. E o impacto provocou a organização sólida do tempo. Os fusos horários ganharam importância – antes, era indiferente a alguém que levava semanas para atravessar os Estados Unidos se, ao chegar a seu destino, houvesse um desnível de algumas horas em relação ao ponto de partida. Com os trens, a vida cotidiana passou a conviver não só com a hora certa, mas com o minuto exato em que a composição sai da estação e os segundos que podem descarrilar vagões num desvio fechado.

A tecnologia então disparou a oferecer velocidade a quem quiser consumi-la. “Todo o desenvolvimento tecnológico tende a deixar os processos mais rápidos”, diz Edward Tenner, especialista em história da tecnologia da Universidade Princeton, nos Estados Unidos. Uma volta ao shopping mostra como essa pressão ocorre: é praticamente impossível encontrar um produto (de telefones celulares a espremedores de laranja) que seja mais lento que sua versão anterior.

O boom seguinte é mais recente. Aconteceu no final do século 20 e transfigurou nossa capacidade de nos comunicar. “A tecnologia e a internet provocaram uma revolução na troca e na quantidade de informações”, diz o jornalista James Gleick, autor de Acelerado, livro que debate causas e efeitos da velocidade. “Uma coisa acelera a outra e nos vemos num círculo vicioso aparentemente inquebrável: a tecnologia gera demanda por velocidade, que empurra o desenvolvimento de novas tecnologias que precisam ser mais rápidas” diz. Assim, logo estamos desesperados para ter o chip que aumenta a memória RAM de 128 para 256 megabytes – mesmo sem saber o que fazer com os poucos segundos que lucramos com a mudança (talvez chegar em casa mais cedo para ficar entediado, com “saudades do trabalho”). Antigamente, qualquer pessoa que colocasse uma carta no correio sabia que ela iria demorar semanas para chegar ao destinatário. E, acredite, o mundo e os escritórios funcionavam. Hoje, os serviços de entrega devem ser imediatos. Com a invenção dos motoboys, Fedex, DHL e Sedex é cada vez menos justificável fazer alguém esperar além das 10 horas da manhã seguinte.

O resultado dessa avidez para “ganhar” tempo é que estamos cada vez mais com a sensação de perdê-lo. Pesquisadores afirmam que uma pessoa hoje sente que ele passa mais rápido do que para alguém que viveu há cem anos. E dão até uma estimativa de quanto: de 1,08 vez, para quem tem 24 anos, a 7,69 vezes, para quem tem 62 anos – a diferença seria causada pelo período de exposição à vida em alta velocidade. James Tien e James Burnes, professores de matemática aplicada do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, chegaram à essa conclusão analisando o crescimento das estatísticas de produtividade e emissão de patentes em 1897 e 1997 – os índices foram escolhidos por serem indicativos de desenvolvimento tecnológico e também por estarem entre os poucos com dados centenários confiáveis.

Há também uma explicação bioquímica para nossa percepção do ritmo em que horas e dias passam. À medida que envelhecemos, acredita-se, cai a produção cerebral de dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de energia e disposição. Esse processo pode desacelerar nosso relógio biológico. Uma experiência apresentada pelo neurocientista americano Peter Mangan mostrou como isso ocorre. Ele dividiu voluntários em três grupos etários que deveriam lhe avisar quando 60 segundos houvessem passado. Os jovens levavam, em média, 54 segundos. Os mais velhos, 67 segundos. Ou seja, os idosos eram surpreendidos pela informação de que um minuto inteiro transcorrera antes que eles se dessem conta. Isso explicaria, por exemplo, por que avós reclamam que “o ano passou rápido e já é Natal novamente” enquanto as crianças sofrem com a longa e demorada espera pela chegada dos presentes.

OS EFEITOS

Pressa. Ansiedade. E a sensação de que nunca é possível fazer tudo – além da certeza de que sua vida está passando rápido demais. Essas são as principais conseqüências de vivermos num mundo em que para tudo vale a regra do “quanto mais rápido, melhor”. Psiquiatras já discutem a existência de um distúrbio conhecido como “doença da pressa”, cujos sintomas seriam a alta ansiedade, dificuldade para relaxar e, em casos mais graves, problemas de saúde e de relacionamento. “Para nós, ocidentais, o tempo é linear e nunca volta. Por isso queremos ter a sensação de que estamos tirando o máximo dele. E a única solução que encontramos é acelerá-lo”, afirma Carl Honoré. “É um equívoco. A resposta desse dilema é qualidade, não quantidade.”

Para especialistas como James Gleick, Carl está lutando uma batalha invencível. “A aceleração é uma escolha que fizemos. Somos como crianças descendo uma ladeira de skate. Gostamos da brincadeira, queremos mais velocidade”, diz. O problema é que nem tudo ao nosso redor consegue atender à demanda. Os carros podem estar mais rápidos, mas as viagens demoram cada vez mais por culpa dos congestionamentos. Semáforos vermelhos continuam testando nossa paciência, obrigando-nos a frear a cada quarteirão. Mais sorte têm os pedestres, que podem apertar o botão que aciona o sinal verde – uma ótima opção para despejar a ansiedade, mas com efeito muitas vezes nulo. Em Nova York, esses sistemas estão desligados desde a década de 1980. Mesmo assim, milhares de pessoas o utilizam diariamente na esperança de reduzir seu minuto de espera.

É um exemplo do que especialistas chamam de “botões de aceleração”. Na teoria, deixam as coisas mais rápidas. Na prática, servem para ser apertados e só. Confesse: que raios fazemos com os dois segundos, no máximo, que economizamos ao acionar aquelas teclas que fecham a porta do elevador? E quem disse que apertá-la, duas, quatro, dez vezes vai melhorar a eficiência? “É um placebo, sem outra função que distrair os passageiros para quem dez segundos parecem uma eternidade”, escreve Gleick. Elevadores, aliás, são ícones da pressa em tempos velozes. Os primeiros modelos se moviam a vinte centímetros por segundo. Hoje, o mais veloz sobe doze metros por segundo. E, mesmo acelerando, estão entre os maiores focos de impaciência. Engenheiros são obrigados a desenvolver sistemas para conter nossa irritação, como luzes ou alarmes que antecipam a chegada do elevador e cuja única função é aplacar a ansiedade da espera.

Até onde isso vai? Um dos fatores que podem frear a corrida pela velocidade é o poder de consumo. “Hoje trocamos de computador a cada dois anos. Logo vai ser a cada seis meses. E depois? Não acredito que vamos comprar um computador novo por dia”, diz James Tien, do Instituto Rensselaer. A dúvida é saber se o que vai mudar é a velocidade com que novos produtos são colocados à venda ou o sistema de consumo, que se reinventará mais rápido ainda.

Neste caso, talvez a única solução será aderir à “batalha invencível” do movimento pela lerdeza. Entre as atividades propostas pelo movimento estão a organização de banquetes que demoram horas (um contraponto aos fast-foods) e propostas de mudanças profundas nas atitudes do dia-a-dia – para eles, chamar alguém de tartaruga é elogio. Essas pessoas também rejeitam os filmes de Hollywood cheios de ação e cortes rápidos e adoram livros grossos. Se bem que, como leitor da Super, talvez você já seja fã de textos longos, que nada têm de apressadinhos. Quer dizer, se é que você ainda está aí.

5 erros da vida acelerada…

• Prejudicar as relações com a família, namorados e amigos por estar muito apressado ou distraído para se envolver profundamente com outras pessoas

• Engordar ao comer (rápido) alimentos processados e altamente calóricos

• Ter idéias pouco criativas por dar à mente poucas chances de funcionar num modo mais suave, característico de quando relaxamos

• Deixar de ter prazer com a comida, sexo e hobbies por realizar atividades rápido demais

• Correr demais com as tarefas profissionais até cometer erros

 

…E 5 dicas para viver devagar

• Diariamente, separe tempo para desligar toda a tecnologia que nos cerca – internet, celulares, televisão. Aproveite para sentar sozinho com seus pensamentos

• Observe sua velocidade durante o dia. Por força do hábito fazemos algumas coisas mais rápido do que precisamos

• Deixe buracos na agenda e não preencha todos os momentos do dia com atividades. Resista à tentação de fazer mais e mais e tente fazer menos

• Faça refeições na mesa me vez de ter um prato balançando sobre as pernas em frente à televisão

• Encontre um hobby que desacelere sua rotina, como pintar, caminhar ou fazer iôga

 

Para saber mais

Na livraria:

Acelerado – James Gleick, Campus, 2000

Dez Considerações Sobre o Tempo – Bodil Jonson, José Olympio, 2004

Na internet:

http://www.inpraiseofslow.com

http://super.abril.com.br/cotidiano/tempo-cada-vez-mais-acelerado-445560.shtml

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Universo paralelo…


Por Eliane Trindade

“Como o operário de “Construção”, canção de Chico Buarque, Lucas Lima, que ganhou notoriedade como um dos organizadores dos “rolezinhos” aos shopping centers, morreu atrapalhando o tráfego: o garoto de 18 anos foi espancado até a morte numa rua chamada Terra Brasileira, na zona leste de São Paulo.

Naquela noite de sexta, ele desligou o computador (seu perfil no Facebook tem 57 mil seguidores) e se despediu do pai, Luiz Carlos, por volta das 22h: “Vou dar um ‘rolezinho'”.

Vestia uma camisa xadrez, bermuda e tênis. “Não sei de que marca, mas devia ser tudo réplica, viu”, conta o ex-motorista de caminhão e hoje encarregado de logística de uma empresa de tubos e conexões. Ele só reencontraria o corpo inerte do filho quase 48 horas depois no necrotério.

Lucas tinha caprichado no visual para a balada daquele final de semana. Até passou novamente no salão. “Você aqui de novo? Já cortei teu cabelo ontem, rapaz”, surpreendeu-se o cabeleireiro. “Vou dar um rolê”, justificou-se. Saiu de lá com o cabelo assentado com gel, como gostava de aparecer nas “selfies” que lotam seu perfil na rede social.

A boa daquela noite era o X do Morro, um baile funk famoso na zona leste, realizado a céu aberto por uma garotada que faz das vias públicas espaço de lazer nos finais de semana.

Só que a polícia, naquela noite, chegou antes e acabou com a festa de Lucas e da galera. Na dispersão do pancadão que não rolou, o estudante encontrou a morte.

A versão contada por testemunhas no 64º distrito policial, onde o homicídio é investigado, é a de que ele teria mexido com uma garota e acabou sendo trucidado pelo namorado dela.

COISA DE INVEJA

O pai ainda não encontrou as respostas para tamanha violência. “Lucas sempre foi da paz. Pode perguntar aqui na vizinhança, na escola. Não vai encontrar ninguém pra falar mal dele.”

Tece algumas hipóteses para uma reação tão despropositada de um outro jovem, menor de idade, para tirar a vida de alguém a pontapés: “Meu filho era carismático, uma pessoa vistosa e que tinha muitas fãs. Isso foi coisa de ciúme, inveja”.

E aproveita a tragédia para colocar os pontos nos is. “Lucas nunca foi líder de ‘rolezinho’ coisa nenhuma. Isso não existia. Se ele fosse líder não estaria sozinho no baile. Cadê os liderados, os seguidores?”

Pai de dez filhos com idade entre 41 e 14 anos, Luiz Carlos, 63, diz ter tido uma conversa séria com Lucas, quando o viu ganhar as páginas dos jornais associado aos passeios em bando rumo aos shoppings. “Por uma exigência minha, ele se afastou completamente. Não só com medo da multa de R$ 10 mil, como disseram.”

Luiz Carlos diz que fez valer sua autoridade paterna para começar a encaminhar o filho adolescente. Há dois meses, Lucas estava trabalhando pela primeira vez com carteira assinada. Virou ajudante geral na mesma firma em que o pai bate ponto há 14 anos.

Com o primeiro salário de R$ 1.100 no bolso, ele comprou duas camisas, mandou consertar o celular e guardou o restante. “Ia tirar carteira de motorista e já sonhava em comprar um carro, um Golzinho”, conta o pai.

Estudante do terceiro ano do ensino médio, Lucas pensava também em cursar mecatrônica. Tinha acabado um curso de informática.

O pai pretende retirar do Facebook o perfil que fez a fama, “por assim dizer”, de Lucas. “O nosso orgulho era o que ele sempre foi em casa, com a família e com os amigos, não o que conquistou nas redes sociais.”

O pai de Lucas se define como “tronco de uma família pobre e ao mesmo tempo rica”. E pontua: “Rica em educação”. “Sempre fui um pai presente para o meu filho. Ensinei ao Lucas que o que mais interessa na vida é dignidade e isso dinheiro não compra nem está na marca da roupa que você está usando.”

Desencorajava o consumo de grifes, uma febre que ecoa nos versos do funk ostentação, que fazia a cabeça do seu caçula entre os homens e da menina da área. “É melhor comprar roupa no camelô. É igual às do shopping. Só tenho um tênis de marca, daquela Nike, mas ganhei do meu patrão.”

Sempre cobrou da prole que se “equilibrasse na vida”. A cobrança surtiu efeito com duas filhas, que já adultas e casadas, voltaram a estudar e estão fazendo faculdade. Uma será psicóloga, e a outra, administradora de empresa.

O office-boy que sonhava ser engenheiro se orgulhava de não precisar mais pedir dinheiro para o pai para ir para a balada. Na última, Lucas exibiu o visual bem cuidado de garoto vaidoso, estava com uma graninha no bolso para pagar bebida “pras minas”, mas “acabou no chão feito um pacote flácido, agonizou no meio do passeio público e morreu na contramão atrapalhando o sábado”, como o personagem da música de Chico Buarque.

FLUXO DE RUA

Oito dias depois do homicídio de Lucas, a boa do fim de semana na área era o Fluxo da Caixa D’Água. É o que sugerem Danilo, William e outros três rapazes -com idades entre 18 e 25 anos- que tomam uma cerveja no estacionamento de um posto de gasolina da avenida São Miguel, na noite da última quinta-feira.

Traduzindo para quem vive fora da zona leste, ou ZL para os íntimos: fluxo é o nome dos bailes realizados em ruas, praças e até estacionamentos de postos, como aquele.

Espaços que vão sendo tomados aos poucos por carros com equipamentos de som turbinados para embalar os adeptos de funk, pagode ou sertanejo universitário, dependendo da turma, em um território delimitado também pelas preferência musicais.

A céu aberto, nas barbas da vizinhança e longe da polícia, as caixas de som reverberam, madrugada adentro, hits como “Gosto Mais do que Lasanha”, do MC Daleste, morto durante um show em Campinas, no ano passado.

É uma ode à ostentação que dá nome ao subgênero do funk carioca. As meninas empinam o bumbum e vão até o chão no batidão que diz “Tô na onda do funk de Sergio K e Polo Brooksfield Side Walk Hemp Ralph Lauren”.

O desfile de grifes não é só nas letras. A tal Caixa D’Água, onde rola um dos “fluxos de rua” mais conhecidos da ZL, fica na avenida Cangaíba, na entrada de uma favela.

O local se transforma também em passarela fashion, mesmo a contragosto das grifes cantadas a plenos pulmões e exibidas com suas logomarcas pela mesma galera que assustou os donos de shopping com os “rolezinhos” convocados pelas redes sociais.

Na hora da diversão, a meninada mostra o que consome no crediário. “O pit bull tá de Lacoste, o cowboy tá de Lacoste”, diz a letra que embala o “bonde” da marca francesa cujo símbolo, o jacaré, está nas camisas polo (que custam em torno de R$ 250) usadas por garotos da favela.

Danilo, bancário de 25 anos, tira a sua polo do armário e explica porque vai aos “fluxos de rua”. “É o que temos para o momento. Além de muita adrenalina, não tem proibição de nada. O pessoalzinho de menor pode entrar. Ninguém controla a entrada nem a saída.”

É uma festa sem leão de chácara, sem revista nem ingresso pago. “É a balada pra quem não tem dinheiro”, define William, 20, que é zoado pelo restante da turma por admitir que gosta das “raves de pobre”.

Um dos amigos, que poderia ser definido como o “coxinha” da turma, torce o nariz para os bailes típicos dos morros cariocas que chegaram com força na planície de Itaquera e arredores.

Danilo diz não estar nem aí para o preconceito de quem o questiona por frequentar os pancadões: “Como sou trabalhador e tenho um filho de cinco anos, me perguntam o que vou fazer no fluxo de rua.” E ele mesmo responde: “Gosto de ver a bagunça. Só bebo cerveja. Não fumo maconha, mas vejo meninos de 12 anos fumando. É cada um na sua.”

MOTOS E PERIGUETES

Os cinco amigos vão descrevendo o que imagens postadas em páginas do Facebook com o nome dos fluxos de rua famosos da região apenas sugerem.

O que faz um fluxo de rua bombar? “É aquele lance, a gatinha com aparelhos coloridos nos dentes, daqueles vendidos na rua 25 de março, chega com o nosso ‘Rei do Camarote'”, relata o primeiro.

“O cara desce da moto, vestido de bermuda e tênis de grife com um Red Label [uísque] de R$ 140 debaixo do braço e já vira o dono do baile”, emenda outro.

“Já esse aqui”, apontam para o mais calado do grupo, “encara a balada com uma garrafa de Balalaika [vodca] e um energético desses de dois litros, o tsunami, que custa R$ 6,50 e derruba qualquer um.”

Eles contam que a modinha agora no fluxo de rua é o velho e proibido lança perfume. “Abaforô ficou louco”, canta um deles, entoando o refrão que também faz sucesso no pancadão. “O troço congela até o pé.”

O melhor da noite são as “periguetes descontroladas” e o barulho de escapamento estourado de motos roubadas. “O que tem de mina dando mole. Transam até em cima de moto. É só oferecer um pouco de bebida”, diz um deles, desfiando seu machismo. Ela não transa sozinha, né? “Os caras tão lá pra isso mesmo”, continua o jovem de 20 anos. “É tudo menina novinha, que mente pra mãe que vai dormir na casa das amigas e se acaba no pancadão.”

Eles se empolgam mesmo para falar na sinfonia de um monte de “bode” -nome dado às motos roubadas, em alusão ao bicho que vive no mato, assim como as motocicletas após a desova. “Parece barulho de tiro. O cara acelera, liga e desliga e vem o pipoco pra alegria da galera. Quando começa o estouro de escapamento das motos não dá mais para ouvir a música.”

FESTA ILEGAL

As cenas descritas acima dão força ao discurso dos que querem proibir os bailes funks em São Paulo, a exemplo do que ocorreu no Rio. A Câmara Municipal chegou a aprovar, ano passado, projeto de lei dos vereadores Conte Lopes (PTB) e Coronel Camilo (PSD), representante da chamada “Bancada da Bala”, por serem oriundos da Polícia Militar.

Ao justificar a lei que tornaria ilegal a diversão da garotada da periferia, os vereadores descrevem os pancadões como “aglomerações que varam a madrugada com a participação de menores de idade, ao som de música ensurdecedora, bebendo bebidas alcoólicas, usando drogas e fazendo sexo em plena via pública”.

No início deste ano, o prefeito Fernando Haddad (PT) vetou na íntegra a lei e declarou que “o funk é uma expressão legítima da cultura urbana jovem”.

MACHISMO E VIOLÊNCIA

Pesquisador do fenômeno paulistano, Danilo Cymrot, doutorando em criminologia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, diz que não adianta proibir e estigmatizar o lazer da garotada da periferia.

“Não nego que aconteçam fatos preocupantes nos fluxos de rua e nos pancadões, mas não é proibindo o funk que se resolve o problema.”

Para o advogado, transformar a diversão em caso de polícia só vai fazer a balada mudar de endereço. “O que é preciso é ter espaços de lazer gratuitos ou acessíveis.”

Ele também chama a atenção para leituras apressadas de que Lucas Lima morreu por estar em um baile funk. “O mesmo acontece em boates da zona sul do Rio ou nos Jardins. Ele foi mais uma vítima de uma cultura machista que permite ao macho proteger a sua fêmea até com o uso da violência.”

Em meio ao luto, o pai de Lucas tende a concordar com o pesquisador. “A morte do meu filho não tem nada a ver com ir ou não a uma festa. A violência está em todo o lugar. Não temos segurança pra botar o pé fora de casa”, lamenta Luiz Carlos. Para um dos garotos símbolo do “rolezinho”, ela estava em uma rua chamada Terra Brasileira, na zona leste de São Paulo.”

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2014/04/1440720-foi-dar-um-role-e-morreu-sozinho-na-contramao-de-um-pancadao-na-zl.shtml

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Universiotários


Homenagem de alunos da UFRGS gera polêmica

Mulher em foto sensual postada na web para homenagear Dia da Mulher gerou críticas; DCE Livre diz que objetivo era ressaltar a beleza
Homenagem do Dia da Mulher gerou polêmica / Reprodução/Facebook “Uma homenagem ao Dia da Mulher, no último dia 8 de março, causou polêmica no Facebook do DCE Livre (Movimento Estudantil Liberdade), que apoia o DCE (Diretório Central de Estudantes) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Na ocasião, o grupo postou a foto de uma mulher seminua com uma mensagem marcando a data comemorativa.”Neste 8 de Março, o DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade, grupo que apoia a atual gestão do DCE da UFRGS, deseja a todas as mulheres um Feliz Dia Internacional da Mulher”, afirma o post.Entre as mensagens, internautas dizem que a postagem foi “estúpida”, “imbecil”, “machista”, entre outros.

Em entrevista ao Portal da Band, o presidente do DCE Livre e responsável pela página, Gabriel Afonso Marchesi Lopes afirmou que o movimento já havia sido criticado antes e que “para homenagear a mulher, escolheu uma foto que expressa a beleza feminina”.

“Fizemos algo semelhante no Natal, com 50 mil acessos, e vamos continuar fazendo. Desta fez, a postagem alcançou 7 mil usuários”, disse.

Segundo Lopes, “o movimento possui uma posição criticada por muitos”. “Nossa visão é um pouco diferente da visão estereotipada”, completou.

Procurada pela reportagem, a UFRGS disse que o grupo não tem relação direta com a universidade e que não vai se pronunciar sobre o assunto”.

kkkkkkkkkk E ainda têm coragem de chamar isso de homenagem!!!! “Homenagem” é o que os caras fazem olhando pra essa foto e batendo uma, isso sim….

Visão diferente da estereotipada?!? Faz-me rir!!!! Quer maior estereótipo do que uma bunda feminina desnuda? 😉 kkkkkkk

Pior do que ler a notícia foi ler os comentários dos leitores (em sua maioria homens, e mulheres machistas, claro!), essas coisas sempre me deprimem…

Vocês sabem, aquele discursinho de que reclamar a respeito da objetificação da mulher é coisa de baranga, de mal-comida, de feminazi…? E que as mulheres são objetos mesmo, elas não se dão o respeito, mimimimimi. Ou seja, coisa de quem não sabe argumentar. Queria ver esses caras todos virando para suas avós, mães, irmãs, primas e tias e falando essas tremendas asneiras. Iam levar tabefe na hora *rs* E ficar para sempre na punheta, óbvio 😉

PS – no meio da imbecilidade toda, alguém com cérebro: “Acho engraçado a UFRGS tirar o corpo fora. Trata-se de um grupo surgido lá dentro, que apoia a direção do DCE, que cita a UFRGS frequentemente na sua página, que dá um desgaste gigante à imagem da universidade, e que ofende todas as estudantes e docentes com essa fobia do sexo feminino. Sim, porque essa objetificação patética não é nada além de medo de mulher. Eu já dei um jeito de enviar uma mensagem para a universidade. Acho que é hora de todo mundo começar a se manifestar. Isso aqui não tem nada a ver com democracia e livre manifestação. Isso é fascismo do pior tipo. E fascismo de moleque”. (comentário feito por Angelo Pilla)

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Por que a imagem da vagina provoca horror?


Diante da origem do mundo, ela deu um grito

ELIANE BRUM

Muitos anos atrás, não sei precisar quantos, deparei-me com o quadro A origem do mundo (L’Origine du Monde, 1866) e me encantei. Nele, o francês Gustave Courbet pinta uma vagina. Cheguei a ela desavisada e fui tomada por uma sensação profunda de beleza. Forte o suficiente para sonhar, deste então, com a compra de uma reprodução, um plano sempre adiado. Quando passei a trabalhar em casa, há dois anos, desejei ainda mais ter o quadro na parede do meu escritório, onde reúno tudo aquilo que me apaixona em um pequeno universo perfeito e só meu. No último aniversário, em maio, meu marido me deu a reprodução de presente. Só na semana passada, porém, o quadro chegou da vidraçaria onde fez escala para receber moldura. Então, algo inusitado aconteceu.

Ouvi um grito:

– É o fim do mundo!

Eu estava no quarto e saí correndo, alarmada, para ver o que tinha acontecido. Encontrei Emilia, a mulher que limpa nossa casa uma vez por semana, com o rosto tomado por um vermelho sanguíneo, diante de A origem do mundo, que, ainda sem lugar na parede, jazia encostado em um armário.

– É o fim do mundo! – gritava ela, descontrolada. – Nunca pensei ver algo assim na minha vida! Eliane, que coisa horrível!

Meio atordoada, eu repetia: “Não é o fim do mundo, é o começo!”. E depois, sem saber mais o que fazer para acalmá-la, me saí com essa estupidez: “É arte!”. Como se, por ser “arte”, ela tivesse de ter uma reação mais controlada, quando é exatamente o oposto que se espera. Beirando o desespero diante do desespero dela que eu não conseguia aplacar, apelei: “Mas, Emilia, metade da humanidade tem vagina – e a humanidade inteira saiu de uma vagina! Por que você acha feio?”.

O fato é que, para Emilia, era o fim do mundo – e não o começo. Tentei fazer piada, mas percebi que a perturbação não viraria graça. A questão para ela era séria – e ela só não pedia demissão porque trabalha há 12 anos comigo e temos um vínculo forte. Naquele dia, Emilia despediu-se incomodada e passei a temer que talvez ela não suporte olhar para o quadro a cada quinta-feira.

Por que Emilia, uma mulher adulta, que me conta histórias escabrosas da vida real, se horrorizou com a visão de uma vagina? Por que eu me encantei com a visão de uma vagina? Quando vivo uma experiência de transcendência, em geral eu não quero saber sobre a história da pintura que a produziu, porque temo perder aquilo que é só meu, a sensação única, pessoal e íntima que tive com aquela obra. É uma escolha possivelmente besta, mas faz sentido para mim. Por isso, eu quase nada sabia sobre “A origem do mundo”, para além do fato de que eu a adorava. Só no ano passado, ao ler um pequeno livro sobre um dos grandes nomes da história da psicanálise, o francês Jacques Lacan, soube que ele foi o último dono da pintura. Nos anos 90, sua família doou o quadro para o Museu D’Orsay, em Paris, onde está desde então.

Graças ao estranhamento de Emilia, transtornada que foi pela experiência artística quando se preparava para passar o pano no chão, fui levada a um percurso inesperado. Descobri que A origem do mundo causa escândalo desde que foi pintada. E agora quem está horrorizada sou eu, mas pela ausência de horror em mim diante do quadro. Por quê? Por que eu não sinto horror? O que há de errado comigo que não sinto horror?, cheguei a me perguntar. De repente, nossas posições, a minha e a de Emilia diante do quadro, inverteram-se. Eu, que não compreendia o horror dela, passei a suspeitar do meu não horror.

Eis uma breve trajetória da obra. A origem do mundo foi encomendada a Courbet, um pintor do realismo, por um diplomata turco chamado Khalil-Bey. Colecionador de imagens eróticas, ele pediu um nu feminino retratado de forma crua. E Courbet lhe entregou um par de coxas abertas, de onde despontava uma vagina após o ato sexual. A obra teria sido instalada no luxuoso banheiro do milionário, atrás de uma cortina que só se abria para revelar o proibido para uns poucos escolhidos. Khalil-Bey teria perdido a pintura em uma dívida de jogo, momento em que a tela passa a viver uma série de peripécias.

O quadro teve vários donos e, ao que parece, todos o escondiam atrás de uma cortina ou de uma outra pintura. Na II Guerra Mundial, algumas versões afirmam que chegou a ser confiscado pelos nazistas do aristocrata húngaro ao qual pertencia. Em seguida, passou uma temporada nas mãos do Exército Vermelho. Até que, após uma acidentada jornada, em 1954 foi comprado por Lacan e instalado na sua famosa casa de campo.

Até mesmo Lacan, um personagem pródigo em excentricidades e sempre disposto a chocar as suscetibilidades alheias, ocultava o quadro com uma outra pintura, encomendada ao pintor surrealista André Masson com esse objetivo. Como uma porta de correr, esse “véu” retratava uma vagina tão abstrata que só um olhar atento a adivinhava. Apenas visitantes especiais ganhavam o direito de desvelar e acessar a vagina “real”. Segundo Elisabeth Roudinesco, a biógrafa mais notória de Lacan, o psicanalista gostava de surpreender os amigos deslocando o painel. Anunciava então “A origem do mundo”, com a seguinte declaração: “O falo está dentro do quadro”. Boa parte dos intelectuais apresentados à tela ficava, como Emilia, bastante incomodada.

Por quê?

Que há algo perturbador no órgão sexual feminino não há dúvida. Até nomeá-lo é um problema. Vagina, como tenho usado aqui, parece excessivamente médico-científico. É como pegar a língua com luvas cirúrgicas. Boceta ou xoxota ou afins soa vulgar e, conforme o interlocutor, pejorativo. É a língua lambuzada pelo desejo sexual – e, por consequência, também pela repressão. Não há distanciamento, muito menos neutralidade possível nessa nomeação. É uma zona cinzenta, entregue a turbulências, e a palavra torna-se ainda mais insuficiente para nomear o que Courbet chamou de “A origem do mundo”. Para Lacan, “o sexo da mulher é impossível de representar, dizer e nomear” – uma das razões pelas quais teria comprado o quadro.

Em busca de respostas para o horror de Emilia, que, por oposição, revela o meu não horror, naveguei por algumas interpretações do quadro – e da perturbação gerada por ele. Jorge Coli, historiador, crítico de arte e autor de um livro sobre Courbet para a editora francesa Hazon, assim comentou sobre A origem do Mundo, em um artigo publicado em 2007: “Parece-me a radicalização do processo de transformar a mulher em um objeto orgânico, pois ele esconde a cabeça (pensante) e os braços e pernas (elementos da ação). Vemos a ponta do seio e, sobretudo, o sexo”. Coli assinala que uma das questões do século XIX era a ameaça do desejo contida no feminino. Inerte, entregue à contemplação, a mulher não ameaçaria.

Em algumas manifestações escandalizadas, o fato de Courbet ter “reduzido” a mulher a um pedaço da anatomia foi considerado uma afronta. Uma mulher sem cabeça, sem braços, sem história. A pintura chegou a ser definida pelo escritor e fotógrafo francês Maxime Du Camp como um “lixo digno de ilustrar as obras do Marquês de Sade”. Análises mais psicanalíticas explicam o horror de quem olha pela castração. Diante do espectador, entre as coxas abertas da mulher se revelaria a ferida aberta, a falta, a impossibilidade de ser completo. As mulheres se horrorizariam pela constatação da castração, os homens pelo temor a ela. Se alguns olhares produzem pistas, outros reforçam apenas o incômodo que a obra produzia.

O efeito do quadro já foi tentado em fotografias de mulheres, em geral prostitutas, colocadas na mesma posição, mas o resultado revelou-se diverso. Ao transpor para a fotografia, não é mais a imagem de Courbet, mas outra. Até que, em 1989, uma artista francesa, Orlan, fez algo marcante – e com grande potencial para gerar polêmica – a partir da obra original. Ela reproduziu a pintura trocando a vagina por um pênis – ou a boceta por um caralho. E chamou-a de A origem da guerra. Olhar para essa imagem causa um estranhamento, especialmente porque a posição, deitada de costas, é muito mais íntima da mulher do que do homem. O pênis, no caso, se oferece ereto ao olhar, mas a partir de um corpo na horizontal, entregue.

É instigante, desde que a provocação não seja reduzida a um feminismo indigente, banalizado pela crença pueril do “a mulher gera a vida, o homem a morte”. A intenção de Orlan, segundo Roudinesco, era bem mais refinada. Ela “pretendia desmascarar o que a pintura dissimulava, realizando uma fusão da ‘coisa’ irrepresentável com seu fetiche negado”. Reivindicava então a “imprecisão do gênero e da identidade” que marca o nosso tempo, anunciando, por sua vez: “Sou um homem e uma mulher”.

O que se pode afirmar é que Courbet revelou o que está sempre coberto, oculto, escondido. No Carnaval brasileiro, por exemplo, como lembra a psicanalista Maria Cristina Poli em um artigointeressante sobre o feminino, tudo é exposto – e até superexposto – do corpo da mulher, menos a vagina. Mas a força do quadro não está só no “mostrar”. Há algo de incapturável e único na forma como Courbet mostrou o “imostrável”, já que a transposição da imagem para a fotografia não causa o mesmo efeito. E o que é?

Não sei.

A vagina pintada por Courbet é peluda como não vemos mais nos dias de hoje. A depilação quase total do sexo feminino tornou-se um popular produto de exportação do Brasil. Tanto que virou um dos significados da palavra “Brazilian” no renomado Dicionário Oxford: “Estilo de depilação no qual quase todos os pelos pubianos da mulher são retirados, permanecendo apenas uma pequena faixa central”. Pelo visto, a partir dos trópicos supostamente liberados e sexualizados, a vagina depilada virou um clássico contemporâneo.

Este é um ponto interessante. Ao primeiro olhar, a extração dos pelos serviria para revelar mais a vagina, mas me parece que este é mais um daqueles casos, bem pródigos na nossa época, em que se mostra para ocultar – a superexposição que ofusca e cega. A vagina sem pelos é uma vagina flagelada – e arrancar os pelos com cera é mesmo um flagelo. É também uma vagina infantilizada pela força. E é ainda uma vagina esterilizada, já que vale a pena lembrar que no passado recente essa depilação agressiva só acontecia nos hospitais para, supostamente, facilitar o parto. “Se não depilo totalmente, me sinto suja”, disse-me uma amiga. Suja?

Em janeiro de 2000, a atriz Vera Fischer exibiu sua vagina peluda em um ensaio fotográfico da revista Playboy. Causou furor. Falou-se na “Mata Atlântica”, na “Amazônia”, na “selva” onde sempre é perigoso penetrar. Havia algo de poderoso e incontrolável na vagina em estado “natural” de Vera Fischer, e a polêmica se fez. Era uma mulher não domesticada ali. Uma mulher adulta.

Não me parece – e nunca saberemos se tenho razão – que, se Courbet tivesse pintado uma vagina careca, ela teria causado tanto o horror de Emilia quanto o êxtase em mim. A vagina pintada por Courbet é uma vagina que revela. Mas o quê?

Não sei. A maravilha da arte é que ela nos transtorna sem a menor intenção de nos dar respostas – muito menos caminhos a seguir. A arte é sempre labiríntica. Não há sentimentos “certos” ou “errados” diante da expressão artística, há sentimentos apenas. Movimentos. Que nos levam por aí, aqui. É em respeito a essa ideia que decidi não colocar nenhuma imagem do quadro aqui, nem mesmo um link – ou um atalho – para a imagem na internet. A busca da origem do mundo é pessoal e intransferível. Assim como a decisão de buscá-la.

A obra de Courbet sempre foi oculta por uma outra pintura. Ou cortina. Exceto agora, que a exibição no museu deu a ela uma espécie de salvo-conduto, por ser ali “o lugar certo”. De algum modo, até então, a vagina mais famosa da História da Arte fora coberta por um véu – além do véu representado pela própria pintura.

Decidi não cobrir minha reprodução de A origem do mundo com uma burca. Vamos ver o que acontece.

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/06/por-que-imagem-da-vagina-provoca-horror.html

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Tolerar a intolerância (?)


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2014/02/1410291-tolerar-a-intolerancia.shtml

Por isso que tenho tendências totalitárias…discordo radicalmente. Quem advoga total liberdade de expressão nunca viu o site criado para crianças pela KKK…super perigoso esse tipo de raciocínio. O mal tem que ser cortado pela raiz, sem mais.

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