People

Filme assustador


Corrijo: o filme mais assustador que assisti nos últimos anos. E olha que nem é de terror, hein. Quer dizer, em termos…depende do que se considera amedrontador. EU pessoalmente tenho medo do que acontece na vida real, e não na ficção. Tenho mais medo das pessoas ditas normais do que dos psicopatas, pois apesar de ambos os tipos estarem entre nós, as ditas normais estão em maior número.

Preciso assistir mais vezes e analisar cuidadosamente. Mas, assim de cara, já dá para dizer uma coisa: o que é mais aterrorizante neste filme é que não dá para distinguir ficção de realidade, ou seja, o que é atuação e o que não é, o que é comédia e o que é sério. Aposto que o ator que interpretou a personagem principal deve ter ficado com muito, muito medo também, mas não podia expressar. E por isso, minhas palmas para ele!

Quem sabe russo, pode assistir online no seguinte link:

http://spectator.io.ua/v6fa35ff5e127b7dcaa3e16e25606aca3

E, para quem não entende russo, pode assistir no Netflix, legendado.

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

Жанр: Комедия
Выпущено: Германия, Claussen Wobke Putz Filmproduktion, Constantin Film Produktion GmbH, Mythos Film
Режиссер: Давид Внендт
В ролях: Оливер Мазуччи, Фабиан Буш, Кристоф Мария Хербст, Катя Риман, Франциска Вульф, Ларс Рудольф, Михаэль Кесслер, Даниэль Аминати, Даги Би, Фред Аарон Блаке
О фильме: Берлин, наши дни. На заброшенном пустыре возвращается к жизни черный кошмар XX века — Адольф Гитлер, кровавый диктатор, погрузивший Германию, а за нею и половину человечества в ужас Второй мировой войны, непосредственный виновник десятков миллионов смертей. Ни власти, ни сторонников, ни жилья, ни денег у него теперь нет, но есть опыт восхождения со дна на вершины и твердая вера в победу национал-социализма. Неподготовленный мир принимает бывшего диктатора за гениального актера, его гневные речи взрывают интернет, и… Гитлер второй раз в жизни обретает статус суперзвезды. Чем же это обернется в наше время?

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

In the year 2011, Adolf Hitler wakes up in a vacant lot in Berlin which appears to be the location of the garden outside the bunker where he was burned, with no knowledge of anything that happened following his death in 1945. Homeless and destitute, he interprets everything he sees and experiences in 2011 from a Nazi perspective (for instance, he assumes that Turks in Germany are an indicator of Karl Dönitz having persuaded Turkey to join the Axis, and thinks that Wikipedia is named for “Wikinger”) — and although everyone recognizes him, nobody believes that he is Hitler; instead, they think he is either a comedian or a method actor. He appears on a variety television show called “Whoa, dude!,” going off-script to broadcast his views. Videos of his angry rants become hugely successful on YouTube, and he achieves modern celebrity status as a performer. Newspaper Bild tries to take him down, but is sued into praising him. He is beaten up by far-right extremists who think he is mocking the memory of Hitler, unaware that he is the genuine article. In the end, he uses his popularity to re-enter politics.

The book was priced at €19.33, a deliberate reference to Hitler’s ascent to power in that year. By March 2014 it had sold 1.4 million copies in Germany. The book has been translated into 41 languages. An English-language translation, Look Who’s Back, translated by Jamie Bulloch, was published in April 2014 by MacLehose Press. It was long-listed for the 2015 Independent Foreign Fiction Prize and the 2016 IMPAC award.
The original audiobook version is read by comedian Christoph Maria Herbst and by May 2014 had sold over 520,000 copies. Herbst had played the Hitler-based character of Alfons Hatler in the two comedy films Der Wixxer (2004) and Neues vom Wixxer (2007) before, which landed him the part of reading the audio version of the book written from the first-person POV of Hitler.
Film rights were sold, as were foreign license rights. A feature film premiered in Germany on October 8, 2015, starring Oliver Masucci as Hitler, and directed by David Wnendt (de). As a part of the movie’s promotion campaign, Masucci was made to appear as Hitler in several German cities, including the filming locations Brandenburg and Berlin, testing the public’s reactions; including at least one appearance close to an NPD rally.

In The Jewish Daily Forward, Gavriel Rosenfeld described the novel as “slapstick”, but with a “moral message.” However, while acknowledging that Vermes’s portrayal of Hitler as human rather than monster is intended to better explain Germany’s embrace of Nazism, Rosenfeld also states that the novel risks “glamorizing what it means to condemn”: readers can “laugh not merely at Hitler, but also with him.”

In Süddeutsche Zeitung, Cornelia Fiedler posited that the book’s success may be due less to its literary merits and more to the fact that its protagonist is Adolf Hitler. She stated that focusing on Hitler, “either as a comic figure or as the incarnation of evil”, risks obscuring the historical facts. Fiedler described Vermes’s assumption that readers would agree that Hitler deserved mockery as “surprisingly naive”.

In The Sydney Morning Herald, reviewer Jason Steger interviewed the book’s author, who believes that the way Hitler is seen today “is one that hasn’t too much to do with the real one”. “Most people wouldn’t think it possible that if they would have lived back then they would have thought he was in some way attractive too”, he said.

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

Em 2011, Adolfo Hitler acorda num terreno baldio em Berlim, sem saber o que aconteceu após o ano de 1945. Desabrigado e desamparado, Hitler interpreta tudo o que vê em 2011 a partir de uma perspectiva nazi (por exemplo, ele considera que a imigração turca na Alemanha é um indício de Karl Dönitz ter persuadido a Turquia para juntar-se ao Eixo, e pensa que o nome Wikipédia originou-se dos víquingues, “Wikinger”) e, apesar de toda a gente reconhecê-lo, ninguém acredita que ele é o próprio Hitler, e sim um comediante, ou um ator de método. Como resultado, os seus vídeos violentos e furioso tornam-se um enorme sucesso no YouTube, e ele alcança o estatuto de celebridade moderna como um artista. No final, ele usa sua popularidade para voltar à política.

O livro foi vendido a 19,33 euros, sendo uma referência deliberada da ascensão de Hitler ao poder naquele ano. Em março de 2014, foram vendidas 1.4 milhões de cópias na Alemanha. O romance foi listado para o Prémio Independente de Ficção Estrangeira de 2015, e para o Prémio Literário Internacional IMPAC de Dublim de 2016. O livro também foi traduzido em vinte e oito línguas. Em Portugal, o livro foi publicado pela editora Lua de Papel em 2013. No Brasil foi publicado pela editora Intrínseca em 2014. Nos países anglófonos, o livro sob o título de Look Who’s Back, foi traduzido por Jamie Bulloch, e publicado pela MacLehose Press em abril de 2014. O livro falado foi gravado pelo comediante alemão Christoph Maria Herbst, e em maio de 2014 foram vendidas 520.000 cópias.
O filme estreou na Alemanha a 8 de outubro de 2015, sendo realizado por David Wnendt, e protagonizado por Oliver Masucci como Hitler. Para promover a longa-metragem, Masucci apareceu como Hitler em várias cidades alemãs, incluindo Brandemburgo e Berlim.

Categorias: Computadores e a Internet, Computadores e Internet, Computers and Internet, Entertainment, Imagens/Images, News and politics, Notícias e política, People, Video | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Eterna discussão sobre Letras e universidade em geral


(Não vou nomear quem escreveu o quê para preservar as identidades, pois não perguntei se poderia reproduzir a discussão aqui – originalmente publicada num grupo no Facebook, por isso não vi problema em reproduzi-la aqui – sem alterar quaisquer erros gramaticais, ortográficos ou de pontuação):

Eu e minha amiga fizemos o 3o. colegial juntas e prestamos letras ao mesmo tempo. Ela entrou na Unesp e eu na Usp. Não nos falamos mais e ela me chamou esses dias dizendo estar insatisfeita com a facul.
O caso é: não sentimos vontade de ir as aulas. Para mim, a maioria é
Muito desestimulante e teórica. Trabalhos e leituras densas.
Eu trabalho desde o 1 ano da faculdade (estou no terceiro) e nunca usei NADA aprendido em sala. Tenho que estudar antes de dar
Uma aula de pretérito perfeito.
Alguém mais se sente assim?? Estou problematizando demais??
Obrigada!!!

—-

eu to bem desestimulada da letras, viu. não só pelo que você falou, mas também pela dificuldade em se formar no tempo ideal, dificuldade em conseguir as matérias que queremos. eu fiz matrícula pra seis, fui chutada de três. to trancando minha matrícula pra fazer um tempo de cursinho. estou bem decepcionada.

—-

Exatamente!!!! Sem falar no tempo mesmo….

Preciso do diploma para trabalhar e poder ganhar melhor mas em 5 ou 6 anos atrapalhar demais!!!

—-

Moça, quantos anos você tem? Vou me formar esse ano (em 5 anos, entrei em 2012) e faço 28 anos em outubro. Não sei qual o tamanho da sua pressa, mas não precisa de tanto. Dependendo de onde você quer trabalhar você já pode receber um salário legal por ser estudante da USP. O diploma em si não significa nada se não tiver habilidades pessoais e profissionais pro cargo.

Mesmo com todos os altos e baixos, nunca me arrependi de ter escolhido a USP. A gente tem liberdade pra montar a própria grade e tem contato com pessoas incríveis, tanto do português como de outras habilitações.

—-

muita gente não entende isso, mas eu preciso me formar no tempo certo, porque preciso trabalhar. não dá pra ficar encarando greve de dois em dois anos, por exemplo. não dá pra ficar pegando três matérias por semestre (semestre passado também só consegui três).

—-

Gente, acho que vocês escolheram a universidade errada. Na rede privada você termina sua faculdade rapidinho, sem muitos problemas. Pra vocês, que não gostaram da USP e da Unesp, não vai ter diferença nenhuma fazer na pública ou na privada. Vai ser a mesma m… A diferença é que lá é pá e pum pra pegar o diploma e entrar pro mercado, que é o que vocês buscam 😉 . E pra quem não pode pagar, o Sisu taí pra isso.

Agora, que tá um absurdo essa história de a gente não conseguir matricular nas disciplinas que precisamos ou queremos fazer, ah, você tem toda razão…

—-

Sei do que vc está falando. Sou formado em Letras pela USP. Parece que a maior parte das matérias que estudei lá eram relevantes apenas para a faculdade. Apesar disso, tenho uma ótima base cultural e me orgulho disso.

—-

Acho sacanagem querer mandar a pessoa pra rede privada pq ela sente a necessidade de ter seu diploma e conseguir melhorar um pouco de vida. Pera la né…
A gente pode muito bem discutir quais os objetivos da universidade sem ficar com subtexto de egoísmo e mercado de trabalho.

Sou funcionario público desde 2009. Vejo no meu diploma uma das unicas formas de melhorar de emprego e ter um salário menos indecente trabalhando na educação pública.
Eu tbm to desestimulado. Entrei ano passado trampando 8hrs/dia e tendo q estudar igual uma pessoa q não faz outra coisa. Além de professores praticamente assumirem q todos vão seguir carreira acadêmica.
Nem sei o que vou fazer daqui pra frente… esse primeiro semestre me bagunçou demais, dependendo de como rolar o segundo, nem volto ano que vem.

—-

Entendo seu rolê. Não desiste não. Passei por muitos altos e baixos por ter de trabalhar e levar a faculdade junto. Eu sei que muita gente não faz ideia dessa realidade e isso é bem frustrante, ser cobrado por não ter o que acreditam ser um perfil acadêmico etc. Eu nunca achei nem que fosse fazer mestrado e outras coisas depois. Mas eu fiz, porque gosto de estudar. Fiz sem bolsa mesmo, trabalhando e até hoje sempre me deparo com os dilemas acadêmicos da produção. Não tem artigo, não foi no congresso, não fez isso e aquilo. Paciência, tudo que eu aprendi trabalhando também não pode ser invalidado e pode ter certeza que tem muita gente que nunca precisou disso que não manja nada da vida prática. Acontece e não é exceção. O que vale mesmo é o teu interesse nisso, como vai lidando com as coisas e tudo mais.

—-

Sim, está criando muitos problemas. No mínimo, ao final do curso você terá lido mais do que na maioria dos outros cursos de qualquer faculdade, o que te dará um bom acervo mental para escrever melhor (além da prática de redação, pela grande quantidade de trabalhos entregues). Se você quer um diploma para entrar no mercado de trabalho, quer comprar esse conto do vigário que ilude tantos brasileiros, melhor seguir o conselho do colega é ir para uma faculdade privada qualquer. Se você quer uma formação de verdade, que pode te propiciar um emprego melhor (por você ser mais bem qualificada), reúna suas forças e termina letras na USP, nem que seja apenas o bacharelado em uma única habilitação. (Conselho de alguém de 37 anos, sem diploma, que teve vários bons empregos porque teve sempre boa redação e fluência em um idioma estrangeiro.)

—-

A Usp é voltada pra pesquisa e carreira acadêmica. Sempre me questiono se o bacharelado + a licenciatura com tanto crédito e estágio realmente me preparariam pra dar aulas em escola e me conformei que vou ter que estudar orações subordinadas e parnasianismo antes das aulas. Mas sinceramente hoje isso não me incomoda mais porque entendo a grade e o formado mais restrito das disciplinas, hoje eu tenho uma capacidade de reflexão e crítica bem maior. E coisas como teorias literárias, análise de discurso, fonética que parecem ser extremamente específicas e inúteis mas que me ajudam na leitura e escrita de textos, na construção e pronúncia de textos em outro idioma, coisas que a Wikipedia e a apostila da escola não vão te esclarecer. Sem contar toda a movimentação política dentro de uma universidade pública que queira ou não, concorde ou não, é importante pra sua formação como professora e como cidadã política. Talvez seja bom você pesquisar optativas que te interessem mais, inclusive na Educação. O Paulo Segundo costuma reservar uma parte do curso voltada pra sala de aula e isso é ótimo, acho que é o que mais faz falta na Letras. Em todo caso, estar insatisfeito com a faculdade e a carreira é absolutamente normal e mesmo que você mude de rumo as chances de isso acontecer novamente são grandes. Tente aproveitar ao máximo antes de se entregar.

—-

Trabalhei durante a minha graduação inteira (em Letras, formei em 2012), fiz o mestrado trabalhando e faço o doutorado trabalhando também. E quando eu falo trabalhando é rotina hard mesmo, porque as contas precisam ser pagas. Bom, eu não uso tudo o que eu aprendi nas sei lá quantas disciplinas que eu fiz. Mas eu gostei de estudar quase tudo que estudei e considero cada uma dessas coisas fundamental. Acho muito complicada a visão de alguns professores que não entendem a realidade e a necessidade das pessoas que precisam trabalhar pra se manter no curso, etc. Isso desanima mesmo e é frustrante. Agora assim, se você entrou na Letras apenas buscando ter um diploma ou se instrumentalizar super para ter uma carreira e tals, vale a pena refletir se está fazendo isso no lugar certo. Eu não sei com o que você trabalha, mas aprender, na minha opinião, nunca é demais. De repente se você acredita numa formação mais “direto e reto” vale repensar se é esse curso mesmo que quer fazer, ou nessa faculdade, nos moldes em que é apresentado. Pra mim o maior ensinamento da Letras foi me fazer aprender a refletir, a criticar, a ter posicionamento. E na minha visão de mundo isso é fundamental em qualquer coisa que eu vá fazer dentro e fora da Academia.

—-

O curso de letras na USP me ajudou a ter uma visão mais crítica e aumentou minha bagagem cultural, mas é verdade que faz falta ter umas aulas mais práticas. Meu conselho: compre boas gramáticas e estude em casa e nem pense em desistir da USP. Dou aula em um cursinho que só contrata aluno cujo diploma tenha as três letrinhas. Seja pela densidade do curso, seja pelo prestígio no mercado de trabalho, vale muito a pena estudar na USP, apesar dos problemas.

—-

Existe um relato de professor de 1920, na Faculdade de Educação, em que ela – a professorinha – reclama que as aulas não a prepararam para a sala de aula! Bom, leia seus amigos daqui… eles souberam aproveitar o que a FFLCH tem de bom… uma formação intelectual sólida, para quem não tem medo. Depois é só colocar em movimento, dialogando com a realidade da sala de aula. Estudei e fui professora… trabalhando hard como disso muito bem alguém aqui… e isso significa pensar todo dia, como conhecer o aluno, a instituição de ensino, articular a grade com o que realmente vale a pena e gostar de fazer isso… isso é ser profissional nesta nossa profissão/professor!

—-

Escrotissimo mandar a menina pra rede privada por ter críticas à universidade. Mesmo argumento infantil de ‘os incomodados que se retirem’. Bora sair dessa bolha? Mesmo para seguir carreira acadêmica é necessário trabalhar por fora, porque pra se manter, pagar aluguel e sobreviver só de bolsa é muito difícil.A realidade é que a USP não é para quem trabalha e parte dos docentes não tem empatia. Já escutei de professor que não era problema dele se eu trabalhava muito e tinha que sair mais cedo da aula. A gente rala 7 anos estudando e trabalhando pra ouvir pra ir pra particular? Do que adianta discutir o quanto a universidade é elitista e excludente se vamos continuar lendo esses mesmos discursos?

—-

Concordo! Mas acho que não podemos invalidar a rede privada e apresentar isso como se fosse apenas uma opção cagada. No sentido que falo disso, não tem a ver com “os incomodados que se retirem”. É muito importante criticar o curso. Mas cito por exemplo o caso de amigas que entraram na Letras, mas queriam fazer tradução. Essa é uma das saídas do curso, mas sabemos que não é o foco na USP. Essas amigas saíram, foram para particulares e estão realizadas. Só estou pontuando isso porque esse podia ser o conflito da moça. Não tem nada de errado a pessoa procurar a formação que acha que será melhor pra ela. Também vai do que queremos, o exemplo que dei foi o da minha experiência, mas isso não me faz melhor do que ninguém 😉

—-

Estou no segundo ano da letras, tinha começado outro curso em uma particular muito boa pelo ProUni e saí porque meu sonho era entrar na usp, tanto pela bagagem intelectual quanto por ter mais chances de conseguir um emprego bom (sim, isso existe. É diferente você ter USP no seu currículo e ter qualquer outra particular por melhor que seja), agora eu faço estágio numa escola e tenho esse mesmo sentimento de não aprender nada na faculdade que seja aplicável no estágio, sendo que o grande diferencial que fez com que eu fosse escolhida no estágio era o USP estampado no currículo. Eu reconheço que esse não é o foco da USP, mas não é fácil você perceber isso é falar “ok, depois de ter feito cursinho pra entrar na faculdade, conseguido realizar esse sonho com bastante esforço, eu vou largar e ir pra uma particular, mesmo não podendo pagar e o governo tendo dificuldade o acesso ao ProUni”. É um misto de frustração profissional com realização intelectual (risos) mas pra quem precisa trabalhar essa realização apenas não basta.

—-

Eu estou desistimulada da letras desde meu segundo ano, quando escolhi uma habilitação que não vai me dar outra oportunidade de emprego fácil a não ser lecionar – pra ganhar 15 reais a hora/aula, se der 300 pau no mês é muito, e eu não me sustento com isso.
Entendo que as greves são necessárias, mas elas me broxaram demais, foi inevitável para mim pensar que se eu tivesse condições de fazer uma particular, já estaria formada.
“Então você só quer a faculdade por causa do diploma?” Também, e qual o problema? É crime? Fora que, vamos combinar, as greves prejudicaram sim meu aprendizado. Muito conteúdo foi perdido e não foi reposto. Se o aluno não tem tempo de correr atrás disso por si só, já era, e muita gente não tem tempo de correr, depende muito da sala de aula mesmo.
Acho bem ofensivo e problemático falar que a universidade pública não é para essas pessoas. É pra quem então?

—-

eu também sou da parte dos estudantes trabalhadores e desde o meu primeiro ano na USP, entrei em 2011, tive que correr atrás de tudo. Fui estudante de escola pública e percebi desde os primeiros meses de aula o quanto eu iria ter que ralar pra acompanhar as aulas visto que muita coisa era tratada como se todos já soubessem completamente sobre o que estava sendo falado. Greve eu vi muitas muitas mesmo acho que durante minha graduação só não teve greve em 2013 e em 2015, e se elas me prejudicaram? Com certeza mas sempre compreendi que havia um motivo por trás delas por mais desarticuladas que elas fossem e motivos reais. Estudei e trabalhei até ano passado juntando grana pra poder fazer o último ano sem trabalhar mas já tô vendo que não vai ser meu último ano Pq infelizmente a faculdade não tem professor o suficiente para oferecer o número de turmas e materiais ideal para atender a todos os seus alunos.
Verdade que muita coisa que estudamos aí não é usado em uma carreira docente mas a carga cultural que carregamos quando saímos formados tenho certeza que fará diferença.

Não é um lugar perfeito mas ainda é uma faculdade que vale muito a pena ser cursada até o fim mesmo com toda a desestimulação que temos que percorrer até a conclusão.

—-

Um novo público passou a entrar na USP porém ela continua tendo o mesmo modelo de sempre… e nós os prejudicados é que acabamos tendo que pagar o preço e “correr atrás do prejuízo”

—-

A USP não vai te ensinar pretérito perfeito para vc dar suas aulas. Isso vc já deveria saber antes de entrar na faculdade. Cursos bons de Letras não ensinam gramática e nem como dar aula. A USP, como todas as públicas, forma pesquisadores, por isso que a carga de leitura é grande.

—-

Carga de leitura é pra playboy q não precisa trabalhar. Essa é a real.
Tanto q a maioria das pessoas tem q escolher quais txts ler.

—-

Isso é verdade. Nunca li 100% da bibliografia de um curso Pq tinha que trabalhar

—-

o que vc vai usar mesmo mesmo do q aprender na licenciatura e eu acho que, se vc gosta da área, vai amar!

—-

Realmente para quem vai pra docência só começa a ver sentido no curso quando abre a licenciatura. Na faculdade de educação vi que boa parte do que estava aprendendo na letras poderia vir a meios de ser utilizado em sala de aula… apesar de ter levado quase um semestre pra da conta da carga horária dos estágios das matérias que peguei até agora

—-

Licenciatura. Ai q ta outro problema. Outra forma de elitizar o curso. Como vc consegue fazer as horas de estagio obrigatório NÃO REMUNERADO? Larga o emprego? Como se alimenta se fizer isso?
Faz esquema? Conversa com diretor de escola e só finge q fez?

Falar q é mais difícil sair da usp do que entrar deixou de ser piada.

—-

Desisti da Licenciatura por não conseguir arcar com os estágios. Vou fazer pedagogia EAD na Anhanguera porque “a USP não é pra mim”, olha só

—-

Falando nisso, leia um artigo num livro de nome Davi e Golias, por Malcolm Gladwell, no qual ele diz que a experiência numa faculdade de elite pode ser desagradável. Esse livro é excelente, por sinal. E é recente.

—-

O diploma da USP e o conhecimento adquirido lá abrem muitas portas.
Enquanto tem uma galera se matando pra pagar cursinho preparatório pra conseguir passar em concurso na Educação, os uspianos passam nos primeiros lugares sem precisar estudar.

Quanto à carga de leitura ser pra playboy, discordo.
Eu trabalhava, morava do outro lado da cidade e lia de boa. Nunca fui rica rsrsrs. Ė óbvio que não há como ler tudo. Nem quem tem o dia todo disponível só pra estudar consegue ler tudo o que os profs indicam.
Se vc ler os principais, já estará em vantagem se comparado com as faculdades fast food.

—-

Uspiano passa em concurso público sem estudar… mas q arrogância nessa afirmação. Então cade os uspianos nas escolas públicas? Ah é… elite não quer esse tipo de trabalho.

As faculdades fast food são a única alternativa pra galera como eu, da periferia. Não desmereço quem faz não…

—-

Tem muito uspiano na rede municipal de ensino, viu. Trabalho com muitos!
E não é questão de desmerecer. Ė a realidade.
Fiz USP morando na periferia, do lado de uma comunidade e dou aulas para alunos de baixa renda.

—-

O mais triste é ver gente de fora falando coisas do tipo “você desmerece a oportunidade que teve”. Gente, não. Eu sou realista, é diferente. Todo semestre é um parto pra conseguir fazer matrícula nas matérias. A carga de leitura é tão grande que ou você não faz mais nada da vida, ou seleciona o que vai ler.
Cada vez mais vejo a USP como um lugar para quem tem condições de ser sustentando pelos pais, não pra quem tem que se sustentar por si só/sustentar família. Não é porque não é a minha realidade que eu não penso nisso.

—-

Sim concordo! Se eu tivesse ganhado uma moeda por cada vez que ouvi esse papo de desmerecer oportunidade teria parado de trabalhar um pouco antes Pq teria uma boa grana… tem muita gente que não sabe os perrengues que passamos na universidade e acha que pode dar pitaco

—-

Me formei na Letras e sou apaixonada! Faria tudo de novo, só que no Russo! Haha
É bem fácil criticar, mas quem quer de verdade corre atrás! Trabalhei os 5 anos da graduação, no estilo CLT, as vezes chegando atrasada ou sem tempo pra comer. Não consegui ler tudo que pediram, mas hoje formada compro os livros indicados e já sei como ler e ter pensamento crítico!
E gente! Professor não é o único caminho…. Se for um sonho! Blz… Mas eu trabalhei 4 anos no mercado editorial e hoje sou secretaria bilíngue! O senso crítico e formação de opinião me ajudam muito no mundo corporativo, acreditem!
Se não gostam, a questão é avaliar o que vc realmente está procurando, mas que o curso de Letras na USP me fez uma pessoinha bem feliz, com altos r baixos, greves e profs mal humorados, fez sim!!! ☺️😍

—-

“Quem quer de verdade corre atrás”

Puxa como eu nunca pensei nisso!!!

Parece até que quem está criticando a usp é preguiçoso

—-

Eu leio os comentários e penso: “dei muita sorte na vida!”
Moro além do extremo leste da capital, acordava às 4h da manhã para pegar o trem da linha 11 da cptm às 5h, pontualmente, porque se pegava o das 5h10 eu chegava atrasado na aula (sou do tempo em que a Linha Amarela do metrô era um sonho pontilhado no mapa metroviário da capital). Em pé, com sono e no trem lotado, consegui ler todos os textos exigidos, fazer IC e diversas traduções para as aulas de literatura armênia. E ainda precisei me organizar para fazer os estágios obrigatórios da licenciatura – curso que não me ensinou a lecionar, aliás.
Cheguei na sala de aula com conteúdo gramatical de Ensino Médio, sim. Mas eu aprendi a pensar a língua e aquela decoreba toda que o Celso Cunha descreve na sua gramática ficou tão natural, que eu compreendi que as aulas de morfologia, sintaxe, fonética e fonologia, filologia, e bla bla bla foram muito mais úteis do que as aulas de Gramática do Português que diversos amigos meus oriundos de outras universidades tiveram.
Eu não sei a situação financeira de ninguém aqui, mas quando comecei a trabalhar, minhas aulas valiam para o meu empregador R$15 h/aula e eu consegui, trabalhando 4 tardes por semana, um salário de quase R$1500. Não é muito, mas não dá pra chorar tanto.
Esse meu falatório todo é para falar que durante a graduação, parece que não faz sentido estudar tudo o que estudamos, mas no final da jornada, as coisas ficam mais claras e começamos a entender os motivos de tantos textos para ler, de tanto sacrifício.
A cada período de matrícula eu pensava em desistir, porque na UniX nãp tem greve, tem vaga pra todo mundo, um currículo engessado. Hoje estudo Filosofia numa faculdade assim (quero ser padre e sou obrigado a estudar no lugar onde mandarem) e sinto muita falta desta preocupação dos professores da FFLCH em formarem pensadores e não meros vomitadores de gramática por aí.

—-

Concordo contigo!
O pessoal acha que tem que ser tudo mastigado…

—-

quanto à situação financeira: o que anda me desmotivando e me fazendo querer jogar a toalha (estou por um triz…) e mudar de carreira totalmente, é que justamente, quando comecei a trabalhar estava com 18-19 anos, não tinha um diploma de graduação, muito menos mestrado ou doutorado, nem experiência profissional, nem vivência, nada. Ganhava 10 reais por hora, mas dali a um ano estava ganhando 35. Agora, depois de todos e tantos perrengues (não querendo diminuir os problemas e sacrifícios da graduação, mas mestrado e doutorado é ooooutra coisa…), fiquei desempregada 6 meses, ninguém me chamava sequer para entrevista…quando consegui emprego, foi por 24 merrecas por hora. E fui demitida depois de 6 meses. Agora tenho emprego por mais seis meses, ganhando um salário menor ainda, e depois disso, só Deus sabe…é muito frustrante, sabe??

não tem que ser mastigado, mas precisa ser tão sofrido?? Estou formada há 13 anos, e não vejo pessoas de outras profissões numa situação tão ruim.

—-

Não é não!
Criticar é sempre bom! Mas acho que devemos avaliar o quanto isso realmente é “difícil”

—-

Prática mesmo só vai ser adquirida trabalhando em sala de aula mesmo !!! Temos que estar em constante formação e nunca paramos de estudar !!! Nossa profissão exige isso em qualquer época que seja. …. Não existe uma receita pronta para dar aula. …. Amo minha formação e a faculdade que a propiciou ….. desânimo ao longo do curso sempre vai existir mas não desista pois sua visão cultural e social serão solidamente formadas. …. só lamento o mestrado ser somente à tarde. …. Mas vamos lá !!!!

—-

E se posso acrescentar mais uma coisa, digo que a bagagem cultural que a FFLCH nos oferece é algo único e faz diferença na vida inteira.
Vale a pena pensar na USP além dos problemas e buscar motivações a partir de um olhar de mundo mais amplo.

—-

Quanto comentário elitista e excludente, meu deus! Depois falam da reitoria, dos professores… Vcs desenvolveram tanto o pensamento critico, mas não conseguem fazer uma reflexão sobre uma relação social de causa e consequencia. *aplausos*

—-

Como que vocês falam de mal poder dormir e comer pra ler os textos da faculdade e trabalhar e acham isso normal???

—-

São só 5 anos! Todo mundo passa por isso, facul pública ou privada, exatas ou humanas! Vc supera…. 😛

—-

Ceis tem noção que mais um passinho e isso vira discurso meritocrático? Vc não se esforçou o suficiente, etc?

—-

Ceis tem noção que a USP é o que é porque ainda não virou uma mera fornecedora de diplomas???

—-

e o que a USP “é”?
Um antro de onanismo intelectual.

—-

Pra muita gente não é!

—-

Acho que deveria ter um curso só de licenciatura. E continuar com o curso bacharelado + licenciatura opcional.

—-

Uma coisa que me deu forças de não largar a faculdade foi a quantidade de autores e obras que conheci que não seria possível se não fosse pela faculdade enfiando goela abaixo. Acho válida a tentativa de tentar encontrar algo que ainda te deixa satisfeita lá dentro da faculdade, o que te faz ir até lá e sentar na cadeira. As obras que você conheceu? Os livros que leu obrigada mas depois pensando melhor acabou gostando? As discussões em sala de aula, a possibilidade de dar aula um dia? Se de fato, não houver nada que te faça querer terminar a graduação, talvez seja melhor pensar em outra instituição para estudar letras ou até mesmo uma mudança de curso mesmo.

—-

Uma coisa que eu vi esses dias foi bem legal! Não julgue a minha realidade por meio da sua. Pra mim foi difícil, cansativo, às vezes desmotivador, não li tudo que me pediram, as greves eram bem broxantes, mas eu não achei nada impossível! Amei o curso, faria de novo, quem precisar de dicas de como sobrevivi me manda inbox. Tudo é questão de entender a dificuldade e pensar em soluções! Posso dar algumas pra quem quiser….

—-

Não é normal se privar de comida, descanso e diversão por conta de estudo ou trabalho. Não-é-normal.

—-

Sou suspeita para falar da letras porque estou cursando pela segunda vez. Acho o currículo apaixonante, acho uma pena não ser possível assistir todas as aulas incríveis que são oferecidas. Claro que é preciso pensar em um modo de atender necessidades mais urgentes (um curso só de licenciatura seria uma ótima ideia), mas não dá para jogar fora tudo que é oferecido como se fosse inútil porque não é.

—-

cêis tão ligado q esse curso de “licenciatura” somente, é o que mais existe nas tais “uni esquinas” que tanto criticam, né?

—-

Eu devo tá muito louca da cabeça porque não consigo engolir a idéia de ser normal quase não ter tempo de COMER pra estudar.

—-

Tô e não me importo. Eu tenho o perfil acadêmico e percebo que esse curso, como é hoje, é pensando em gente como eu e, até por isso, defendo sua preservação. Isso não me impede de ter empatia com quem não tem o mesmo perfil que eu e precisa trabalhar, gosta de dar aula e precisa de algo ali mais próximo do que é exigido para trabalhar.

—-

Se vocês não comerem/dormirem cês tão ligados que vocês morrem, né? Sei lá, achei que cabia dar um toque.

—-

Foram dia difíceis! Mas não são todos os dias! Eu me formei e não morri!! To te dizendo, vc consegue!! 😜

—-

acho que é a questão não é ter ou não perfil acadêmico. A minha maior crítica é ao fato de que muita gente tem, sim, perfil acadêmico e não consegue levar adiante seu sonho porque a USP é cruel com quem não pode ficar sem trabalhar. Acho maravilhoso que tenhamos um curso voltado à pesquisa, acho que nosso currículo é excelente em muitos aspectos, mas falar que a USP tem problemas de acesso e elitização não é pedir a abolição do curso. É para que outras pessoas que, como você, amam a faculdade, mas não podem se formar da maneira como gostariam, porque um docente não tem empatia, porque trabalham 10hs por dia, porque os horários da licenciatura favorecem aqueles que podem ficar sem trabalhar, etc. Concordo que um curso só de licenciatura acabaria com o drama de “eita, não era isso que eu queria”, mas o principal, a meu ver, é facilitar o acesso à licenciatura dos alunos que, como eu, já estão matriculadas e não conseguem cursar por conta dos horários. Eu amo a FFLCH, mas diferente de todas essas histórias de sucesso que estou lendo aqui hoje, eu sou aquela pessoa que não conseguiu fazer, não fez intercâmbio, não fez todas as leituras obrigatórias, bombou semestres por causa de faltas e vira mexe um professor fechava a porta na minha cara. Quando eu digo que a USP não é para quem trabalha, é porque tem gente que gostaria de ter essa história de mérito e sucesso, mas não tem por conta de x fatores externos.

—-

também sou trabalhadora, acordo às 4 da manhã e durmo às 11h30 depois de chegar do trabalho. Na primeira graduação, cheguei a estudar de manhã, de noite e trabalhar de tarde. Também tive e tenho problemas com professores. Mas a questão do meu comentário não é essa: eu escrevi em resposta ao comentário do Marcus. É uma ótima ideia flexibilizar os horários da licenciatura, na verdade. Só acho que é preciso pensar que os perfis são diversos e todos precisam ser atendidos.

—-

Entendo o que você quer dizer, mas creio que a questão seja mesmo de equívoco. O curso de Letras está mesmo bem longe de ser um curso de carreira, mas é um curso de formação. Nesse sentido não decepciona, pois mesmo todas essas intempéries acabam contribuindo para isso.
Parabenizo a você pela sinceridade, coisa cada vez mais rara, por aqui e em qualquer lugar 😋

—-

é preciso muito cuidado com essa ideia de transformar a Letras num curso mais utilitário, ainda que sob o belo ideal “deselitizar” o curso. é o primeiro passo pra fechar uma série de habilitações “inúteis” e no fim das contas o próprio curso. acho maravilhoso que tenhamos ao menos um curso de letras que não preste a formar secretarias bilíngues e tradutores/intérpretes, embora ninguém aqui seja impedido de o ser.
fato é que arte, erudição e intelectualidade não podem e devem estar a serviço do mercado.
não dá pra escolher um curso de erudição e esperar que o mercado te recompense por isso… muito menos adaptar o curso as exigências do Deus mercado, inclusive na velocidade (pra isso já existem todas as outras).
Letras-USP é uma escolha intelectual, e bastante acessível (ainda bem!)… mas esperar viver dignamente com isso já é uma outra questão.
claro que isso não está certo… mas o problema não está na nossa (longa) formação mas no que a nossa sociedade valoriza e recompensa.

—-

Exato! Existem excelentes cursos de Letras, inclusive nas Universidades Federais e não apenas nas particulares, que oferecem uma formação mais voltada ao trabalho. Talvez de fato a moça do post tenha se enganado de universidade… Pra mim, a formação para o trabalho veio com os estágios na extensão universitária, que são preciosos, mas a própria instituição – sem contar alguns alunos, que mal conhecem o que é feito na extensão universitária, mas se dão o direito de criticar tudo – desvaloriza demais o contato com o público externo e os saberes produzidos nas atividades de extensão.

No entanto, são poucos os cursos de Letras que tenham tão grande vocação acadêmica quanto o da USP. É um curso à moda antiga, carga horária carregada, muita bibliografia, disciplinas sobre tudo e mais um pouco que você quiser conhecer na área de Letras. É um curso pesado, mesmo, mas estive em muitas universidades, não apenas brasileiras, e não encontrei formações generalistas em que se lesse tanto. E é preciso ler!!!! É preciso valorizar as boas aulas, a cultura acadêmica, o pensamento e o fazer científico, porque é isso o que uma universidade deveria se propor a oferecer a seus estudantes.

Também precisei trabalhar durante toda a minha graduação. Entrei em 2002 e meu diploma de graduação só saiu em 2009, porque tive semestres em que eu nem podia pegar mais de 3 ou 4 disciplinas, porque não daria conta e eu queria cursá-las bem. Não deixa de ser uma ótima solução pro problema de precisar trabalhar, sem que por isso você tenha que neglicenciar a sua formação.

—-

É que tem gente que faz o curso pra pagar as contas e não por hobby.

—-

curso errado 😦

—-

Tendeu, cê ta errada. Ou você trabalha ou faz o curso que gosta…

let’s talk about ELITISMO?

—-

https://www.nexojornal.com.br/grafico/2016/07/20/Qual-a-renda-média-das-profissões-ao-longo-dos-anos

vejam os gráficos, meus caros. Nunca ganharemos como um médico. É realismo, não elitismo.

—-

O meu comentário sobre faculdades fast food se refere às que oferecem cursos de licenciatura e bacharelado em 2 ou 3 anos. Dá pra ter uma boa formação em 2 anos? Será que dá pra encarar uma sala de aula?
Conheci uma graduanda de Letras de uma dessas que formam em 2 anos e ela não sabia a diferença entre dissertação e narração. Saiu com o diploma. Arrumou emprego? Não! Passou em concurso? Não!
As particulares que possuem uma grade séria são bem diferentes.

—-

Dahora ver a galera falar q Letras não é pra ganhar dinheiro, não é pra se importar com o mercado de trabalho…

porra, queria eu não precisar me importar com mercado de trabalho e dinheiro… poderia fazer meu curso bem suavão…

—-

falar que na Letras não se ganha dinheiro não quer dizer que não temos que pagar as contas. Acredite em mim, é a maior frustração de quem fez qualquer curso da FFLCH, basicamente. Não somos remunerados de modo justo, fato. Dá pra mudar esse fato? Daria, se cada um não tivesse seus frilas e alunos particulares e se unisse pra conseguir coisas melhores para a categoria.

me dá o endereço de onde devo procurar emprego, tô louca pra começar a ganhar dinheiro finalmente, depois de estar formada há 13 anos!

—-

St. Paul. Elrs tem até a tabela de salários no Google . Se vc quiser ganhar um pouco menos: Dante, santo Américo, Lourenço castanho, santa Maria, Humboldt.

—-

é? E o que eles exigem em contrapartida, sua alma?

—-

Deixa eu entender, vc quer um trabalho suave mas que pague bem? Obviamente vc não tem nenhum médico que trabalhe em hospital ou advogado que trabalhe em escritório na sua família. A única coisa assim é concurso público. Mas vc pode prestar mesmo sendo da letras, é só estudar.

—-

não falei que quero trabalho suave – quero um trabalho onde eu tenha autonomia, e não seja obrigada a obedecer ordens de pessoas questionáveis – do tipo “dê nota para o aluno, pois ele não é aluno, é cliente” ou “faça o que o cliente quer, porque você estudou anos e anos a fio mas não interessa, sua opinião é irrelevante aqui”.

sim, no final das contas, nossa triste realidade é concurso público mesmo.

—-

Eu acho que isso é um tanto utópico, mas boa sorte.

—-

“Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!” – Mario Quintana

—-

Que post bizarro, meritocrático e elitista. Sejem menas, a USP tá capenga, a letras não tem professores e nem aulas suficientes pro tanto de alunos. Este semestre tentei pegar 12 matérias pra ver se me formo logo e consegui -> seis <- ps: algumas delas obrigatórias. Greve é uma bosta mesmo mas não vejo como não fazê-las na situação atual. Não sei em que mundo vocês vivem que a USP é essa maravilha incrível do aprendizado pq eu nem aula consigo ter……

—-

“faculdades fast food” rs mano ces gosta de passar vergonha

—-

É fast food mesmo!
Quem passa vergonha é quem não gosta de estudar!

—-

No seu mundinho conto de fadas meritocrático sim.

—-

não confunda alhos com bugalhos – te desafio a assistir UMA SEMANA de aulas ininterruptamente numa faculdade que forma profissionais de Letras em dois anos. Vamos lá?! Eu já fui. É intragável. É vergonhoso. Favor não defender o indefensável, achando que com isso você está defendendo os mais fracos – neste caso, pessoas que não têm tempo nem dinheiro e precisam de um diploma universitário. Ao defender as faculdades aqui chamadas pejorativamente de “fast food”, você está é defendendo a péssima qualidade de ensino, o lucro a todo custo, os tubarões da educação (grupo Kroton e Laureate e afins).

—-

Péssima qualidade de ensino tá ali na nossa universidade msm, não precisa nem ir mto longe

—-

quem idealiza a USP é aluno primeiranista, e olhe lá! USP não é Hogwarts 😉 kkkk Gente ruim tem em todo lugar – mas também gente boa. Já disse: vá assistir aulas em outros lugares para ver que o que você achava que era ruim e não dava pra ficar pior, dá sim…e fica!

—-

Não tô defendendo ~~faculdades fast food~~, to dizendo que é mto elitista você achar que a USP ta no topo do mundo e falar de outras faculdades de maneiras pejorativas, pq todo mundo sabe mto bem oq é isso: gente que se acha maior do que quem não tem dinheiro pra pagar uma boa escola, um bom cursinho e uma boa faculdade

—-

não vi pessoas dizendo que a USP tá no topo do mundo – aliás, todos sabemos que está em centésimo-e-lá-vai-pedrada no mundo segundo as pesquisas mais recentes. Dizer que existem faculdades extremamente meia-boca é um fato (extremamente cruel e indesejável, porém verdadeiro), não é elitismo, e nos referirmos a elas de maneira pejorativa não é proibido e nem ilegal, é??

—-

Ilegal não, extremamente elitista sim. E se você não viu pessoas colocando a USP no pedestal sugiro que leia de novo

—-

Seria perfeito ne se todo mundo pudesse fazer um curso de qualidade e gratuito, mas nem todo mundo pode e com a sucatezacao do ensino superior público daqui há pouco esse ensino de qualidade não vai nem mais existir no br

—-

sim, sem dúvida! E as greves, que todo mundo tanto xinga, é justamente pra tentar barrar esse processo de sucateamento, e pra defender nossa faculdade – que, apesar dos pesares, apesar de todos os inúmeros defeitos, ainda é o que tem pra hoje, ainda é a melhor alternativa considerando-se o que tem no ensino privado.

—-

Leitura de muitos comentários é: USP não é lugar pra pobre querer melhorar de vida, é o lugar onde a classe média e burguesia vão pra ampliar sua “cultura” e “intelectualidade”…

—-

Eu vejo esses tópicos e penso:tá aí a razão pela qual fiz 5 amigos na graduação!

—-

Acho que muito tem a ver com o fato de sermos a geração Y, geração microondas, Google. Tudo pronto, mastigado, em 5 minutos. Confundem esforço e dedicação com meritocracia.
Detesto meritocracia, mas dormir até um pouco mais tarde por causa de um texto não mata não galera. O médico, advogado e engenheiro tabm fazem isso, além de ter que estudar por conta em várias ocasiões

—-

o que vejo na maioria dos alunos é que têm tempo para WhatsApp, Facebook e maratonas de séries, ira pra balada, ficam ser dormir e sem comer direito – sem fazer mais nada, na verdade! – por conta destas e outras coisas, mas aaahhh, tempo pra ler um texto de 30 páginas não tem, é “grande demais esse texto, profiiiii, resume pra gente!!!” 😉 Tudo nesta vida é questão de prioridade.

não estou dizendo pra abandonar vida social totalmente, mas é que aluno é ótimo pra achar desculpinha esfarrapada e não querer levantar um dedo pra fazer nada…acham que estão fazendo um favor pro professor pelo mero fato de ficarem com o bumbum sentadinho na carteira durante xis horas, e que em contrapartida o professor deve simplesmente assinar seu diploma de bandeja, sem cobrar nada. Mas lembremos: diploma não é um mero pedaço de papel, ele significa horas de estudo, curiosidade, frustração (sim, infelizmente!), debate e dedicação.

—-

Gente, eu penso que a questão é:

Pra que(m) a USP é pensada?

De fato, não é pra massa das pessoas, muito menos trabalhadores. Todo mundo que deu relato aí de trabalhar durante o curso teve que suar a camisa pra dar conta de tudo.

Além disso, o currículo não prepara mesmo pra prática de sala de aula ou qualquer outra. O curso é feito pra não falar nada sobre o nosso mundo real, gente, feito pra manter a gente na alienação do trabalho.

E daí eu pergunto: então o que a gente tem que fazer? E a primeira coisa, eu acho, é compreender que nada é impossível de mudar. A USP nem sempre foi como é e pode vir a ser diferente. A falta de professores e matérias, o número baixíssimo de bolsas pra gente conseguir estudar sem trabalhar etc, tudo isso faz parte de um projeto de privatização da USP e de transformá-la pouco a pouco num espaço ainda mais elitizado e pra ainda menos pessoas.

E daí eu dialogo respeitosamente com o pessoal que criticou as greves e tudo, porque eu acho que é só com fortes movimentos políticos que a USP pode sofrer mudanças drásticas. Por que a gente não debate nosso currículo? Por que não tem bolsa pra todo mundo? Por que falta matéria, professor, sala de aula decente? Tudo isso é parte do projeto político do Zago e do Alckmin, processo neoliberal de desmonte da universidade.

Só com uma pressão firme, política, em cima da universidade é que a gente vai ter condições de ser ouvido, e daí poder opinar sobre como fazer uma Universidade que atenda às nossas demandas reais: diploma, formação decente, matérias interessantes e úteis, espaço de gestão democrática etc.

—-

se a pessoa diz que não dá pra esperar grana com o curso é chamada de elitista.

mas quem quer comprar um carro e ter uma varanda gourmet tá querendo “deselitizar” o curso… dar melhores condições pra pessoa “melhorar de vida”.

hahahahahah
me poupem! elitismo pra quem?

—-

Tá aí estampado em alguns comentários o quanto a USP é elitista e meritocrática.
O curso de Letras é completamente voltado pra pesquisa, ou seja, não pertence à realidade da maioria de seus alunos. É um mundo paralelo sim, e cabe à nós questioná-lo sim! Nossa realidade não permite que nos dediquemos à pesquisa, apenas isso.
Aí vem gente dizer pra irmos pra faculdade privada já que só queremos diploma. Eu adoraria usar o meu tempo para me dedicar ao curso, refletir sobre diversas teorias e ler todos os textos densos que temos para ler. Mas na realidade, mal temos
tempo nem pra tirar xerox deles, quanto mais lê-los. O pior de tudo é ver que quem vem com esse discurso dos “incomodados que se mudem”, é o mesmo que tá lá no ME gritando que a faculdade é elitista e excludente. Ué
Ahhh, vc que consegue trabalhar estudar não comer e não dormir, parabéns pelo mérito alcançado.

—-

você com esse comentário tá parecendo o Alckmin, dizendo que pesquisa é inútil, desnecessária e totalmente desconectada da realidade. Desconectado da realidade é quem fala uma barbaridade dessas!!! Se a universidade pública não fizer pesquisa, quem vai???

—-

Acho que me expressei mal, desculpa

Vou até ver de novo o q escrevi, pq se vc entendeu assim, outros tb vão entender

É muito pelo contrário, mesmo

Acho pesquisa MEGA necessário, mas isso não me pertence, pq eu não tenho como me manter me dedicando à pesquisa. Preciso trabalhar, pagar contas, sustentar a casa. E faço a faculdade aos trancos e barrancos, infelizmente. É esse o ponto.

—-

ufa 🙂

de toda forma, estamos todos no mesmo barco, e tem coisas que são assim mesmo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Claro que numa sociedade ideal todos deveriam ter acesso ao ensino público, e de qualidade, e todos leriam todos os textos necessários a uma formação humanista e intelectual sólida, com debates frutíferos, pesquisa, e também ganhando dinheiro a rodo e tendo tempo para descansar, se divertir, comer refeições apropriadas com todo o tempo do mundo, não ter que se deslocar numa cidade caótica e passar horas dentro de transporte capenga, etc. etc. Mas o ideal não existe. Por enquanto pelo menos…então a gente tem que tentar soluções. Individuais ou coletivas. Ou ambas.

—-

Não é só a USP que exige que você se desdobre em 4 pra conseguir se formar. Minha irmã fez EaD e era um sacrifício conciliar trabalho, estudo e família. Virar noite estudando é típico de qualquer universitário. Tem umas reclamações aqui que mais parecem bolha uspiana, até porque aqui a gente ainda tem uma gama enorme de disciplinas pra montar uma grade mais tranquila e tem um bom tempo pra se formar sem pagar um centavo por isso. A problematização das “uniesquinas” deveria ser feita exatamente no sentido do utilitarismo, dos caras que comandam e tão interessados em dinheiro e não em formação. Até parece que os estudantes de universidades particulares preferem pagar uma UNIP do que *sofrer* com a carga de leitura da USP, como se não fosse preciso ler e escrever trabalhos por lá também. Só que as públicas ainda te dão certas regalias, bandejão, circular, auxílios, bolsas, cultura e extensão, oportunidades muito além de um diploma de uma universidade *renomada*. A maioria dos universitários de classes baixas tão em universidades particulares via financiamento ou trabalhando CLT pra pagar (e a barreira geográfica ainda me parece ser maior do que o próprio vestibular) e eles também tão lendo no busão, aproveitando o horário de almoço pra ir no banco, perdendo sábados pra escrever o TCC, etc.

—-

Fiquei de cara em ver que tem gente aqui dizendo que conseguiu formar um pensamento crítico por causa da USP mas acha a coisa mais normal do mundo não ter tempo pra comer e dormir por conta do trabalho e da faculdade. Onde tá seu pensamento crítico que não enxerga que isso tá MUITO errado?
Assustador ver alguém vivendo dessa forma e achando normal. Somos uma sociedade de doentes por conta dessa rotina retardada, em que não temos tempo pra simplesmente viver, porque né, viver pra trabalhar e estudar não é viver, é sobreviver, não temos escolha. Ou a gente faz isso ou só arruma subemprego ou não come.
E oh, quando eu falo doente, é porque as pessoas acabam mesmo adquirindo doenças de verdade por conta dessa rotina louca. Ansiedade e depressão são as mais clássicas. E eu nem
vou começar a falar da doença que comecei a ter no terceiro ano de faculdade, rs. Mas é de boa, né, gente, é normal!
Aí essa pessoa vem dizer que aprendeu que não podemos julgar a realidade do outro por meio da nossa. A
mesma que disse que “quem quer mesmo corre atrás”. Teu pensamento “crítico” é bem ambíguo, não?

—-

Aí você já entrou num problema muito além da USP e a solução é uma só: revolução.

—-

acho que o que a gente pode tirar disso aqui é a análise dos dois lados da mesma moeda

de um lado a gente tem a fatia do utilitarismo intelectual sendo cada vez mais valorizado no mercado de trabalho pelas universidades particulares e cursos ead

do outro, a gente percebe a universidade pública como um antro da elite intelectual, onde o conhecimento não mastigado dificulta que estudantes que não se encaixam num padrão socioeconômico realizem uma graduação com facilidade

meu ponto é: a própria fflch tem passado por um período de transição

e porque? porque não se altera regime de contratação de professores a toa, a usp tem sofrido com pequenos projetos de privatização e isso já tem tempo

a fflch é atingida por isso diretamente porque nossa dimensão acadêmica não é ‘utilitária’

saindo um pouco da fflch, tem muito aluno que, antes de se preocupar com emprego pra complementar a renda, tá preocupado com vaga no crusp e auxilio moradia porque a própria estrutura da usp passa filtros sociais depois da própria fuvest

não dá pra criar um imaginário simplista do quadro de estudantes da usp esquecendo que tem gente que mal entra e já sai, esquecendo não se faz greve a toa e, principalmente, usando um discurso desonesto e reducionista pra atacar o movimento estudantil (sabendo muito bem da sua importância pra conquista de muita coisa e da sua relevância pra formação política de muito estudante)

e isso não é desmerecimento nem ataque a quem precisa trabalhar, eu mesma ralo com o que recebo de auxílio da usp porque minha família não tem grana e eu não consigo emprego por causa do horário, mas uma proposta pra entender o problema pela totalidade

e velho, a gente tá numa universidade pública

o tempo todo tentam dizer que isso não é nosso, mas é

nosso dever é defender a educação pública e tornar ela acessível

não se faz isso com aula pronta de gramática, sabe

como é que lá fora a gente exige que a educação continue cumprindo seu papel emancipador se aqui dentro a gente reproduz a mesma lógica da ideologia dominante que brada pela escola sem partido?

e eu não tô dizendo que as aulas de gramática não são importantes, tô dizendo que a gente precisa enxergar que a universidade é mais do que isso

—-

mas eu acho que sim caberia talvez no ciclo básico haver uma aula de gramática normativa, porque as pessoas serão cobradas pra escrever na norma culta na faculdade e muitas não tiveram essa formação no colégio

—-

eu não disse que aulas de gramática normativa não cabem, tô falando que a gente precisa repensar os moldes do nosso modelo educacional

poxa, eu tive aulas ótimas de ielp i no primeiro semestre, mudei totalmente minha concepção sobre o uso da gramática normativa, coisa que podia ser ampliada pro ensino básico e que não acontece

não adianta ter aula de gramática sem ter aula de produção textual, tá tudo interligado, e isso é só um exemplo

a gente precisa pensar num ensino que permita que o estudante expanda seu conhecimento e ligue os pontos dentro da sua aplicação, e não que receba conteúdo condensado e isolado sobre as áreas de conhecimento

e, seguindo essa lógica, as aulas que tive na universidade tem cumprido bem esse papel (no caso de permitir a interligação de conhecimento e uma compreensão não da parte mas do todo)


fora isso eu também tenho muitas críticas ao formato de ensino da universidade, aí entra o pedantismo de professores, arrogância, assédio moral, falta de didatismo, falta de acesso a materiais de estudo e, inclusive, o fato de não haver incentivo a escrita num curso de letras (que é algo que me incomoda muito)

mas eu acho que a única forma de combater esses problemas é entender a totalidade do problema e partir pro embate, não fazer texto no grupo da letras.


também tô no terceiro ano da Letras, também trabalho desde o primeiro e me sinto exatamente como você e a sua amiga. Eu acho que a situação é muito simples: muito provavelmente esse curso não seja pra gente. Entrei na Letras achando que o curso era uma coisa e não era. Errei. Um erro que me custou 3 anos, mas, até aí, aquele ditado: “vamo fazer o quê?” Continuar empurrando com a barriga? A cada semestre que passa eu fico mais desmotivado e estou muito cansado de me sentir assim. Decidi trancar, e esse post, na verdade, com todos esses comments, só endossaram ainda mais minha decisão – até agradeço, por isso. Foda-se o prestígio infundado que dão pra faculdades públicas. Eu vou pra uma faculdade “fast-food” fazer um curso que, até me mate de estudar, mas que eu goste, que valha a pena. É a minha vida, meus valores e ninguém têm direito de embutir virtudes ou desvirtudes sobre algo que não é deles, pra dar opinião.


nossa, desde a minha época mudaram muitas coisas, então…porque na minha aula inaugural o prof. (de Grego, bem velhinho) já disse na lata: “Aqui vcs. não vão aprender gramática, não vão aprender a escrever – nenhum tipo de texto-, não vão aprender Inglês nem nenhuma língua estrangeira. Saiam do curso caso vocês tenham entrado achando qualquer uma dessas coisas”. Com certeza isso já poupou o tempo de muita gente…sinto por você por ter demorado 3 anos para perceber o perfil do curso.

 


Então, na verdade, eu só percebi o perfil do curso meeesmo ano passado, porque do primeiro e segundo semestres eu até gostei. Acho que peguei bons professores, no geral, em 2014. Mas desde o segundo ano nao tive mais essa sorte, e encontrar motivação para estudar sozinho matérias que por si mesmas eu não vejo aplicação pra minha vida é foda. Eu levei mais 2 semestres pra decidir trancar porque, aquela coisa: pressão família, amigos, a conversa de ~ ah, voce nao paga pela faculdade, termina ~, e, eu até terminaria, se eu soubesse que conseguiria finalizar o curso em mais 2 anos. Mas isso nao vai acontecer. <.<
Falando sem eufemismos, eu admito: no meu caso, eu fui ingênuo (pra nao usar termos mais fortes), de achar que letras não seria um curso puramente acadêmico, mas, talvez, eu não tivesse descoberto isso se não tivesse entrado, por mais óbvio que seja. As vezes a gente tem que ser atropelado na rua, pra aprender a olhar pros dois lados antes de atravessar. Falei ali em cima que a letras me custou 3 anos, mas não considero esses anos como totalmente perdidos, de forma nenhuma, e não me arrependo de ter entrado na USP, pois tudo nessa vida tem que servir de alguma coisa, nem que seja de exemplo a não ser seguido ou erro a não ser repetido.


te entendo! as minhas razões foram exatamente opostas… mas depois de uma aula do Heitor Megale percebi que tava tudo errado! larguei 5 anos de sofrimento e frustração na FEA e corri pra Letras!
largar a FEA, como assim?! até hj as pessoas acham que sou doida… mas estou no meu lugar! rs
força aí, rapaz!


o prof. Heitor Megale era um dos melhores da Letras, é uma pena que certas pessoas não sejam imortais 😦


Ah, a eterna busca por um lugar a que se pertença. Fico feliz por você ter encontrado o seu Eu ainda vou precisar explorar mais, por aí. -.-‘


Cara, nem eu saberia descrever o que eu estou sentindo com relação a faculdade tão bem quanto você fez aqui. Estou exatamente na mesma página que você, e apesar da frustração e decepção enormes que são decidir trancar a faculdade com a qual eu tanto sonhei, continuar seria pior.


É, nossa situação é triste, mas encontrar pessoas que sentem o mesmo que eu é muito reconfortante. Assim posso assumir que eu ainda não tô doido, haha. ~Ainda~. Obrigado por compartilhar.
Sim, infelizmente, também tive que decidir com base no que era ‘menos pior’ e, sabe de uma coisa? ME SINTO VIVO NOVAMENTE.


O que você disse é tão verdadeiro que eu queria poder voltar no tempo e desistir no terceiro ano de faculdade.
Hoje já há 6 anos, não tenho metade do conhecimento que algumas colegas de trabalho que fazem Letras em faculdade particular tem. Mesma coisa com a habilitação.
Eu entrei na USP porque não tinha condição alguma de pagar uma particular, e agora vou pegar meu diploma sem ter conhecimento o suficiente pra trabalhar na área.
O jeito vai ser fazer outra graduação…


 

leia este tópico inteiro. É demorado, mas vale a pena. Impossível passar pela Letras e dizer que não tem conhecimento suficiente para trabalhar na área. A não ser que vc. tenha faltado a todas as aulas e pagou alguém pra fazer todos os seus trabalhos, coisa que duvido que seja o caso…


 

Então as coisas mudaram muito na FFLCH… Terminei a graduação em 2005 e o Mestrado em 2009. Todos os meus colegas da minha turma (todos mesmo) estão muito bem-empregados. A maioria dá aula em Universidade Federal, fez doutorado na Europa, outros dão aulas nas particulares.
Não veja meu comentário como uma crítica, por favor.
O curso ficou tão defasado desde 2005? Sei q são 11 anos de diferença, mas caiu tanto assim? Pelo que estou lendo nos comentários, a Letras parece ser outra…


sou de uma época ligeiramente anterior à sua. Meus amigos que estão bem empregados em Federais e outras, justamente, estão em OUTROS lugares. Bem distantes daqui. Muitos dos quais a maioria das pessoas não iria se tivesse escolha. Agora, para aqueles que, por diversas razões, não teve ou não tem condições de se mudar de São Paulo (da cidade, que dirá do estado!), a situação é uma m.!

E sim, pelo que os profs. falam, decaiu sim. Não só pelos profs que morreram e pelos que se aposentaram, e que não foram repostos à altura (tanto em termos de quantidade quanto de qualidade), pela corrupção (anos e anos de roubos de verbas, dá nisso…), mas igualmente pelos alunos também. Todo mundo sabe que as gerações vão mudando, mas de uns anos para cá pelo visto a mudança foi considerável, por conta da rev. tecnológica. Se pedir pra fazer pesquisa sem Google, a maioria não sabe, e não quer. Tem muita resistência à leitura. Num curso de Letras! Tem, ainda, uma onda conservadora gigantesca, na qual estes alunos estão inseridos. Então tem uma série de fatores que contribuíram e contribuem para a queda de qualidade e para a insatisfação generalizada (não pensem que os alunos são os únicos que têm insatisfações e reclamações a fazer…).


Eu vejo muita gente desanimada como eu. Se algumas pessoas conseguiram pegar bons professores e aprenderam o suficiente, que bom pra eles. Infelizmente não foi o meu caso e nem o de muitos.
E como eu disse, eu não tinha condições. Nunca pagaria alguém pra fazer algo por mim.


desânimo muitas vezes tinge tudo de pessimismo – pode ser que agora você pense que não aprendeu nada, mas aprendeu, pode ter certeza.


Não tenha dúvida. Além do mais, é preciso a gente examinar com muito cuidado pra saber se estamos “diagnosticando a doença certa”. Às vezes identificamos nossos problemas como vindos de um lugar, quando vêm de outro. Não é demais lembrar que muitos estão insatisfeitos em muitos lugares. Não é só na Letras/USP que isso está acontecendo 😉


Por falar em doença, eu percebi durante a graduação que muitas pessoas passaram a ter problemas psicológicos como depressão e transtorno de ansiedade. Eu acredito sim que isso tenha a ver com o desânimo com o curso, que também afetou no desempenho.
É o que eu disse, que bom pra quem conseguiu bons professores. Não foi meu caso.
E eu não coloco a culpa nas leituras nem em nada assim, porque tinha tempo suficiente pra fazer isso no ônibus e eu nunca deixei de me esforçar, mas também não julgo quem não conseguia.
Aliás julgamento é algo que ajuda muito a desanimar as pessoas.


isso que você está relatando é extremamente comum – no mestrado e no doutorado. Eu mesma tive (ainda tenho?) doenças psicológicas, que inevitavelmente reverberaram no corpo (comecei a ter rinite alérgica, sono intermitente, dores musculares generalizadas e aparentemente sem causas, aumento de peso corporal por descontar frustrações em escolhas nada saudáveis de comida…). Mas, como eu disse, isso tudo a partir da pós. Na graduação eu era alegre, saudável, empolgada e saltitante *rs*

Tenho certeza que todos aqui tiveram e têm profs. ruins, ou que não os agradam (o que é ruim pra uns, pode ser ótimo para outros!), mas acho complicado jogar a responsabilidade 100% pra cima desse único fator. Tem coisas que estão sendo apontadas neste tópico que não são problemas da Letras, mas da FFLCH. Outros são da USP, não da FFLCH. E outros, ainda, são de ordem governamental e mundial, sistêmicos. Outros são de ordem meramente pessoal mesmo. Então, há de se separar umas coisas das outras…

Não estou vendo julgamento aqui. Estou vendo pessoas relatarem suas próprias experiências. Aliás, estou muito feliz em ver que, pela primeira vez em muito tempo, o tópico não descambou para xingamentos e ofensas pessoais ridículas 😛 Esta discussão é extremamente necessária, e está sendo muito proveitosa.


vcs confundem muito as noções de elitismo e utilitarismo!

elitista é a FAU! difícil de entrar, vc já tem q saber desenhar minimamente pra fazer a prova, o curso é integral e o materiais são caros pra cacete!

a Letras forma intelectual e pesquisador… quem é pobre pode fazer o curso, só que provavelmente vai demorar mais tempo e continuar pobre.

elitismo onde? basta olhar os perfis socioeconômicos pra ver que nosso curso é o menos elitista dessa universidade! vcs estão querendo o quê? salário de diretor? carro do ano? curso errado, ponto!


não quero salário de diretor, mas pelo menos o suficiente pra comprar uma casa, um carro e viver tranquilo (o que, acredite, não exige pouco dinheiro ultimamente). eu adoraria fazer o que amo e ser feliz (que nem é Letras, gosto mesmo é de desenhar), mas infelizmente eu preciso de dinheiro. não dá pra dizer que não preciso. não quero continuar pobre, entende? e isso não é errado! o pessoal trata quem quer ter grana pra viver bem como se fosse a doença da sociedade!


esse quadro – de não conseguir comprar um carro ou uma casa, ou ambos de preferência 😛 – não é exclusivo do curso de Letras da USP, é generalizado. Não podemos achar que mudando o currículo magicamente esta situação vai melhorar, é muita ingenuidade…e se você não faz o que gosta (desenho), e quer ganhar dinheiro, errou duas vezes indo pra Letras. Quem faz Letras já sabe que a situação é calamitosa, e geralmente faz o curso mesmo assim, justamente porque gosta e/ou por idealismo. Se é pra não ganhar dinheiro, pelo menos faça o que gosta/tem afinidade. Professor nunca ganhou dinheiro no Brasil. Não no nível de advogados, médicos e engenheiros.

antes que me falem que Letras não forma só professor, ok, revisor, tradutor, etc. também não ganha dinheiro. Só os trad. juramentados


 

pois é, fui me dar conta disso só agora no segundo ano. por isso to trancando a matrícula pra ir pra outro lugar. infelizmente professor aqui não é valorizado.


 

antes tarde do que nunca. Eu fiz o curso por gostar e por idealismo – nesse sentido não me arrependo. Mas confesso que a parte financeira é extremamente frustrante e agora, depois de tantos anos (13) está pesando demais…se eu não fosse casada, teria que voltar a morar com meus pais nesta altura da vida (35 fucking anos!), uma vergonha…


 

não acho errado querer ter grana. a questão é que nosso curso não é voltado pro marcado e muitos de nós acreditamos que deve ser assim mesmo. agora… se vivemos tempos em que esse tipo de conhecimento não é financeiramente recompensado não é um problema do curso, mas de valores!
eu fico muito chateada toda vez que penso no tanto que nossos professores estudaram e estudam pra ganhar o que ganham… é um absurdo! é ridículo! mas fazer o quê? ainda bem que tem quem se sujeite, que possa se sujeitar!


 

Perfeito. Mas ao mesmo, falta mais gente pra lutar pra que isso mude do que pra se sujeitar a ganhar a merreca que o mercado paga a quem forma gente crítica.


 

Para quem começou o tópico: eu não acho que você esteja problematizando demais. Também penso sobre como não temos absolutamente nada mais instrumental no curso, e acho que isso caberia nesses cinco anos de graduação. Entretanto, sou apaixonadíssima pelo curso e acho que ele oferece coisas mais difíceis de enxergar, menos palpáveis, mas valiosíssimas. É bem mais fácil estudar pretérito perfeito por conta própria do que conhecer o que conhecemos na Letras em outro lugar. Eu fiz uma graduação na área de saúde na USP e também tínhamos essas discussões: era muito voltada para a pesquisa, enquanto as particulares eram mais voltadas para o mercado. Mas atuando na área, percebi que nossa formação voltada para aprender como e onde pesquisar o que se precisa era mais útil do que decorar a forma que um professor faz determinada coisa. Fora outras quetões.
Se mesmo assim você sentir que este curso é abstrato demais para o que você precisa ou para sua forma pessoal de aprender, talvez seja válido pensar em mudar para uma particular, com ProUni se for o caso. Isso não é demérito nenhum. Há de se pesar também a questão “nome no currículo”, porque a gente vive num mundo que ainda valoriza isso e precisa trabalhar.
Resumindo: acho que podemos questionar se não seria interessante que o curso incluísse disciplinas e conteúdos mais utilitários – o que não significa mudar todo o caráter do currículo e eliminar a parte mais reflexiva. Dá pra conciliar duas coisas. No entanto, isso não se muda do dia para a noite, e se você pesar tudo e julgar que será melhor para você em outro lugar, é possível trocar. Não esqueça que isso implicaria também perder coisas que talvez você não encontre em outra faculdade.

Menos julgamento, por favor, gente.


 

O curso de Letras na Usp não é elitista pq ~não ensina gramática~. Ele é elitista pq assume q todos os estudantes tem 100% de tempo disponível para ler uma carga enorme de texto, fazer trabalhos longuíssimos e tudo isso de uma semana pra outra.
Vai me dizer que não é elitista prof dar aula PELA INTERNET durante a greve?
Vai me falar que uma carga horária inumana de estágio obrigatório não remunerado é algo bem acessível pra parcela pobre dos estudantes?
Uma carga horária que te obrigue a sair da faculdade 23hr sem ter um transporte público decente não é elitismo?
Professor assumir que você entra na faculdade ja sabendo 100% da língua desejada não é elitismo?

Pqp vocês…


então…é um pouco elitista sim. mas isso é quase uma condição de qualquer formação superior e em qualquer lugar do mundo. nenhuma sociedade quer 100% da sua população com nível superior… simplesmente pq isso não convém a interesses econômicos.

no entanto, acho que apesar de tudo o nosso é o menos elitista dentro da tão elitista USP!

vejo nosso curso de modo mais elitizante (intelectualmente) do que elitista, sinceramente!


Sim, tenho constantemente a impressão de que o curso não foi feito pra quem trabalha. Eu não leio nem metade das coisas que pedem, porque se fosse ler eu viraria um robô, só trabalhar e estudar, me recuso. Prefiro tirar só nota na média, ficar entrando em quase todas as matérias por requerimento e TER VIDA. E não falo só das leituras, a licenciatura é totalmente inviável pra quem trabalha, só se eu me demitir e começar a viver de luz!


ser menos elitista que outros cursos da USP não quer dizer que não seja elitista. Ser menos excludente não significa que seja pouco excludente. E isso não tira a legitimidade dos argumentos que estão sendo levantados aqui…..


concordo, não tira! só estou atendendo para o fato de que apesar de todas as críticas, muito válidas aliás, é um curso que permite acesso e ascensão… talvez não a econômica, dai a frustração.

mas alegar que quem não precisa trabalhar leva vantagem, que não competimos de igual pra igual é ingenuidade… pq quem tem grana, quem não precisa trabalhar leva vantagem em TODOS os cursos, em TODAS as faculdades e universidades… em TUDO na vida!

portanto isso não é um problema do curso de Letras! o que se discute é tornar o curso mais utilitário, mais voltado pra mercado, pra atender às expectativas de quem entrou na letras visando ascensão financeira ao invés da intelectual

isso significa dizer que quem é pobre vai ter mais dificuldades tanto em medicina quanto em letras… a diferença é que em medicina essa diferença inicial tende a ser minimizada com o tempo e em letras não.


Não, o curso não é feito pra quem trabalha e inclusive eu tenho uma história de um certo professor que, em certo ano, negou uma renovação de estágio remunerado que eu fazia fora da usp porque eu tinha reprovações, me falando as coisas mais absurdas que já ouvi na graduação, coisas ultrajantes. A “sorte” é que eu já havia feito outros estágios, tinha contatos, sempre fiz frilas em casa e não demorei uma semana pra arranjar outro trabalho legal, senão eu seria obrigada a arrumar um emprego de 44h semanais de nível médio fora da nossa área, provavelmente pra ganhar MENOS do que eu ganhava como estagiária, porque ficar sem trabalhar não era uma opção. Ah, e não raramente eu vejo os professores mais condescendentes e “bonzinhos” se referirem aos alunos que trabalham com um ar de pena, como se estes fossem mártires e como se trabalhar fosse ruim, uma mera “necessidade” de uma parcela dos alunos e não algo normal, afinal haha


Eu juro q não entendo.
Só pq critiquei as faculdades que formam em 2 ou 3 anos, uma galera achou ruim. Disse q é arrogância, etc. Mas essa mesma galera desce a lenha na USP.
Ué! Criticidade seletiva? Rsrs
Pode criticar a USP, a FFLCH, mas não pode criticar outras faculdades porque daí já vira arrogância?
Confuso…


Gosto desse texto do Marcos Bagno: http://linguagemdocencia.blogspot.com.br/…/curso-de…!


O curso de Letras na USP como é atualmente pressupõe que você só tenha aquilo pra fazer e só faça/pense/estude coisas para o curso. Muitas discussões são avançadíssimas, de um cunho acadêmico importante. Mas, sinto dizer que não consigo acompanhar nem metade delas de primeira. Sabe por que?
Não tenho nem a base do conhecimento na gramática normativa, como vou desconstruir o que não tenho?
Vocês têm noção de que usar função sintática pra mim não tem nada de automático? Latim por exemplo, se torna um inferno por causa disso.
O curso tem que mudar sim pra incluir a realidade dos alunos, da educação, do socioeconômico dos alunos etc etc.
Por causa da FUVEST, o pressuposto é que já estamos “acabados” em gramática e não estamos, mesmo que não fosse necessário para o mercado de trabalho, já se faz necessário dentro da universidade. É claro q quem teve uma boa base escolar ou tem tempo pra ralar nessas dificuldades nunca vai entender o que é não ter esse conhecimento oferecido dentro do curso, que é o tempo que quem trabalha tem pra aprender.
O filtro social só começa na FUVEST manos, como já foi dito, muita gente nem entra e já sai e cada vez mais, o caminho é feito pra quem teve o privilégio de nascer na classe média/alta.
Quanto a mim, tenho ralado pra conseguir recursos de uma universidade que só não te dá a opção de se prostituir pra pagar suas contas pq tem medo de processo que vá pra mídia. E eu realmente não consigo trabalho pq preciso muuuuito me formar em 5 anos, pra trabalhar e meus pais conseguirem se aposentar antes de morrerem de tanto ralar. Eu posso ser anticapitalista mas essa é a minha realidade e tenho certeza de que realidades parecidas existem por toda a universidade, principalmente na Letras.
O mundo precisa mudar, o capitalismo precisa cair, muito a se fazer. Mas, que a grade precisa mudar juntamente com o vestibular se quisermos q o curso seja realmente acessível, não tenho a menor dúvida.


povo no conforto é 8 ou 80… ou vem a ´´revoluçaum´´ ou deixa como está.
Enquanto isso, se vc é de classe média baixa/pobre e conseguiu o milagre de estar na USP?
“Ai, desculpa, não é culpa nossa que o ensino público é um lixo. Não é culpa nossa que vc não tenha tempo de estudar, trabalhar, cuidar da sua casa e ter uma vida social”

Povo que NUNCA sacrificou nada na vida acha que é de boa vc ia acumulando stress, preocupação, cansaço e etc…

Não obstante todos os problemas citados, a USP NÃO É BEM LOCALIZADA, não existem grandes alternativas de transporte.

Da até raiva ser tirado de preguiçoso, que quer tudo mastigadinho…


Desculpa, mas qual seria uma boa localização pra USP? Tô tentando recortar a Cidade Universitária e colar em algum outro lugar de São Paulo… Cara, a cidade é IMENSA. É impossível que uma universidade desse tamanho esteja num lugar que seja de perfeito acesso a todos.


cadê a linha de metrô que era pra ter dentro da Usp?
Cadê aumento na frota dos circulares?
Cadê mais alternativas de ônibus circulando dentro da USP?

Você acha que a administração da universidade não influencia nesse tipo de decisão?
Acha que a USP não dá pitaco nenhum com a Sptrans, com o Gov do Estado a respeito do metrô?


Bom, eu não disse nada disso. Você falou da localização, e pensando em espaços geográficos fica impossível ser acessível a todos. Porque mesmo que tivesse uma linha de metrô que deixasse na porta da Letras, algumas pessoas ainda levariam MUITO tempo pra chegar lá. E isso é uma coisa a ser levada em conta quando você decide que universidade cursar.

E é claro que o governo dá infinitos pitacos nisso. Concordo que deveria ter mais circulares (às vezes parece que só tem 3 de cada linha) e ônibus comuns dentro da USP porque aquilo tá bizarro. Mas linha de metrô? Não dá. Você vai deixar de construir uma linha num lugar que precisa muito mais pra fazer na USP? (isso não acontece, eu sei… mas seria um cenário) Tem que ter metrô na cidade toda, nós não somos prioridade.


a linha que era pra ser dentro do campus não foi porque o reitor da época não deixou. Porque já reclamam da falta de segurança no campus, e ele alegou que não conseguiria lidar com o fluxo de pessoas caso houvesse uma estação…ou seja, mais fácil tirar o metrô de lá do que aumentar a segurança, melhorar a iluminação do campus, etc  😉


Mas gente, que diferença faz uma estação dentro do campus e a atual estação Butantã? Vamos supor que a estação USP fosse na praça do relógio. Quem estuda na Química, na FAU, na Odonto… Esse povo todo teria que pegar o circular pra chegar nos seus prédios! E até na Letras talvez. Em dias de chuva, por exemplo é melhor pegar um ônibus e descer na frente.

Entendo que a comunidade USP é muito grande, mas construir metrô é uma Odisséia e tem lugares que precisam muito mais do que o nosso mundinho uspiano. No caso, a estação Butantã é ótima pra todos da região, basta ver a quantidade de pessoas lá todos os dias.


Se não me engano, pelo projeto original seriam duas estações na USP. Uma exatamente na praça do Relógio e outra no Hospital Universitário. Mas a reitoria da USP não queria ver gente “diferenciada” perambulando por aqui. E parece que já sabiam do projeto de sucatear e inviabilizar o HU.


vocês estão esquecendo a privatização, galera…o circular era da USP, gratuito. A partir do momento em que tem que ter um circular que tem que sair do campus, bem…já não é da alçada da prefeitura do campus, e aí tem que ter uma empresa privada pra fazer o trajeto, sacou??? Aí vocês vão falar “ah, mas tem o BUSP…” – é, só que tem MUITA gente sem BUSP que frequenta e tem que frequentar o campus diariamente…

 


Alguns já falaram, talvez vá só me repetir, mas enfim. Trabalhar e estudar é pesado em qualquer curso, em qualquer faculdade, em qualquer situação e quanto mais o curso exigir de você, mais pesado ficará. Alguns chamam isso de elitismo, e me parece estar implícito que a solução seria o curso exigir menos, porque assim os alunos que trabalham poderiam acompanhar melhor. Ou entendi errado? Porque se for isso, tem uma penca de faculdade particular que cumpre exatamente essa função e eu não acho que essa é a função da USP – te dar um diploma.
Outra solução seria sustentar os alunos de baixa renda. Ora, isso a USP embora faça mal e porcamente, ela tenta – eu usufruí de praticamente todos os benefícios sociais concedidos pela USP, desde a isenção no ingresso, bolsa-auxilio, não pagar o bandejão (sim, os R$1,90 pesavam), bolsa de IC, e etc até mesmo intercâmbio (que diga-se de passagem, na minha época foi bem POUCO concorrido). O auxílio é pouco? É, mas com esse pouco eu evitei trabalhar 8h na graduação. Não podia comprar nada, mas também não passava fome e não precisava trabalhar. Pra quem precisa ganhar um pouco mais, há estágios nas bibliotecas, na pró-aluno, que oferecem um salário um pouco maior e são dentro da usp (e normalmente com uma carga horária não exorbitante), o que também evita o tempo gasto no transporte. Agora, se você quer ou precisa ganhar mais de mil reais na graduação, vai ser complicado mesmo, eu vivi com bem menos que isso – e até rachei um quarto com o namorado também pobre aqui próximo da usp.
E aqui estou eu hoje, na pós, dando aula informalmente (amo!) e correndo atrás das bolsas, que considero meu direito por devolver à usp em pesquisa.

Não quero usar minha experiência individual para aplaudir o “esforço”, quero mostrar que as alternativas estão aí, tem opção sim, vai ser suado, mas dá. O que eu não concordo é criticar as cargas de leitura e deixar implícito com isso que o curso tem de ser mais “leve”. Isso é tornar o curso voltado para o mercado de trabalho, e pra mim, a usp é lugar de ENSINO, PESQUISA e EXTENSÃO.


Acho que um dos grandes problemas é que a maioria das pessoas nao se informam sobre como é o curso antes de entrar. Nao sabem que é puxado, as disciplinas que vão ter e isso é geralmente preguiça de se informar antes de entrar. O problema é que tira a vaga de outras pessoas que tem certeza que querem estar ali e como funciona o esquema do curso.


Ah, que mundo lindo, esse onde a ‘maioria’ sabe exatamente o que quer fazer da vida, quero participar, me ensina. Quem entra num curso e depois reclama é tudo preguiçoso desinformado, mesmo.


por favor não fale das coisas sem ter certeza. Pesquisei MUITO antes do meu vestibular e estudei muito para entrar. Sabia muito bem qual era o esquema e o que teria que enfrentar! E enfrento todos os dias. Só fiz um desabafo e questionamento para quem vive como eu


Acho que não dá pra culpar a faculdade por um descuido seu que seria ter se informado de como seria o curso antes de entrar. E nem menosprezar o curso também. A faculdade é elitista sim, e tem muita gente que tem em mente isso e tá lutando para que ela ofereça muitas mais oportunidades para todos e seja mais democrática. Todos os cursos exigem conhecimentos mínimos anteriores e isso não é só na USP. O problema é que se todos lutassem por uma universidade mais democrática e questionassem e fossem atrás do que deveria ser mudado, as coisas já teriam começado a mudar, e isso não é só fazendo greve. Tem gente que fala que quem quer debater sobre a faculdade quer fazer “revoluçãozinha”, mas essas pessoas também querem que as coisas mudem. Só que uma estrutura burocrática não se muda apenas com reclamação ou deboche no Face, como algumas pessoas fazem.


Eu nem cheguei a ler os outros comentários mas da minha experiência com outra graduação posso te dizer que isso não é uma problemática só da letras. Estudei engenharia. O curso foi muito denso e teórico. Quando comecei a estagiar te confesso que foi complicado, como se eu nada tivesse aprendido!!! Depois de um tempo fui notar que de um certo modo e apesar de não ter aprendido muita coisa prática na graduação, percebi que o raciocínio sistemático do curso ia sendo aplicado na resolução de problemas “reais”. Algo semelhante sinto que passará na letras… Isso é só uma visão que não anula os inúmeros problemas que a graduação como um todo tem.!


O que a gente tem que brigar não é para mudar a estrutura do curso ou diminuir a carga de leitura, é pra manter as vagas em creche e na escola de Aplicação, manter o CRUSP e os auxílios-alimentação, manter as bolsas de IC e monitoria e ampliá-las (ainda que não conheci quem tenha feito IC sem bolsa por falta dela, mas enfim, deve acontecer) e a realização remunerada de estágio em escola pública! O curso tem que mudar, pode ter muita coisa pra melhorar, mas não é – na minha opinião – no intuito de facilitar a grade de quem trabalha.


 

Essa discussão me fez lembrar de quando eu estava no Mestrado. Era estagiária da minha orientadora e acompanhava suas aulas. Ela precisou faltar um dia e deixou o texto para que eu o discutisse com os alunos.
Cheguei pra aula e 7 alunos tinham lido o texto numa sala com mais de 40 alunos. Sete!
Como eu iria discutir um texto com os alunos? Eles precisavam discutir o tema e fazer um fichamento.
Montei um esquemão na lousa e expliquei pra eles.
Muitos me agradeceram no final da aula e disseram que sentiam falta de professores com didática de Ensino Médio na faculdade.
Naquele dia eu entendi uma palestra que tive no primeiro dia de aula em q o prof disse q a Letras estava cheia de gente que quer estudar sem ler… Infelizmente, ele tinha razão.


Dahora é que rodaram, rodaram, pra terminar falando que quem ta reclamando é preguiçoso e não quer ler…

ta certim. (y)
Chega desse post.


moço, vc tá rodando, rodando e pra terminar quer dizer que tem que ter menos texto pra ler na Letras!


 

pois é! O povo reclama de ter que ler no curso de Letras!
Imagina esse pessoal dando aula!


 

talvez estão com saudades das apostilas do cursinho.


Apesar de alguns comentários repetitivos e nada produtivos, acho que esse post foi o post mais útil desse ano até agora. Saber que não estou sozinha – muito pelo contrário – me deixa um pouco mais aliviada de trancar a faculdade. Meus motivos, que às vezes pareciam banais, estúpidos, idiotas, ridículos e enfim… Que às vezes pareciam inválidos pra justificar minha desistência são também motivos pra muitas outras pessoas… E isso me faz olhar pra eles com outra perspectiva. Obrigada miga que fez esse post, me ajudou e acho que ajudou bastante gente também


nem li os comentários anteriores, mas só pra contribuir. Eu terminei o bacharel em 2012 e a licenciatura em 2013.
Odiei cada minuto do curso, o ano de 2010 eu tranquei, mas acabei voltando e hoje eu estou formada, trabalho e ganho bem, e hoje entendo a importância de terminar o curso.
Se te ajuda, tranca um semestre, repensa em tentar outro curso que te agrade, mas hoje eu diria pra mim que a melhor coisa foi não ter desistido.


A USP tem que ser voltada pra pesquisa? – Concordo.
A USP e principalmente, o curso de Letras não tem nenhuma obrigação de apresentar o que vão nos cobrar dando aula? -Discordo. Ser professor é o sonho de muita gente que conheço na Letras.
Diminuir a carga de leitura? -Discordo.
Ter um currículo que te dê textos mais dinâmicos, que ofereça textos base pra quem tem mais dificuldade com gramática, principalmente quando se pressupõe um conhecimento mais profundo? -Defendo totalmente.
Perder uns 15 minutinhos discutindo em sala como a gramática normativa funciona pra todo mundo acompanhar a aula?
– Defendo.
Achar que todo mundo que entrou tem que se virar? – Não defendo. Não é a universidade que nos propomos a construir quando falamos de permanência, quando falamos que a população precisa ter maior acesso a USP etc etc.
É engraçado, mas pra mim, é muito óbvio que quem tá se mantendo na USP e na Letras não está sendo preguiçoso, principalmente se trabalha. Se o curso não permite tempo nem mesmo se vc se mantém na média.
Mas, não concordo que ao contrário de quem teve uma boa base, eu precise separar parte do meu tempo pra aprender ou revisar (quem não teve uma boa base, mesmo que saiba, geralmente precisa revisar pq aquilo demora pra ficar guardado) conteúdos que nem ao menos são mencionados em aulas mas são a alma dos textos obrigatórios.
Não acho que abordar isso em aula faria cair a qualidade da universidade. Muito pelo contrário.
Agora, o problema é que podemos ficar achando que falar sobre isso atesta diretamente o status da nossa universidade, ou podemos debater o problema, pq eu sei que ele não existe só pra mim, e avançar nisso. Que tal?
Existe uma reunião que pode ser chamada pra debater a grade curricular e as aulas (parece que rolou algo parecido no prédio do meio, vi uns anúncios). Pq eu vou dizer a vocês, além de muito cansativo ter que ler o mesmo texto mil vezes, estudar conteúdos por fora e afins, é muito desestimulante, a pessoa se sente uma merda constantemente, você sente que tá todo mundo na sua frente simplesmente pq aprendeu tudo aquilo desde cedo e que você não merece a oportunidade que está tendo. O mais doido é que você rala pra caramba pq tem tempo e imagina e se põe no lugar de quem tem essas dificuldades e não tem tempo porque precisa trabalhar.
Então colegas, alguns pelos quais eu tenho o maior respeito e admiração, não podemos negar que essa é uma dificuldade pra quem nem sempre teve todas as chances e acessos ao conhecimento, e isso tem que ser trazido pra didática da aula e com isso a universidade só tem acrescentar principalmente, pra formar bons educadores e pesquisadores. Sabemos que o conhecimento tem que ser passado adiante, e que é nossa essa responsabilidade mas primeiro, precisamos trabalhar juntos em prol de uma educação de qualidade e inclusiva, isso já dentro da universidade, que é nosso espaço neste momento. Acho que isso é tudo.


Lindo. Só que…jura, você acha que 15 minutos por aula daria conta dessa defasagem? Você acha que os professores nunca pensaram nisso, e não se frustram com isso também? O papel da universidade é ensinar conteúdos da universidade, ou tentar tapar buracos que ficaram no restante da formação educacional? Dá tempo pra, em sala de aula, tapar todos os buracos (ou pelo menos os principais) *E* ainda dar o conteúdo universitário? E, no caso das habilitações em língua estrangeira, fazer tudo isso *E* ensinar a língua estrangeira do bê-á-bá até o nível de proficiência, requerido para se ler o material universitário??? Hmmmmm….quem sabe se a graduação durasse uns 15 anos, e o povo já reclama que dura 5, hein! 😛

Depois falam, como ouço a maioria das pessoas falar, que o curso de Inglês é elitista porque não ensina verbo to be *rs*…Enquanto isso, tem outras faculdades e universidades tentando fazer exatamente isso…e diplomando gente que, justamente, só conseguiu aprender o básico, no máximo o intermediário da língua, e teve um ou dois semestres de literatura de literatura estrangeira, lidos em traduções porcas ao invés de no original *rs*


“Para mim, a maioria é muito desestimulante e teórica. Trabalhos e leituras densas.”

Bom, mas isso aí é a faculdade enquanto instituição. Não é nem a USP, estudar é isso aí mesmo. A ideia é te darem o máximo possível de visões teóricas e você escolher aquela com a qual você mais concorda.
Em instituições mais voltadas pra formação de força de trabalho o conteúdo vem mais “mastigado” mas mesmo assim também vai ter alguma carga de leitura. Semelhante à nossa, inclusive.

É bom inclusive desmistificar esse lance de que “Ah vai lá na uniesquina que cê nem precisa se esforçar”.
Na “uniesquina” o que você vai ter é (MUITO) menos escolha pras optativas, uma grade mais fechada, certinha, não muito flexível. Não vai dar pra ficar segurando por 3, 4, 5 anos aquela DP do ciclo básico como bastante gente faz na Letras USP, por exemplo.

Se ceis querem mudar alguma coisa na USP, é bom começar por mudar essa mentalidade de que a “uniesquina” é uma bela bosta, porque isso não é regra.

Então, aconselhar a moça a tentar uma faculdade da rede particular, como alguns fizeram, NÃO É “elitista”. É só uma tentativa de ajudar ela a se encontrar, refletir sobre o que a USP oferece versus o que ela quer com esse curso, pra que ela faça a escolha dela.


Eu acho muito ensino médio vir a reclamar que há muito para ler e estudar. Ninguém está na faculdade obrigado, forçado. Discutir casos pessoais,desabafos não faz sentido neste grupo, senão fica terapia.


O que era dificil na minha época de estudante de Letras na USP era ter vínculos de amizade. Parecia que estava meio que isolado, o que desestimula a continuar o curso. Era isso que sentia.


Ainda continua assim, sou exemplo vivo rs Das 4 pessoas que fiz amizade na habilitação só 1 continua


 

credo! Fiz amizade com gente do japonês, do francês, do italiano, do inglês, da linguística, do português, do alemão…isso que vocês estão falando deve ser culpa do fenômeno WhatsApp!


E assim, ó: entrar, assistir aula, estudar, pegar o diploma e sair com 100% do conteúdo apreendido é balela, isso é o mundo IDEAL. No mundo real, você vai fixar algumas coisas, outras vai esquecer, mas uma coisa que precisa ter em mente é que estudar é uma coisa que você vai fazer pro RESTO DA TUA VIDA, com ou sem diploma.

Eu trabalho como tradutor e revisor de textos, e algumas coisas que são fundamentais no meu trabalho são dicionários (incluindo de regências e concordâncias), regimes de verbos/ substantivos/adjetivos, gramáticas (no plural mesmo) então eu tenho de estudar além do meu conteúdo da USP todo o conteúdo que eu tive e não tive na escola.


Fica uma galera falando de “elitismo, elitismo”! Mas saí de uma escola pública de periferia e acharia uma sacanagem comigo – e com todo mundo que tem uma trajetória parecida com a minha – se não pudesse fazer esse curso denso! Sacanagem por quê? Poxa, quer dizer que pobre não pode conhecer erudição? Pobre só tem que trabalhar e trabalhar? A única opção de estudo para quem não é da classe média é a voltada pro mercado de trabalho? Tenso isso, hein?


Eu tb saí de uma pública na periferia da periferia e foi graças a FFLCH q hj tenho uma vida melhor.
Por isso defendo o curso.


Para mim não é questão de ter uma vida melhor no sentido de $, continuo pobre. Mas eu acho que a gente tem o direito a ter acesso a um tipo de cultura que jamais teria se o curso fosse mais leve. Embora eu realmente ache poderia ter só de licenciatura: a física tem e não é pior do que o bacharelado.


Eu continuo pobre, mas menos pobre que antes rsrs. E o que adquirimos culturalmente é pra vida toda. Eu faria tudo de novo.

 

Categorias: Myself, News and politics, Notícias e política, People | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

Sobre mim (e listas)


Tem um negócio no Facebook agora, as pessoas convidam os amigos para falar sobre si próprios…fatos que a pessoa acha relevantes, que (quase) ninguém sabe, ou enfim…mais uma lista.

Não sei porque tem gente (inclusive eu!) que gosta de listas. Faço lista antes de ir ao supermercado, à farmácia, à feira. Quando tenho um dia cheio, faço lista das tarefas a concluir (e adoro riscá-las quando concluídas, claro!) – mas ela gera angústia, sobretudo quando não deu (pelas circunstâncias adversas, por questão de tempo, ou de procrastinação mesmo! hahahhaa) pra cumprir a maledetta! Quando tenho muitos assuntos para estudar, lá estou eu montando uma lista dos assuntos, coloco em ordem de prioridade…aí mudo. Não dá certo e monto um cronograma. Que também geralmente não é cumprido, e acaba virando mais uma fonte de ansiedade 😛 Faço lista inclusive aqui no blog – de assuntos, de links, de músicas, de wallpapers…*rs*

Já respondi – em inglês, em francês e em português – a um monte de questionários-lista! Adorava! Agora, sei lá, estou com receio. Fatos sobre mim? No Facebook? Aleatórios? Sem uma pergunta específica, tipo “Nomeie os lugares que você já visitou” (dá pra lembrar de todos?? :P)? É foda. Sobretudo com relação às nossas características. Lógico que a galera tende a se concentrar nos aspectos positivos…eu queria era ver uma lista só com os podres das pessoas! O pior do pior! E não pior no estilo “ai, assisto o programa da Sônia Abrahão” (que, aliás, já é ruim o suficiente hahahahah). Queria ver algo do tipo “já fui interesseiro em diversas ocasiões”, “já peguei coisa emprestada e nunca mais devolvi”, “já deixei de tomar banho durante 4 dias seguidos por pura preguiça”, “já traí amiga, já traí namorado”, enfim…isso ninguém nunca fala! hahahhaha Quando fala, é entre quatro paredes, e olhe lá.

Acho que o que teria a dizer sobre mim, diria a quem me conhece. E quem me conhece provavelmente já sabe *rs* Por exemplo, já sabe que não gosto de exercícios físicos (mas me obrigo a fazer de época em época, e às vezes até vicio na atividade que escolhi fazer!), que sou uma pessoa ansiosa. Que sou procrastinadora. E que esses aspectos juntos são a pior coisa que existe! 😛 Que sou preguiçosa, adoro dormir! Nem sempre dormir, só ficar na cama já é bom 🙂 Às vezes começo lendo um livro na cama, dou uma cochilada, acordo, volto a ler, cochilo de novo…é minha ideia de ócio 🙂 Também já sabem que sou chocólatra e doçólatra (não existe esta palavra, mas me dou a liberdade de utilizá-la, humpf!) além do que é considerável saudável. Aliás, em termos de comida sou uma das pessoas menos saudáveis e com hábitos mais estranhos que existem, acho eu…a galera não entende como posso odiar queijo e, no entanto, comer pão de queijo e pizza. Pois é.

Todos que me conhecem sabem que adoro música, literatura, cinema, teatro, pinturas, esculturas – mas não sei fazer nenhuma dessas coisas, infelizmente! E isso me é fonte de frustração. Também adoro aprender línguas novas (só por aprender, sem nenhum objetivo específico em mente, mas é claro que se der pra viajar pra um lugar onde a língua é falada, melhor ainda! :D). Sabem que não gosto de barulho (sobretudo em casa!) mas, ao mesmo tempo, meu estilo musical favorito é o heavy metal 😉 Não gosto de balada, nem bebo, nem gosto de me vestir, mas gosto de sair (de vez em quando). Que sou religiosa (vou à missa todos os fins de semana), mas tenho dúvidas, muitas. E sou aberta a diversas possibilidades – acredito que alienígenas existam (mas talvez não como imaginamos); que reza funciona (seja ela de bruxa, macumba, nas igrejas tradicionais ou em forma de passe espírita, tanto faz); que telepatia também funciona; que pode existir uma vida após a morte (se é corpórea ou não, em outra dimensão ou nesta mesma, se é semelhante à que vivemos…tanto faz), ou que pode não existir, enfim…estou aberta a qualquer possibilidade. Tudo que não dá pra provar, também não dá necessariamente pra refutar. O Big Bang pode ter acontecido. Mas Deus também pode existir, e pode ter criado o mundo em uma semana. Vai saber???

Seja como for, não sei se é relevante ficar falando das nossas características pessoais – talvez seja útil como uma espécie de auto-análise, para tentarmos perceber nossos pontos fortes e fracos? -, e nem ficar discutindo essas questões existenciais ditas “mais profundas”…adianta perder tempo tentando provar a existência ou a inexistência de Deus? Ou dos aliens? De quê adianta provar ou tentar refutar as crenças das pessoas? Acho que não. Prefiro muito mais ver como os escritores (e pintores, e dramaturgos, e músicos, e e e!) observa(ra)m o mundo e tenta(ra)m descrevê-lo ou entendê-lo. Porque a obra deles dizem mais a respeito deles próprios do que a respeito do mundo em si. E porque, por meio dessas observações, descrições e mimetizações, podemos “viajar” e ter experiências (ainda que abstratamente) diferentes das nossas. Em outras gerações (passadas ou futuras), em outros lugares, com outros…tudo! Viver muitas outras vidas, como o Altman e tantos mais disseram. Isso é que é legal. A nossa vida? Medíocre. Por mais notório que um indivíduo seja, ainda assim é medíocre, porque é uma vida só, um ponto de vista só, só aqueles lugares, aquelas pessoas…o legal é ver a amálgama de possibilidades que daria pra viver, mas que ninguém nunca viveu nem viverá, por estar confinado.

Ah, depois disso, lógico que eu não poderia acabar sem alguma lista…

– ir ao CCBB ver aquela mostra “O triunfo da cor” (tá acabando o tempo, Sô!)
– comprar Sif e bicarbonato de sódio
– escrever resenha sobre o I Festival Teclas & afins
– postar receita daquele bolo aqui
– ver espetáculo da cia. Cisne Negro sobre o Bowie
– comprar o CD do Remove Silence (minha cópia veio com defeito 😦 )
– ir à galeria do rock quando tiver com dinheiro
– parar de enrolar e começar a estudar pro processo seletivo
– corrigir provas

Categorias: Myself, People | Deixe um comentário

Final de semestre, teatro e outro livro


Alternando entre últimas aulas, revisões, provas e correção de provas. Fim inclusive do curso de R2 da São José – agora tem que entregar o relatório de estágio e das atividades complementares.

Falando nisso, ontem fomos (eu, o gato e a sogra) ver nosso amigo no teatro Ágora, na peça Tchekhovianas I (o bom é que vai ter uma II e uma III, êêêê!!!!). Por conta do doutorado e da minha mudança, foi a primeira peça que vi em anos (também quero ver a da Cia. do Latão! e a outra que está em cartaz no Ágora, O Grande Inquisidor), estava com muita saudade do teatro!

Chegamos lá (fica na Rua Rui Barbosa, 672) bem antes do início – mais ou menos 40 minutos -, pois não sabíamos com quanta antecedência deveríamos comprar os ingressos…aí ficamos admirando o jardinzinho interno que tem ali ao lado do saguão onde todos esperam o início dos espetáculos. Tinha 2 cachorros super simpáticos nos fazendo companhia, mas não descobrimos o nome deles *rs* Muito fofos!

Deu o horário, e nos chamaram para entrar. Sala pequena, escura, e um ator no mini-palco (nosso amigo, justamente). Já estava frio, mas a narração e a sonoplastia ampliaram consideravelmente nossa sensação térmica! *rs* Acabada esta primeira narração (como já devem ter percebido pelo nome, a peça tem por base contos do russo A. Tchekov 😉 ), a parede ao fundo se abre e revela outra cena – outros personagens, outra história, mesmo frio *rs*. Ao final dela, os espectadores são convidados a se mover para outra sala, e depois para outra ainda. Muito interessante! Todos os atores maravilhosos. Todos os contos idem (quem leu, sabe! Quem não leu, vá ao teatro! Quem não puder ir ao teatro, leia!).

E, claro, por trás de tudo tem o trabalho do diretor – no caso, um dos fundadores do Agora, Celso Frateschi (se nunca ouviram falar dele, ouçam :P). A peça fica em cartaz até 03 de julho. Corram!!!! Meros R$ 30 o ingresso inteiro (15 a meia-entrada! Mais barato que uma porcaria de refeição no McDonald’s!). Abaixo o texto oficial acerca da peça:

Em cartaz até 03 de julho.

O Núcleo de Pesquisa de Interpretação do Ágora teatro apresenta um projeto que busca investigar formas contemporâneas de se construir a cena e o trabalho do ator, partindo do estudo e criação de artistas interessados em pesquisar o teatro de característica narrativa. Neste primeiro momento, foram selecionados para o aprofundamento de pesquisa alguns contos de Anton Tchekhov que se relacionam em muitos aspectos da dramaturgia contemporânea.

Com direção de Celso Frateschi, o espetáculo “Tchekhovianas I” é a primeira edição de três apresentações diferentes que depois culminarão num espetáculo único, e apresenta quatro contos encenados isoladamente em diferentes espaços do teatro Ágora, onde o público será guiado em uma espécie de espetáculo itinerante. O conto “Uma Noite Terrível” se passa em uma sessão de espiritismo onde um homem recebe uma revelação assustadora. Em “Aniuta”, uma moça presta serviços aos estudantes em troca de moradia em uma pensão modesta. O conto “Do Diário de um Auxiliar de Guarda-Livros” revela registros do diário pessoal de um aspirante a Guarda Livros. E em “A Corista”, uma cantora recebe em sua casa a visita de uma mulher distinta e misteriosa.

Os quatro contos são o ponto de partida da primeira edição desse processo de caráter continuado.

Ficha técnica
Direção: Celso Frateschi
Cenários e Figurinos: Sylvia Moreira
Trilha Sonora: Daniel Maia
Desenho de Luz: Osvaldo Gazotti
Assistente de Cenários e Figurinos: Sofia Fidalgo
Assessoria de Imprensa: Daiane Nicoletti
Fotos: Gisela Schlögel

Atores do Núcleo de Pesquisa de Interpretação do Ágora:
Fernanda Cunha | Inês Soares Martins | Maria Cristina Vilaça | Olival Nóboa Leme | Rodrigo Melgaço | Roger Marinho Martin | Scylla Miziara

Espetáculo: Tchekhovianas I
Quando: De 11 de junho a 3 de julho
Sessões: sábados e domingos, às 17h
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Quanto: R$30,00 (inteira) R$15,00 (meia)
Pontos de venda: Na bilheteria do teatro 01 hora antes do espetáculo
Capacidade: 20 pessoas por sessão
Onde: Ágora Teatro – Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista
(11) 3284 0290 | agora@agorateatro.com.br | facebook.com/agoraCDT

 

Aí voltamos pra casa e comecei a ler Exorcismo, de Thomas B. Allen. Terminei hoje. É a história real por trás do filme O exorcista (aquele com a Linda Blair, da menina vomitando verde e girando a cabeça 360 graus), que causou pesadelo em muitas crianças *rs* Claro que não tem o apelo nem o sensacionalismo do filme, nem do livro do Blatty, mas é muito mais legal, justamente por relatar testemunhos de quem estava lá. Não se tratava de uma menina, e sim um menino (cujo nome real não é revelado, mas tratado pelo nome fictício Robert Mannheim), e o fato aconteceu em 1949. Tem inclusive, ao final do livro, as páginas do diário de um dos padres. Infelizmente, a tradução não foi das melhores, dá pra perceber erros básicos, mas mesmo assim é uma leitura bem interessante – tanto para quem acredita nesse tipo de fenômeno, como para quem se interessa por psicologia.

Categorias: Books/Livros, Entertainment, Health and wellness, Myself, People, Saúde e bem-estar, Several things! | Deixe um comentário

DOSSIÊ: GÊNERO, DIVERSIDADE E EDUCAÇÃO


Leiam aqui!

Categorias: Books/Livros, Health and wellness, News and politics, Notícias e política, People, Saúde e bem-estar | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Fornecedores casamento


Já se passaram alguns meses desde o casamento, então antes que me esqueça, eis os fornecedores de uma festa que todo mundo elogiou muito, e que até o noivo, relutante com os gastos, aprovou! 😉

(leia aqui dicas do Procon para não cair em ciladas quando estiver preparando seu casamento!)

Quem vai casar ou já casou, ainda mais com cerimônia religiosa e jantar em buffet, sabe que tem muito detalhe para organizar, preços a combinar e negociar, é tudo corrido e estressante. Chegamos a estes fornecedores depois de muita, MUITA pesquisa, e depois de testar, ver, comer várias coisas…os preços de tudo estavam e continuam o olho da cara, mas ao mesmo tempo não quisemos abrir mão da qualidade. Acho que em termos de custo-benefício estes fornecedores continuam sendo campeões! Não me arrependo de nenhum dos serviços contratados, muito pelo contrário, saiu melhor que a encomenda 🙂 por isso os indico a seguir:

fotografia: LuPa Fotografia

O Luiz Paulo é meu irmão, mas não é por isso que o recomendo…as fotos dele de fato ficam muito muito MUITO boas!!!)

doces: Rivaldo Nascimento (Grand Douce Finale) – site e Facebook

Doces espetaculares, deliciosos, esteticamente lindíssimos e baratos com relação a outros de qualidade muuuuuito inferior que vi por aí!!! Detalhe: ao invés de ter que me deslocar para poder experimentar os doces, o Rivaldo os trouxe na minha casa! E não trouxe apenas um ou dois docinhos não…era uma CAIXA repleta de doces, um melhor do que o outro!!! A família inteira participou da degustação, ficamos em dúvida sobre quais escolher, queríamos todos…

Atenção: muitas vezes o próprio buffet disponibiliza docinhos; porém, é importante levar em conta o número de doces. O ideal é que sejam aproximadamente de 7 a 10 docinhos por convidado. No meu caso, os docinhos do buffet eram muito gostosos, mas eram apenas 3 docinhos por convidado…achei pouco demais, ainda mais considerando que os membros das nossas famílias são formigões! *rs* E dito e feito: o pessoal começou a comer docinhos ainda no coquetel inicial…beeeem antes do jantar…).

bem-casados: Emília

Doces sem serem enjoados, fresquinhos, macios, molhadinhos…deliciosos. Todo mundo fala dos bem-casados da Conceição. Pois é: experimentei ambos, e os da Emília são EXATAMENTE iguais aos da Conceição, com a vantagem de serem mais baratos 😉  Depois, pesquisando a respeito, descobri que a Conceição aprendeu a fazer bem-casados com a Dona Emília, elas eram da mesma família! *rs*

cabelo, maquiagem e dia da noiva: Tiemi Cabelereiros

O salão pertence a uma família oriental. A Tiemi é filha da dona, e fez minha maquiagem. O Frank faz meu cabelo desde que eu tinha 14 anos de idade. Não teve um convidado que não tenha elogiado o trabalho deles…eles fazem exatamente o que você quiser (maquiagem forte ou fraca, cabelo assim ou assado, enfeite de cabelo assim ou assado…), e ainda dão mais sugestões! Tem teste de cabelo e maquiagem umas duas semanas antes, claro!

Quanto a mim: fiz as unhas no dia anterior, para economizar tempo. Só retoquei a unha da mão no dia do casamento. Cheguei ao salão após o almoço, comecei com uma massagem de uma hora, depois fui para uma banheira cheia de espuma…super chato 😉 Tinha um quarto bem grande à minha disposição, com sofás, cadeiras e mesas…e meu próprio banheiro. E ainda por cima teve chá da tarde!!! E o melhor: sem ninguém por perto. Pedi privacidade total, não queria nem fotógrafo enchendo os pacovás. Pra quê tirar foto da noiva de roupão, gente???? Claro, existia a possibilidade de levar todas as madrinhas, mãe, todo o circo, enfim…tem gente que começa a festa de casamento já no salão de cabelereiro *rs* Não foi o meu caso.

Ah, tem também pacotes mais completos, que incluem almoço, depilação de pernas, virilha, design de sobrancelha e afins…eu peguei o pacote mais simples por não querer nada disso.

convites: site Marisa convites e Facebook

Entregou os convites e reservas de mesa e cardápios tudo bonitinho, como combinado, num modelo lindo e clássico com laço Chanel, papel perolado listradinho, letras em relevo e iniciais dos noivos. Tudo fofo, e no prazo. Teve alguns que vieram com defeito, então pedimos para refazer, mas nada estressante.

vídeo: Estúdio Tecno Arte e Facebook

lembranças dos pais e padrinhos: Nazareth Bittencourt e Facebook

lembranças dos convidados e topo do bolo: Mar Noivas

Lembranças entregues nos conformes, e no prazo. Parece simples mas, acredite, você não quer comprar algo e perceber bem em cima da hora que não era bem aquilo….e você certamente não quer ficar estressado por não receber as coisas no dia combinado. É básico, mas tem quem não cumpra…

assessoria: Festejai

Eu achei a maior frescura quando me disseram que o ideal seria ter uma assessora de casamento. Como assim?!? Ela seria uma espécie de babá??? Pra quê isso, gente, pra torrar mais dinheiro??? Mas, acredite, você VAI querer contratar uma assessoria, sobretudo nos momentos mais cruciais e estressantes. É ela que vai verificar se tudo será entregue nos dias e horários certos, entrar em contato com todos os fornecedores, te lembrar disso e daquilo (inclusive de contratar gerador, algo que não é óbvio mas essencial!), ver se tudo está caminhando corretamente (inclusive no dia da cerimônia), enfim…todos os abacaxis, pepinos e demais elementos do reino vegetal 😛 serão descascados pela assessoria, e você vai ficar tranquila ao perceber que o trabalho está sendo muito bem feito, se for uma profissional como a Katia 🙂 A equipe dela é super gentil também, adorei!!!

flores e decoração: Sumirê

coral e orquestra: Gênesis

vestido: Center noivas

calçados: Regina Rios e Constance

site contendo todas as informações pertinentes sobre o casamento e lista de presentes: Icasei

o bolo (tanto o fake quanto o de verdade), as bebidas, o DJ, a comida e o local eram do buffet, e infelizmente não posso indicá-los porque apesar do trabalho excelente que fizeram, e faziam havia mais de 30 anos, aparentemente um dos sócios deu o golpe em vários casais aproximadamente um mês após nosso casamento….:(

Categorias: Entertainment, Food and drink, Imagens/Images, Myself, People, Photos, Saúde e bem-estar, Several things! | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 3 Comentários

Men can stop rape.Los hombres pueden prevenir la violación. Contre le viol. Os homens podem prevenir o estupro.


…e sim, mesmo quando um homem e uma mulher são casados, ainda é estupro. Denuncie.

…and yeah, even when a man and a woman are married, it’s still rape. Denounce it.

…et oui, même quand un homme et une femme sont marriés, c’est encore le viol. Denoncez-le.

Janus Aureus

If you’re an English speaker, visit http://www.mystrength.org

Si hablas español, visite http://www.mifuerza.org

Si vous êtes francophone, vous pouvez aller ici et signer la pétition: http://www.contreleviol.fr/

Ver o post original

Categorias: News and politics, Notícias e política, People | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Tese sobre teses


Um amigo me mandou, em 18 de setembro de 2014 (!!) – nossa, ainda não me conformo como não vi a mensagem dele até ontem…- reflexões a respeito das dissertações de mestrado e teses de doutorado. Depois, se ele me permitir, reproduzo aqui o que ele disse. De toda forma, dentre outros textos, ele me indicou a leitura de um crônica do Mario Prata sobre o assunto.

Lá vai um trecho do texto do Prata, caso o link não funcione futuramente:

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.

São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspeta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

(…)

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo para, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.

Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Não tenho permissão para publicar nem a crônica do Prata e nem os questionamentos do meu amigo, mas posso colar minha resposta a ele aqui, afinal, é de minha autoria 😉

Adoro o Mario Prata, ele escreve muito bem! E só ele mesmo para trazer um assunto como teses acadêmicas para o mundo da crônica…que bom que você me apontou essa, acabei de ler.

Os pontos que ele levanta, e os que você levanta, são cruciais, obviamente. Não posso falar por todos, então vou falar apenas da minha experiência, e do que observo por aí.

Venho lendo dissertações e teses desde o segundo ano da faculdade (se soubesse a respeito delas desde o primeiro, teria lido mais algumas, mas eu era tonta e ignorante *rs*). Escolhi um tema difícil para fazer um trabalho final quando estava no segundo ano, e um dos professores me recomendou uma visita à sessão de teses da biblioteca…foi como se estivesse descobrindo outro mundo, uma espécie de biblioteca “palalela”. Não é muito difícil perceber que aquelas prateleiras estão entre as menos frequentadas de todas, o que é uma pena, pois é conhecimento público obtido com dinheiro público e muito esforço pessoal (como o Prata descreveu perfeitamente na crônica dele – aposto que ele teve contato diário com mais de uma pessoa nessa situação, heheheh, tadinho!) que poderia estar sendo transmitido e não está…um conhecimento obtido a partir de inúmeras leituras e destrinchado, muitas vezes mais didático (bom, nem todos os autores de tese se preocupam com o aspecto da inteligibilidade, como bem observou o Prata, mas há várias exceções!).

De lá para cá acho que essa situação não mudou muito, isso que é mais deprimente. Sinto que existe, além da falta de acesso (quem não é da universidade não pode retirar teses), preconceito – é como se pensassem que, por determinado estudo não ter sido publicado, ou seja, ratificado por uma editora comercial, ele não valesse a pena (mesmo tendo passado por banca examinadora duas vezes, hein!).

Mas teve sim uma mudança significativa: as teses passaram a ser disponibilizadas online. Isso ocorreu a partir do ano de 2001, se não me engano. As mais antigas não estão online (eles devem ter um projeto para digitalizar todo o acervo, mas imagino que isso demore séculos, ainda mais que a galera escrevia pra caramba antes, já que os prazos para completar mestrado e doutorado giravam em torno de 10-15 anos…), mas a informação “fresquinha”, sim. Tudo bem que o pessoal de hoje não é nenhum Antonio Candido…até porque, como dito anteriormente, a gente mal entra no mestrado e no doutorado e já tem que qualificar e defender em seguida….e os prazos continuam diminuindo….quando a prioridade das agências financiadoras passa a ser o dinheiro e produtividade, como se pesquisa e conhecimento fossem produzidas numa linha de montagem, e as universidades se tornam reféns delas por conta de falta de verba, dá nisso 😦 Mesmo assim, melhor disponibilizar tudo, ainda que de qualidade inferior, do que não haver acesso a nada ou a quase nada.

Algumas teses são super populares, e o motor de busca permite baixar qualquer tese de qualquer faculdade da nossa universidade, ou seja, não se tem mais que encarar aquela burocracia toda, ir pingando de faculdade em faculdade, de biblioteca em biblioteca, procurando as obras manualmente e, depois de encontrar o que interessa, ainda tentar obter autorização da faculdade de origem e da que está emprestando a tese, blablabla…achei maravilhoso!

Já baixei, por pura curiosidade, teses de astronomia (não deu pra entender grande coisa *rs*), medicina (sobre um problema de saúde da minha mãe), psicologia (sobre depressão, assunto sobre o qual acho essencial ler), etc. Aliás, as teses digitais me ajudaram inclusive de última hora, quando estava prestando concurso e não tinha tempo de procurar material fisicamente. E continuam me ajudando agora que dou aulas sobre assuntos nos quais não sou especialista, e sobre os quais aprendi há muitos anos, na graduação…baixo o conteúdo e estudo antes de preparar minha aula. Nem sempre encontro tudo o que gostaria, o que não é de se espantar, considerando-se o desestímulo para qualquer um que queira prosseguir seus estudos e pesquisa 😦 Ouvi dizer inclusive que estão sobrando bolsas!!! Na minha época (agora estou soando velhinha MESMO! *rs*) tinha fila de espera pelas bolsas…eu mesma só consegui bolsa no último ano do meu mestrado. Já no doutorado consegui de cara (quem quer fazer doutorado???).

Tudo isso para dizer que sou super fã de teses *rs* Tem as mal escritas? Claro! Tem as irrelevantes, ou com temas irrelevantes? Vixe, é o que mais tem! (outro dia li uma do Recife, sobre tatuagens de periguetes hahahahah) E tem as complicadas, arrogantes, que foram escritas “em código”, apenas para “os pares” lerem e entenderem. Mesmo assim, os benefícios do acesso às informações superam tudo isso.

Ah, esqueci de dizer que, fora essa minha mania de procurar teses e lê-las por conta própria (coisa que todo estudante universitário deveria fazer), no departamento ao qual eu pertencia enquanto doutoranda havia nosso grupo de estudos, que tinha reuniões mensais. O professor incentivava que todos apresentassem aos colegas sobre o que estavam estudando, em que pé estava o projeto, o que já havia sido descoberto durante os estudos e assim por diante. Quando chegava a hora da qualificação, éramos incentivados a comparecer para ver como seriam as críticas àquele trabalho que já estávamos acompanhando há tempos…idem na defesa. O autor disponibilizava a tese antes da defesa para quem quisesse ler, então na defesa a gente não ficava “boiando”, acompanhávamos e sabíamos exatamente do que a banca estava falando. Claro que cada um tem sua própria pesquisa, então a tendência majoritária é quase não dar bola para o trabalho alheio e nem ler o que foi escrito, pela falta de tempo, mas eu li tudo o que os outros orientandos da minha época escreveram, dava o maior orgulho dos meus colegas, tinha coisas muito boas! Não sei se este espírito colaborativo permaneceu lá ou se se esvaiu, tudo depende de quão bem as pessoas se dão umas com as outras….naquela época a gente era super sincronizado uns com os outros, tinha uma camaradagem e tal. Espero que tenha permanecido!

Sim, a questão sempre foi e continua sendo discutir sobre assuntos interessantes e extremamente relvantes com um público muito restrito. Você começou seu texto, e o Mario Prata fez o mesmo na crônica dele, questionando quem vai ler, se é que alguém vai ler, tanta tese importante escrita. E que esse conhecimento vai cair no vácuo. Pois bem. Se eu tivesse parado assim que escrevi meu mestrado e meu doutorado, talvez isso acontecesse mesmo. Só que, depois disso, prestei concurso e hoje leciono (aliás, são minhas últimas semanas aqui, snifff, estou ficando um pouco deprê por conta disso…) numa universidade pública, o que me permite compartilhar tudo o que descobri nos meus estudos, o que aprendi com meus professores e o que continuo aprendendo ao preparar minhas aulas. Não faz sentido estudar e manter esse conhecimento a sete chaves…não entendo por que raios tem gente que faz isso, muito menos por que tem gente que GOSTA de fazer isso, mantém o conhecimento trancado para si e para os “poucos eleitos”. Só pode ser falta de auto-estima, não tem outra explicação…uma pessoa “normal” tem curiosidade, pergunta, vai atrás, lê, e depois que descobriu pelo menos parte das respostas vai querer contar pros outros, não tem como não fazer isso, ainda mais se o assunto é relevante, importante e concerne a todos os seres humanos!!!

Então é isso: você não deve ter receio de entrar de cabeça nisso por conta de que pouca gente vá ler seu trabalho, porque existem outras formas de você expor e continuar este trabalho para um público muito maior (claro que salas de aula não se comparam à audiência da Globo, mas já é alguma coisa…até porque dali vão sair formadores de opinião também). Claro, eu posso estar expondo informações incompletas, opiniões debatíveis, etc., mas pelo menos estou tentando fazer minha parte, e não baseando-me apenas em achismo, e sim no que pesquisei.

Falei, falei, e não li os 5 trabalhos que você me recomendou 😦 E preciso ir, fiquei sem tempo!! Beijos!

Categorias: Books/Livros, Hobbies, Notícias e política, People, Quotes | Tags: , , , | Deixe um comentário

Aurora

Uma imagem vale mil palavras, então...

Pedazos de miel en jaula

La existencia, la introspección y la experiencia

Filosofia Animada

Sitio Virtual onde se encontra o registro das práticas educacionais do Prof. Daniel Carlos.

throughdanielleseyes

Words, thoughts, and snapshots of life.

Dirty Sci-Fi Buddha

Musings and books from a grunty overthinker

BaileyBee

The Hive

Chairybomb

Honest Furniture Reviews

ricardo barros elt

Thinking and Living English

BA -VISUAL LESSON PLANS

for English teachers.

viralelt.wordpress.com/

Viral Videos for Higher Level ELT | Ian James | @ij64

Progressive Transit

For better communities and a higher standard of living...

Josh, Naked

A mental birthday suit

colossalvitality

Just another WordPress.com site

sindhuspace

Claiming the better half for women in a Man's World

Cybele's Haus of Digital Pain

kismetly crestfallen

Amanda Ricks

Digital Marketing For People By People.

CamiNique

Blog literário

wolf4915

Writing, Photography, Digital Art, Painting + News!

Le Blog BlookUp

Imprimez et transformez vos contenus digitaux, blogs et réseaux sociaux, en magnifiques livres papier sur blookup.com

Dr. Eric Perry, PhD

Psychology to Motivate | Inspire | Uplift

Jornal Acorda Getúlio

Os alunos fazem a escola

Kate Gale: A Mind Never Dormant

The life of a writer/editor

Biblioteca Florestan

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP

Photography Art Plus

Photography, Animals, Flowers, Nature, Sky

Violet's Vegan Comics

Vegan Children's Stories

Cafe Book Bean

Talk Books. Drink Coffee.

marioprata.net

Site oficial do escritor Mario Prata

Eric Schlehlein, Author

(re)Living History, with occasional attempts at humor and the rare pot-luck subject. Sorry, it's BYOB. All I have is Hamm's.

Through Open Lens

Home of Lukas Kondraciuk Photography

OldPlaidCamper

The adventures of an almost outdoorsman...

PROVERBIA

"Crítica Social, Lírica y Narrativa"

Top 10 of Anything and Everything - The Fun Top Ten Blog

Animals, Gift Ideas, Travel, Books, Recycling Ideas and Many, Many More

gaygeeks.wordpress.com/

Authors, Artists, Geeks, Husbands

DaniellaJoe's Blog

crochet is my favorite fiber art and my goal is to become a real artist...