Religion

Variadas


Fui à mostra “O triunfo da cor” no Centro Cultural Banco do Brasil hoje, finalmente! Depois (sempre deixo pra depois, eu sei :P, e muitas vezes não funciona *rs*) escrevo mais detalhes, mas só digo uma coisa: meu andar favorito não foi o que tem Van Gogh, Cézanne nem Gauguin. Foi o terceiro andar, maravilhoso!!!! Vão lá ver, fica até 7 de julho e é muito bonita! E pode tirar foto sem flash com celular 🙂 Um dos meus quadros favoritos lá:

E este outro, Naufrage:

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Outro dia *alguém* me perguntou a respeito das festas juninas – essa pessoa achava que todo mundo faz festa aleatoriamente em junho apenas pra pular fogueira, soltar fogos, bater papo, comer e beber coisas gostosas e engordativas (o que não deixa de ser verdade também! hahahahhaha), e não sabia que neste mês há dias comemorativos de pelo menos 4 santos – a saber, São João, Santo Antônio, São Pedro e São Paulo. Se você se inclui no time dos que não sabiam que se tratava desses santos, favor ler esses links da Wiki! 😛

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Ainda preciso escrever sobre o filme Truman, que o gato “adorou” *rs* Assistimos durante o feriado (Páscoa? Não lembro…) quando estávamos em Santos. Finalmente um filme bom!!!

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Semana passada ensinei alguns palavrões básicos em Inglês durante a aula, por considerar que é essencial saber quando ou se você está sendo xingado numa língua que você não conhece direito…e, sobretudo, para que se possa responder à altura 😛 Tiraram foto da minha lousa, afff…espero que não dê processo depois!!! Todos maiores de idade na sala, claro!

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…e por falar em maior de idade: descobri que a avó de um dos meus alunos tem 61 anos de idade. Minha mãe tem 63! Ele me disse que a mãe o teve aos 18 anos de idade – portanto, ela hoje tem 42 anos de idade. Ou seja, sou velha o suficiente para ter um filho cavalão de 17 anos de idade, que estaria prestando vestibular agora!!! Credo! Pior que isso: tenho aluno que nasceu em 2001. Nesses momentos eu realmente me sinto velha. Coroca. Afinal, me lembro nitidamente de tudo o que aconteceu em 2001 – estava no terceiro ano da faculdade, já dava aulas de Inglês…afff!!!

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Ultimamente (= nos últimos anos) tenho a mania de ler vários livros concomitantemente. Alguns às vezes ficam pra trás. Outros são lidos até o final. Atualmente, estou lendo ao mesmo tempo mais livros do que o normal. Vejamos…

The ocean at the end of the lane – Neil Gaiman – Comecei a ler ontem, durante a prova dos alunos! Estou na página 20 (letrinha pequeeeenaaa, arre!), mas já deu pra ver que vou ler rapidinho, e que é ótimo!

The Snow Queen and other winter stories – vários autores – comecei a ler em novembro do ano passado! Não levem a mal, as histórias são maravilhosas – tem coisas do Hans Christian Andersen (a história que dá título ao livro está aqui neste post), do Oscar Wilde, dos irmãos Grimm, tem histórias folclóricas anônimas, enfim…tem de tudo. Quis ler quando estava no verão, porque o calor era insuportável e, quando a narrativa é boa, ela tem o poder de me transmitir qualquer sensação térmica, independente do ambiente em que eu esteja. Por isso, leio coisas sobre o inverno no verão, e coisas sobre o calor no inverno 🙂 Quando faço o oposto, quase morro! *rs* Agora, vejam só, cá estamos no verão e ainda estou lendo. Ficou parado muito tempo, enquanto eu cuidava da Lilith…e me trazia memórias dela, por isso não quis mais pegar. Mas vou retomar agora. Estou na página 319, e não tem problema ler ao mesmo tempo que outros livros, pois são contos independentes (via de regra curtos…).

The Magicians – Lev Grossman – Comprei aleatoriamente meses atrás, baseando minha decisão na orelha! Nunca ouvi falar no autor ou no título.

Na capa estava escrito “Estreia em breve no Sy-Fy” (canal de televisão), mas procurei no canal e não achei nada. Esta semana, finalmente estreou a série na TV. Só vi os primeiros minutos, não deu tempo de assistir. Aí, resolvi tirar o livro da estante e começar a ler para comparar esses primeiros minutos da série com o livro. Claro que o livro é melhor, dã! 😛 Então vou ler (estou na página 63, comecei há dois dias. Vai ser rapidinho também), apesar de ser parte de uma trilogia, e eu não ter os outros 2 livros…ODEIO quando termino um livro e não tenho o restante para prosseguir!

(é o caso do livro Queen of the Tearling, que li ano passado e tô até agora esperando achar a continuação numa loja qualquer, mas pelo jeito vou ter que recorrer à internet…disseram também que os direitos autorais foram vendidos para o cinema, e que a Emma Watson faria o papel principal, mas até agora, não ouvi mais nada!)

(também preciso achar a continuação dos livros da Elle Casey! Sei que ela lançou pelo menos um que ainda não li, e deve lançar mais uns 2 ou 3…)

Best ghost stories – vários autores, excelente! Tem conto do Charles Dickens, do Sir Walter Scott, do Robert-Louis Stevenson, do Rudyard Kipling…espetacular! Alguns dão medinho, heheheh 🙂 Estou na página 171, e tampouco tem problema de ler junto com outras coisas porque, como a Snow Queen, é uma coletânea de contos, e quero mais é que dure bastante mesmo! 😀

– Mario de Sá Carneiro – Obra completa (volume único). – tem de tudo aqui! Poesia, prosa, correspondência, teatro. Estou na página 86, na parte de poesia. Bem sombrias, melancólicas e-ou nostálgicas. Estilo crise existencial, sabe? Me lembra Fernando Pessoa (ele mesmo e um de seus heterônimos hehehehe).

A quinta onda – Rick Yancey – Também parte de uma trilogia, mas consegui comprar as sequências (o terceiro comprei em Inglês por não achar em Português – o gato vai ter que se virar pra ler, tadinho!). Estou na página 30.

O gigante enterrado – Kazuo Ishiguro. Sou fã desse hómi! Ele é um autêntico japa-britânico *rs* Virei fã desde que li The remains of the day, e depois comecei a ler Never let me go (pois é, outro inacabado…). Comprei em português mesmo, porque não achei em Inglês. Depois até achei o original, mas tava caro! Tô na página 43, ainda boiando…ele não nos localiza direito nem no tempo, nem no espaço. E tem um lance estranho de perda coletiva de memória rolando! Vamos ver no que vai dar…tem uma resenha dele aqui, que fala que a história se passa na época Xis, mas só se der pra concluir mais tarde na narrativa, porque até onde li, não dá pra saber.

PS – esqueci de falar! Ano passado, li um livrinho do Tolkien pro qual eu não dava nada, Smith of Wooton Major. MUITO legal!!!!! Recomendadíssimo, para fãs e não-fãs do Tolkien! Mas é lógico que quem gosta de faerie vai curtir mais 😉

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Johnny Cash


http://musica.uol.com.br/album/2013/10/24/do-ceu-ao-inferno-com-johnny-cash.htm?abrefoto=5#fotoNav=1

 

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O Papalagui


Comentários de Tuiávii, chefe da tribo
Tiavéia nos mares do sul,
recolhidos por Erich Scheurmann

IV
As coisas em quantidade
empobrecem o
 Papalagui 

Reconhecereis também o Papalagui por seu desejo de nos convencer de que somos pobres, miseráveis e precisamos de muita ajuda e compaixão porque não temos as “coisas”. Vou contar-vos, amados irmãos das muitas ilhas, o que é uma coisa. O coco é uma coisa; o apanha-moscas, a tanga, a concha, o anel, o prato que se come, o enfeite que se põe na cabeça, tudo isso são coisas. Mas há duas espécies de coisas. Há coisas que o Grande Espírito é que faz, sem ninguém, que não custam esforço nem trabalho algum, como o coco, a concha e a banana. E há coisas que são os homens que fazem, que custam muito trabalho e esforço: o anel, o prato, o apanha-moscas.

O álii, então, acha que nos faltam as coisas que ele próprio faz com as mãos, as coisas dos homens, pois nas coisas do Grande Espírito ele não pensa. Ora, quem é mais rico, quem mais do que nós tem as coisas do Grande Espírito? Olhai em volta, olhai longe, longe, até onde a borda da terra sustenta a abóbada azul. Tudo está cheio de grandes coisas: a floresta virgem com seus pombos selvagens, os colibris e papagaios, a lagoa com suas holotúrias, conchas, lagostas, e outros bichos aquáticos, a praia com seu claro semblante e a pele macia da areia, a grande água, capaz de enfurecer-se como um guerreiro e sorrir como uma taopu; a imensa abóbada azul, que a toda hora se transforma, carregada de grandes flores que nos dão luz dourada e prateada. Por que é que havemos de ser loucos a ponto de querer mais coisas além das belas coisas do Grande Espírito?

Jamais poderemos criar como ele cria porque o nosso espírito é por demais pequeno e fraco em comparação com o poder do Grande Espírito. A nossa mão é fraca demais comparada com a sua grande e poderosa mão. Tudo quanto fizermos será medíocre; nem vale a pena falar disso. Podemos alongar com um pau o nosso braço, aumentar o oco da nossa mão com uma tanoa (1). mas não há Samoano nem Papalagui capaz de fazer uma palmeira nem o tronco de uma kava.

O Papalagui acredita, decerto, que pode fazer coisas assim porque se julga tão forte quanto o Grande Espírito. É por isto que milhares e milhares de mãos, da manhã à noite, não fazem mais do que fabricar coisas: coisas humanas que não sabemos para que servem e cuja beleza não percebemos. E o Papalagui está sempre procurando inventar mais coisas novas. Com as mãos febris, o rosto cor de cinza, as costas curvas, seu olhar se ilumina de alegria quando consegue fazer uma coisa nova. E todos logo querem ter a nova coisa; adoram-na, contemplam-na, cantam-na em sua língua.

Ó irmãos, acreditai no que vos digo: ocultei-me atrás dos pensamentos do Papalagui e vi o que ele quer, como se o iluminasse o sol do meio-dia. Destruindo, onde quer que vá as coisas do Grande Espírito, o Papalagui com sua própria força pretende dar vida, novamente, àquilo que matou, convencendo-se assim de que é o Grande Espírito porque faz muitas coisas.

Irmãos, imaginai que de repente venha a grande tempestade, arrancando a floresta virgem com as suas montanhas, com toda a folhagem e todas as árvores, levando todos os animais da lagoa, não deixando sequer uma flor de hibisco para que nossas moças enfeitem seus cabelos. Que tudo quanto vemos desapareça, mais nada reste além da areia: que a terra fique parecendo uma mão chata, estendida, ou um morro pelo qual escorreu a lava ardente -todos nós teremos saudades da palmeira, da concha, da floresta, de tudo teremos saudades. Lá onde estão as cabanas dos Papalaguis, os lugares que chamam cidades, lá, no entanto, a terra está deserta tal qual uma mão vazia e, por isto, o Papalagui fica louco, imagina ser o Grande Espírito, a fim de esquecer o que não tem. Porque está muito pobre, porque a sua terra está muito triste, o Papalagui pega nas coisas, ajunta-as, feito o doido que ajunta folhas murchas e com elas enche a sua cabana. Mas é também por isto que nos inveja e deseja que fiquemos tão pobres quanto ele.

Mostra que é muito pobre aquele que precisa de coisas em quantidade porque, assim, prova que lhe faltam as coisas do Grande Espírito. O Papalagui é pobre porque é obcecado pelas coisas, sem as quais já não consegue viver. Quando do dorso da tartaruga faz uma ferramenta com que alisa os cabelos, depois de neles passar óleo, o Papalagui ainda faz uma pele para a ferramenta e para esta pele faz um pequeno baú e para o pequeno baú faz outro grande; tudo ele coloca em peles e baús. Tem baús para as tangas, para as roupas de cima e de baixo, para os panos com que se enxuga, com que limpa a boca, e outros panos mais; baús para as peles que põe nas mãos e para as peles que põe nos pés, para o metal redondo e o papel pesado, para as provisões de boca e para o livro sagrado, para tudo, para tudo mesmo. Ele faz muitas coisas quando apenas uma é suficiente, ele faz inumeráveis coisas. Se fores à cozinha do europeu, verás uma quantidade de pratos, tijelas, potes que nunca serão usados. E para cada comida há uma tanoa diferente, e mais outra para a água, para a kava européia, para o coco, para os pombos.

As cabanas européias têm tantas coisas que, mesmo se cada habitante de uma aldeia samoana enchesse suas mãos e seu braços, a aldeia inteira não bastaria para levá-las todas. Numa só cabana existem tantas coisas que a maioria dos chefes brancos precisam de muitos homens e mulheres que nada fazem senão pôr todas estas coisas nos lugares em que devem estar e limpá-las da areia que as cobre. E mesmo a taopu mais importante passa muito do seu tempo contando as muitas coisas que tem, arrumando-as, limpando-as.
Sabeis, irmãos, que não minto, que vos digo o que, em verdade vi, sem tirar, nem pôr. Podeis acreditar que existem, na Europa, homens que levam à própria fronte o cano de fogo para se matarem porque acham melhor morrer do que viver sem as coisas. Pois o Papalagui embriaga de todas as formas o seu espírito e se convence de que não pode viver sem as coisas, tal qual o homem não vive sem comida.

Foi por isto que jamais vi cabana na Europa onde pudesse deitar-me na esteira; onde alguma coisa não me impedisse de esticar os membros. Todas as coisas brilhavam como relâmpagos, todas berravam com a boca das suas cores, de tal forma que não conseguia fechar os olhos. Jamais consegui encontrar a verdadeira tranqüilidade, jamais fiquei tão desejoso de minha cabana de Samoa, onde nada mais tenho do que minhas esteiras e o rolo em que ponho a cabeça para dormir; onde nada me atinge senão o brando vento alísio do mar.

Quem poucas coisas tem julga-se pobre, sente-se triste. Não há Papalagui que cante, que seja alegre, se só tiver, como cada um de nós, apenas uma esteira e um prato. Os homens e as mulheres do mundo dos Brancos sofreriam em nossas cabanas e correriam a buscar madeira do bosque, carapaças de tartaruga, vidro, arame, pedras coloridas e muitas outras coisas; e poriam suas mãos em movimento, da manhã à noite, até que as suas casas se enchessem de coisas pequenas e grandes; coisas que se estragam com facilidade, que qualquer fogo, qualquer grande chuva tropical destrói, sempre obrigando a fazer outras novas.

Quanto mais se é europeu de verdade, de mais coisas se precisa. É por isto que as mãos do Papalagui estão sempre fazendo coisas. £ por isto que o rosto de muitos Brancos se mostra cansado e triste; é por isto que pouquíssimos dentre eles têm tempo para ver as coisas do Grande Espírito, para brincar na praça da aldeia, inventar e cantar canções alegres, dançar à claridade do sol e dar aos corpos a alegria para a qual todos fomos feitos (2).

Os Papalaguis precisam fazer coisas, precisam guardá-las. Elas se prendem e se agarram a eles como formiguinhas de areia. Os Papalaguis cometem crimes a sangue-frio para se apossarem das coisas. Guerreiam entre si, mas não é pela honra, nem para medir a sua força verdadeira; é só para ter as coisas.

No entanto, eles sabem quanto é pobre a vida deles; senão, não haveria tantos Papalaguis que são muito estimados porque passam a vida inteira mergulhando pêlos em líquidos de várias cores e com eles jogando belas imagens em esteiras brancas; copiando todas as bonitas coisas de Deus, com todas as nuances das cores, com toda a alegria sincera de que são capazes. Modelam também criaturas de barro mole, sem tanga, moças tão bonitas, com movimentos livres e tão belos quanto a taopu de Matautu ou formas de homens que brandem a clava, retesam o arco e perseguem o pombo selvagem na floresta: homens de barro para os quais o Papalagui constrói cabanas alegres, e vem gente de longe para visitá-los e apreciar sua divina beleza. Ficam todos parados olhando, embrulhados nas suas muitas tangas. Vi Papalaguis chorando de emoção ao contemplar tanta beleza, a beleza que eles mesmos perderam.

Os homens brancos gostariam de trazer para nós os seus tesouros, suas coisas, para que nós também fôssemos ricos. Estas coisas, no entanto, não são mais do que flechas envenenadas que matam aqueles em cujo peito se penduram. “Precisamos obrigá-los a ter necessidades”, ouvi da boca de certo homem que conhece a nossa terra. Necessidades, quer dizer, coisas. “Pois só assim eles terão verdadeiro gosto pelo trabalho”, disse então o homem inteligente. Queria dizer que nós também devemos pôr as nossas mãos a trabalhar, fazendo coisas; coisas para nós, sim, mas em primeiro lugar coisas para o Papalagui. Nós também devemos ficar cansados, cinzentos, curvados.

Irmãos das muitas ilhas, precisamos velar e ter juízo porque as palavras do Papalagui são doces como a banana, mas cheias de dardos escondidos, capazes de nos privar de toda luz e de toda alegria. Jamais nos esqueçamos de que só precisamos de poucas coisas além daquelas que são do Grande Espírito. Ele nos deu os olhos para ver as suas coisas; e para vê-las todas é preciso mais do que uma vida de homem. A boca do homem branco nunca disse maior inverdade do que esta: “As coisas do Grande Espírito não valem”. As coisas deles é que valem muito, é que valem mais. No entanto, as coisas dele que são tantas e tão relampejantes e cintilantes,que atraem e seduzem tanto e de tantas formas, até hoje não fizeram mais bonito o corpo do Papalagui, não lhe deram mais brilho aos olhos, não lhe fortaleceram o juízo.

Portanto, essas coisas de nada servem; o que o Papalagui diz, o que nos quer impor, é animado pelo espírito mau e seu pensamento é carregado de veneno.

Notas:
1. Recipiente de pau, com vários pés, onde se fabrica a bebida nacional.
2. As comunidades samoanas reúnem-se com muita freqüência para brincar e dançar. A dança pratica-se desde a adolescência. Cada aldeia tem suas canções e seu poeta. À tarde e à noite canta-se em todas as cabanas. É muito agradável tanto pela riqueza da língua em vogais quanto pela sensibilidade musical muito apurada dos insulares.

* * *

V
O Papalagui não tem tempo

O Papalagui gosta do metal redondo e do papel pesado; gosta de meter para dentro da barriga muitos líquidos que saem das frutas mortas, além da carne do porco e da vaca, e de outros animais horríveis; mas ele gosta, principalmente, daquilo que não se pode pegar e que, no entanto, existe: o tempo. Fala muito no tempo, diz muita tolice a respeito do tempo. Nunca existe mais tempo do que aquele que vai do nascer ao pôr do sol e, no entanto, isto nunca é suficiente para o Papalagui. O Papalagui nunca está satisfeito com o tempo que tem;e acusa o grande Espírito por não lhe ter dado mais. Chega a blasfemar contra Deus, contra a sua grande sabedoria, dividindo e subdividindo em pedaços cada dia que se levanta de acordo com um plano muito exato. Divide o dia tal qual um homem partiria um coco mole com uma faca em pedaços cada vez menores. Todos os pedaços têm nome: segundo, minuto, hora. O segundo é menor do que o minuto, este é menor do que a hora; juntos, minutos e segundos formam a hora e são precisos sessenta minutos e uma quantidade maior de segundos para fazer o que se chama hora.
É uma coisa complicada que nunca entendi porque me faz mal estar pensando mais do que é necessário em coisas assim pueris. Mas o Papalagui disso faz uma ciência importante: os homens, as mulheres, até as crianças que mal se têm nas pernas usam na tanga, presa a correntes grossas de metal, ou pendurada no pescoço, ou atada com tiras de couro ao pulso, certa pequena máquina, redonda, na qual lêem o tempo, leitura que não é fácil, que se ensina às crianças, aproximando-lhes do ouvido a máquina para diverti-las.
Esta máquina, fácil de carregar em dois dedos, parece-se por dentro com as máquinas que existem dentro dos grandes navios, que todos vós conheceis. Mas também existem máquinas do tempo grandes e pesadas, que se colocam dentro das cabanas, ou se suspendem bem alto para serem vistas de longe. Para indicar que passou uma parte do tempo, há do lado de fora da máquina uns pequenos dedos; ao mesmo tempo, a máquina grita e um espírito bate no ferro que está do lado de dentro. Sim, produz-se mesmo muito barulho, um grande estrondo nas cidades européias quando uma parte do tempo passa.

Ao escutar este barulho, o Papalagui queixa-se: “Que tristeza que mais uma hora tenha se passado”. O Papalagui faz, então, uma cara feia, como um homem que sofre muito; e no entanto logo depois vem outra hora novinha.
Só consigo entender isso pensando que se trata de doença grave. “O tempo voa!”; “O tempo corre feito um corcel!”; “Dêem um pouco mais de tempo”: são as queixas do Branco.

Digo que deve ser uma espécie de doença porque, supondo que o Branco queira fazer alguma coisa, que seu coração queime de desejo, por exemplo, de sair para o sol, ou passear de canoa no rio, ou namorar sua mulher, o que acontece? Ele quase sempre estraga boa parte do seu prazer pensando, obstinado: “Não tenho tempo de me divertir”. O tempo que ele tanto quer está ali, mas ele não consegue vê-lo. Fala em uma quantidade de coisas que lhe tomam o tempo, agarra-se, taciturno, queixoso, ao trabalho que não lhe dá alegria, que não o diverte, ao qual ninguém o obriga senão ele próprio. Mas, se de repente vê que tem tempo, que o tempo está ali mesmo, ou quando alguém lhe dá um tempo — os Papalaguis estão sempre dando tempo uns aos outros, é uma das ações que mais se aprecia — aí não se sente feliz, ou porque lhe falta o desejo, ou está cansado do trabalho sem alegria. E está sempre querendo fazer amanhã o que tem tempo para fazer hoje.

Certos Papalaguis dizem que nunca têm tempo: correm feito loucos de um lado para outro, como se estivessem possuídos pelo aitu; e por onde passam levam a desgraça e o pavor por terem perdido o seu tempo. É um estado horrível, esta possessão que não há médico que cure, que contagia muitos homens e os faz desgraçados.

Todo Papalagui é possuído pelo medo de perder o seu tempo. Por isso todos sabem exatamente (e não só os homens, mas as mulheres e as criancinhas), quantas vezes a lua e o sol saíram desde que, pela primeira vez, viram a grande luz. De fato, isso é tão sério que, a certos intervalos de tempo, se fazem festas com flores e comes e bebes. Muitas vezes percebi que achavam esquisito eu dizer, rindo, quando me perguntavam quantos anos tinha: “Não sei…” “Mas devias saber”. Calava-me e pensava que era melhor não saber.

Ter tantos anos significa ter vivido um número preciso de luas. É perigoso esta maneira de indagar e contar o número das luas porque assim se chega a saber quantas luas dura a vida da maior parte dos homens. Todos prestam muita atenção nisso e, passando um número muito grande de luas, dizem: “Agora, não vou demorar a morrer”. E então essas pessoas perdem a alegria e morrem mesmo dentro de pouco tempo.

Pouca gente há na Europa que tenha tempo, de fato; talvez ninguém mesmo. É por isto que quase todos levam a vida correndo com a velocidade de pedras atiradas por alguém. Quase todos andam olhando para o chão e balançando com os braços para caminhar o mais depressa possível. Se alguém os faz parar, dizem, mal-humorados: “Não me aborreças, não tenho tempo, vê se aproveitas melhor o teu.” Dá a impressão de que aquele que anda depressa vale mais e é mais valente do que aquele que anda devagar.
Vi um homem com a cabeça estourando, os olhos virados, a boca aberta feito a de um peixe agonizante, a cara passando de vermelha a verde, batendo com as mãos e os pés, porque um criado tinha chegado um pouquinho mais tarde do que prometera. Esse pouquinho era para ele um grande prejuízo, prejuízo irreparável. O criado teve de ir-se embora, o Papalagui expulsou-o e recriminou-o: “Roubaste-me tempo demais! Quem não presta atenção ao tempo não merece o tempo que tem!”

Só uma vez é que deparei com um homem que tinha muito tempo, que nunca se queixava de não tê-lo, mas era pobre, sujo, e desprezado. Os outros passavam longe dele, ninguém lhe dava importância. Não compreendi essa atitude porque ele andava sem pressa, com os olhos sorrindo, mansa, suavemente. Quando lhe falei, fez uma careta e disse, tristemente: “Nunca soube aproveitar o tempo; por isto, sou pobre, sou um bobalhão”. Tinha tempo, mas não era feliz.

O Papalagui emprega todas as forças que tem e todos os seus pensamentos tentando alongar o tempo o mais possível. Serve-se da água e do fogo, da tempestade, dos relâmpagos que brilham no céu para fazer parar o tempo. Põe rodas de ferro nos pés, dá asas às palavras que diz para ter mais tempo. Mas para que todo este  esforço?

O que é que o Papalagui faz com o tempo? Nunca compreendi bem embora pelos seus gestos e suas palavras, ele sempre tenha me dado a impressão de alguém a quem o Grande Espirito convidou para um fono.

Acho que o tempo lhe escapa tal qual a cobra na mão molhada, justamente porque o segura com força demais. O Papalagui não espera que o tempo venha até ele, mas sai ao seu alcance, sempre, sempre, com as mãos estendidas e não lhe dá descanso, não deixa que o tempo descanse ao sol. O tempo tem de estar sempre perto dele, cantando, dizendo alguma coisa. Mas o tempo é quieto, pacato, gosta de descansar, de deitar-se à vontade na esteira. O Papalagui não sabe perceber onde está o tempo, não o entende e é por isto que o maltrata com os seus costumes rudes.

Ó amados irmãos! Nunca nos queixamos do tempo; amamo-lo conforme vem, nunca corremos atrás dele, nunca pensamos em ajuntá-lo nem em parti-lo. Nunca o tempo nos falta, nunca nos enfastia. Adiante-se aquele dentre nós que não tem tempo! Cada um de nós tem tempo em quantidade e nos contentamos com ele. Não precisamos de mais tempo do que temos e, no entanto, temos tempo que chega. Sabemos que no devido tempo havemos de chegar ao nosso fim e que o Grande Espírito nos chamará quando for sua vontade, mesmo que não saibamos quantas luas nossas passaram. Devemos livrar o pobre Papalagui, tão confuso, da sua loucura! Devemos devolver-lhe o verdadeiro sentido do tempo que perdeu. Vamos despedaçar a sua pequena máquina de contar o tempo e lhe ensinar que, do nascer ao pôr do sol, o homem tem muito mais tempo do que é capaz de usar.

* * *

VI
Deus ficou mais pobre
por causa do Papalagui

O Papalagui pensa de modo estranho e muito confuso. Está sempre pensando de que maneira uma coisa pode lhe ser útil, de que forma lhe dá algum direito. Não pensa quase nunca em todos os homens, mas num só, que é ele mesmo.

Quem diz: “Minha cabeça é minha, não é de mais ninguém”, está certo, está realmente certo, ninguém pode negar. Ninguém tem mais direito à sua própria mão do que aquele que tem a mão. Até aí dou razão ao Papalagui. Mas é que ele também diz: “A palmeira é minha”, só porque ela está na frente da sua cabana. É como se ele próprio tivesse mandado a palmeira crescer.

Mas a palmeira nunca é dele: nunca. A palmeira é a mão que Deus nos estende de sob a terra. Deus tem muitas mãos, muitas mesmo. Toda árvore, toda flor, toda grama, o mar, o céu, as nuvens que o cobrem, tudo isso são mãos de Deus. Podemos pegá-las e nos alegrar, mas não podemos dizer: “A mão de Deus é minha mão”. £ o que, no entanto, diz o Papalagui. “Lau” em nossa língua quer dizer “meu” e também “teu”; é quase a mesma coisa. Mas na língua do Papalagui quase não existem palavras que signifiquem coisas mais diversas do que “meu” e “teu”.

Meu é apenas, e nada mais, o que me pertence; teu é só, e nada mais, o que te pertence. £ por isto que o Papalagui diz de tudo quanto existe por perto da sua cabana: “É meu”. Ninguém tem direito a essas coisas, senão ele. Se fores à terra do Papalagui e alguma coisa vires, uma fruta, uma árvore, água, bosque, montinho de terra, hás de ver sempre perto alguém que diz: “Isto é meu! Não pegues no que é meu!” Mas se pegares, te chamarão gatuno, o que é uma vergonha muito grande, e só porque ousastes tocar num “meu” do teu próximo. Os amigos deles os servos dos chefes mais importantes te põem correntes, te levam para o fale pui pui (1) e serás banido pela vida inteira.

Para ninguém pegar em coisas que o outro declarou como suas, determina-se com exatidão, por meio de leis, o que pertence e o que não pertence a certa pessoa. E existem, na Europa, homens que mais não fazem do que impedir que estas leis sejam violadas, ou seja, im pedir que se tire do Papalagui aquilo que ele pegou para si. Desta forma, o Papalagui quer dar a impressão de que, realmente, garantiu um direito, como se fosse Deus quem lhe tivesse definitivamente cedido o que tem; como se, de fato, pertencesse a ele e não a Deus, a palmeira, a árvore, a flor, o mar, o céu com as suas nuvens.

O Papalagui precisa fazer leis assim e precisa ter quem lhe guarde os muitos “meus” que tem, para que aqueles que não têm nenhum ou têm pouco “meu” nada lhe tirem do seu “meu”. De fato, enquanto há muitos pegando muitas coisas para si, há também muitos que nada têm nas mãos. Nem todos sabem os segredos, os sinais misteriosos com os quais se consegue ter muitas coisas; é necessário que se tenha uma coragem especial, que nem sempre se concilia com o que chamamos “honra”. Até pode ser que aqueles que pouco têm nas mãos (porque não querem ofender a Deus, porque não lhe tiram nada) sejam os melhores de todos os Papalaguis. Mas são poucos, certamente.

Quase todos furtam de Deus sem sentir vergonha. Nem sabem fazer outra coisa. Nem sabem, muitas vezes, que estão fazendo mal porque todos fazem a mesma coisa, e nem pensam nisso, e nem se envergonham. Há uns que recebem o seu “meu” (e é muito) das mãos do pai, no momento em que nascem. Em todo caso Deus quase nada mais tem, os homens lhe tiraram quase tudo, tudo transformaram em “meu” e “teu”. Deus já não pode repartir igualmente a todos o seu Sol, que foi feito para todos, porque há uns que dele gozam mais do que os outros.

Muitas vezes, só um pequeno número de Papalaguis aproveita os belos e grandes lugares ensolarados, enquanto muitos ficam na sombra e só recebem alguns fracos raios de sol. Deus já não pode se alegrar verdadeiramente, pois já não é o mais alto álii sili (2) em sua grande casa. O Papalagui renega-o quando diz: “Isto é meu”. Mas ele não se dá conta disso, por mais que pense. Pelo contrário, declara que o que faz é honesto e justo; mas é desonesto e injusto perante Deus.

Se pensasse direito, o Papalagui saberia que coisa alguma que não sejamos capazes de segurar nos pertence; saberia que, no fundo, nada há que possamos segurar. E também veria que se Deus nos deu a sua grande casa é para que todos nela encontrassem lugar e alegria. E ela é bastante grande, tem para todos um lugarzinho claro, uma alegriazinha; para todos existe certamente onde ficar debaixo da palmeira, um lugar onde colocar os pés, onde parar. Como é que Deus havia de esquecer um dos seus filhos! E no entanto há tantos que procuram o lugarzinho que Deus lhes destinou!

O Papalagui não ouve o mandamento de Deus e se dá o direito de fazer suas próprias leis; por isto é que Deus lhe manda muitos inimigos da propriedade. Manda-lhe a umidade e o calor para destruir o seu “meu”, manda-lhe a velhice, deixa que ele se desfaça, que apodreça. E mais ainda: dá ao fogo e à tempestade o poder de destruir-lhe os tesouros. Principalmente, no entanto, põe-lhe na alma o medo, medo de perder aquilo de que se apossou. O sono do Papalagui nunca é de fato profundo: precisa estar sempre de vigília para que não lhe seja tirado, de noite, o que juntou durante o dia. O Papalagui precisa estar sempre com as mãos e o pensamento segurando o que é “meu”. E como o “meu” o atormenta, sem parar, escarnecendo-o e dizendo-lhe: “Já que me tiraste de Deus, castigo-te, mando-te todos os sofrimentos”!

Mas castigo muito pior do que o medo Deus impôs ao Papalagui.

Impôs-lhe a luta entre os que só têm um pequeno “meu”, ou nenhum, e os que se apossaram de um grande “meu”. É luta acesa, dura, que persiste dia e noite; luta que todos têm de aturar, que a todos corrói a alegria de viver. Os que têm são obrigados a dar, mas coisa alguma dão; os que nada têm querem ter, mas coisa alguma ganham. Também estes são raramente animados pelo zelo divino: é que chegaram cedo ou tarde demais para roubar, ou foram por demais inábeis, ou não tiveram oportunidade. São pouquíssimos os que pensam que Deus é quem foi roubado. E é raro ouvirem a voz do homem justo. que manda devolver tudo a Deus.

Ó irmãos, que é que pensais do homem cuja cabana é tão grande que dá para uma aldeia inteira e que não oferece ao viajante o seu teto por uma noite? Que é que pensais do homem que tem um cacho de bananas nas mãos e não dá uma só fruta a quem, faminto, ávido, lhe pede? Vejo a zanga nos vossos olhos, o maior desprezo nos vossos lábios. E vede que é isso que o Papalagui faz a todo momento. E mesmo que tenha cem esteiras nenhuma dá ao que nenhuma tem. Pelo contrário, acusa-o e censura-o por não ter. Pode estar com a cabana cheia de mantimentos até o alto, muito mais do que ele e sua aiga comem em 100 anos. Não sairá à procura dos que não têm o que comer, dos que estão pálidos de fome. E há muitos Papalaguis pálidos de fome.

A palmeira deixa cair as folhas e frutos que estão maduros. Mas o Papalagui vive como se a palmeira quisesse retê-los. “São meus! Não os tereis! Jamais deles comereis!” Mas como faria então a palmeira para dar novos frutos? A palmeira é muito mais sábia do que o Papalagui.

Também entre nós existem muitos que possuem mais do que outros. É certo também que honramos o nosso chefe que tem muitas esteiras, muitos porcos, mas é só a ele que honramos, e não às esteiras e aos porcos. Estas coisas fomos nós mesmos que lhe demos de presente, como alofa, para mostrar-lhe o nosso contentamento, para louvar a sua grande coragem, a sua grande inteligência. Mas o Papalagui o que honra são as esteiras e os porcos em quantidade que seu irmão possui; pouco lhe importa sua coragem ou sua inteligência. O irmão que não tem esteiras nem porcos poucas honras recebe, ou não recebe honra alguma.

 Como as esteiras e os porcos não vão por si mesmos à procura dos pobres e famintos, o Papalagui também não vê razão para levá-los aos seus irmãos. O que ele respeita não são os irmãos, mas sim, apenas, as esteiras e os porcos; daí porque os guarda para si. Se amasse os irmãos, se os honrasse, se não vivesse lutando com eles pelo “meu” e pelo “teu”, levar-lhes-ia as esteiras que não usasse para que eles participassem desse grande “meu”. O Papalagui daria aos irmãos a sua própria esteira em lugar de atirá-los à noite escura.

Mas o Papalagui não sabe que Deus deu a palmeira, a banana, o taro precioso, todas as aves do bosque, todos os peixes do mar, para todos nós usufruirmos e sermos felizes; para todos e não apenas para uns poucos dentre nós, enquanto outros morrem de fome e passam dificuldades. Se Deus colocou muitos bens na mão de um homem foi para que repartisse com seu irmão; senão a fruta apodrece em sua mão. Deus estende a todos os homens as muitas mãos que tem e não quer que uns tenham mais do que os outros; nem que alguns digam: “O sol é para mim; a sombra, para ti”. O sol é para todos nós.
Se tudo estiver na mão justa de Deus, não haverá luta, nem miséria. O Papalagui, este astuto, quer-nos convencer de que nada a Deus pertence; pertence a cada um aquilo que consiga segurar na mão. Tapemos os ouvidos a quem diz estas sandices e pratiquemos a boa sabedoria: “A Deus tudo pertence!”

* * *

Notas:
1 Prisão
2 Senhor
Nota do Autor: Quem sabe que os indígenas de Samoa vivem na mais completa comunidade compreenderá o desprezo com que Tuiávii fala de nossa concepção de propriedade. Não existe em Samoa, realmente, o conceito de meu e teu no sentido em que o adotamos. Em todas as viagens que fiz, os nativos sempre partilhavam comigo, de modo absolutamente natural, o teto, as esteiras, a comida: tudo. Não foram raros os casos em que ouvi de um chefe estas palavras com que logo de início me saudava: “O que é meu é também teu.” Os insulares não conhecem a noção de furto, roubo, porque tudo pertence a todos; e tudo pertence a Deus.

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“És muito precioso para mim, e, mesmo que seja alto o teu preço, é a ti que eu quero!”

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Tem gente que ama muito!
Mas depois quer se livrar do amor…
Pra conseguir um novo amor!
Ou pra conseguir a vida que tinha antes do amor…
Porque o amor muda tudo…
O jeito que você segura o talher… ou o jeito que você anda na rua!

O amor incomoda…
O amor é foda!
É foda…

(Mário Bortolotto)

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Captura de tela 2013-02-27 às 10.06.27

Sei que é um defeito, mas não consigo agir diferentemente. Não gosto de discussões, são desgastantes, e acho que as pessoas têm que se tocar de certas coisas e chegar à conclusão de que agiu de maneira errada por conta própria. Se eu tiver que apontar…

Também gostaria que se tocassem – às vezes nem tanto pelo que fizeram ou deixaram de fazer, ou pelo que falaram ou deixaram de falar, mas sim se tocassem do que há por trás desses gestos, atitudes ou palavras. Como essas coisas que parecem pequenas, sem importância, podem ser interpretadas. Se me conhecessem como eu gostaria, saberiam que tais interpretações sempre me passam pela cabeça e se alojam em algum canto, me corroendo com o tempo…

Defeito: procuro fugir do que me magoa. Toco o barco como se nada tivesse acontecido, me lembro de como me sentia antes do evento ruim e pronto, reprimo. Acho que se eu ignorar, vou esquecer. As outras pessoas também vão esquecer, é tudo passageiro, e as lembranças felizes é que vão ficar. Também acredito as coisas vão melhorar com o tempo, por si sós, os problemas vão se resolver e os mal-entendidos vão se esclarecer automaticamente. Mas a verdade, tenho que admitir!, é que nem sempre tudo isso acontece.

Por outro lado, acabo sempre jogando tudo na cara de uma vez só, e aí não tem mais volta, pois nesse ponto já estou saturada, e a pessoa, ouvindo tudo o que tenho a dizer de uma vez só, e de modo ríspido, rude, grosseiro, agressivo e emotivo ao extremo, passa a me odiar e já não há mais modo de remediar nada. Sem contar que sempre tem o: “mas por que você não me disse isso quando aconteceu? Esperou tantos anos para me dizer que se sentia assim?”

Sou péssima na comunicação verbal – só eu sei disso. As pessoas acham o contrário.  Todos me dizem que sou prolixa (às vezes como elogio, às vezes como repreensão); vários dizem que sou engraçada, e todos acham que sou proficiente na arte da fala, extrovertida. Sou muito introvertida. E sou péssima para comunicar minhas ideias e sentimentos – por isso utilizo a escrita. Sou péssima na escrita também, não se enganem! A diferença é que na escrita você tem a possibilidade de listar e organizar os tópicos importantes e elaborá-los com calma. Uma vez o texto redigido, dá para voltar atrás, reler, suprimir trechos, corrigir enganos ou até mesmo apagar tudo e recomeçar. Do zero. E ninguém vai saber. Ninguém vai saber as bobagens que você tinha escrito. Ninguém vai saber as intenções iniciais. Dá para manipular. Claro que na fala também dá para manipular e fazer tudo isso, mas é uma arte que poucos dominam (eu certamente não). Por escrito, dá também para raciocinar melhor. Também é possível escrever no calor do momento e, depois, uma vez que as águas estiverem calmas novamente, voltar, ler o que se escreveu, tentar entender, ponderar e alterar (OBS: nada disso se aplica às mensagens instantâneas, mensagens de fóruns de discussão ou a emails – apesar de parte do meio escrito, a espontaneidade e a impulsividade prevalecem em larga escala nesses tipos modernos de comunicação, pelo menos no meu caso. Por isso já escrevi e escrevo tanta besteira!! :P).

Já as palavras, uma vez faladas, não têm retorno. Meu pai me ensinou, desde que eu era pequena, que as palavras são como flechas. São materializações de pensamentos e sentimentos – e uma vez lançadas, podem ferir de morte. Elas escapam ao nosso controle no momento em que são lançadas…Ferem ou matam mesmo que não fosse essa a intenção. Às vezes nem é no momento…no momento, inclusive podem parecer brincadeira. Depois, entretanto…aquilo volta com tudo. É remoído, analisado…e certeiro no alvo.

Por isso tem que pensar – bastante – antes de falar qualquer coisa potencialmente triste/frustrante/fonte de mágoa. E por isso sou péssima na comunicação verbal – porque não consigo pensar, analisar e falar ao mesmo tempo. Falo a primeira coisa que me vem à cabeça. Frequentemente não é o que penso de verdade. E nunca sai do jeito que eu queria – sempre sai do jeito errado, com as palavras erradas, a entonação errada, a ordem errada, e dá a impressão de que tenho a intenção errada. Pensamentos que parecem desconexos e disparatados, pois não foram organizados.

Não me refiro apenas a relacionamentos amorosos, estou falando de todos os meus relacionamentos – familiares, amistosos…então podem imaginar a náusea e o mal-estar que sinto quando sinto que as pessoas querem conversar comigo sobre assuntos delicados. Ou quando a necessidade de falar sobre eles que recai sobre mim é maior do que esse mal-estar e minha fuga dos problemas.

Ultimamente vinha adotando uma tática – vinha conversando sobre o que estava me incomodando (tanto coisas ridículas de pequenas, quando medianas, quanto grandes). Conversando comigo mesma – venho aqui no blog e faço posts privados. É uma maneira de desabafar sem que precise conversar com as pessoas que me causaram os incômodos, quase uma terapia *rs* Também resolvi desabafar com amigos – ao vivo e na internet. Recorro a todos menos a quem interessar possa… 😛 Mas sei lá, life’s a bitch, shit happens e parece que essa estratégia não é tão eficiente assim, infelizmente. E como havia prometido para mim mesma que eu ia procurar melhorar esse grande defeito meu, que já me prejudicou tanto, durante tanto tempo, e já prejudicou tanta gente que conviveu (notem o verbo no passado :P) comigo, vou ter que mudar de estratégia e encarar, antes que outros tantos anos se passem e o copo for transbordando de novo. Wish me luck…

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Christmasy post Natalino


Some are big, some are small…others are wallpapers. Enjoy!! 🙂 See also: more Christmas images and these bjeeeautiful X-mas wallpapers 😉

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Ἀδώνια


O seguinte texto é proveniente daqui.
“A Adônia é um dos poucos festivais que tem uma relação direta com o público masculino. É preciso que reconheçamos que enquanto os homens dominavam a maior parte da vida social em geral na Grécia Antiga, cabia às mulheres as responsabilidade pela maioria dos cultos, ritos e festivais em geral. Na antiguidade esse poderia ser entendido como um aspecto complementar dos cultos heróicos. Enquanto a maioria destes louvava os aspectos guerreiros e a transição para a puberdade, o culto de Adônis revela uma faceta mais sutil, relacionada à formação social do menino.
O mito que envolve toda a aura do festival é o da morte do mesmo herói que dá nome ao festival, Adônis. A vida de Adônis e seu fim prematuro eram objeto de um culto intenso na Grécia. No dia dedicado para comemorar-Lhe a morte, deitava-se Adônis morto num leito de prata recoberto de púrpura. Gritavam e soluçavam as mulheres, protegidas por uma abobada de folhagens, a carpi o corpo do jovem deus-herói. As oferendas eram frutos, perfumes, folhagens em cestas de prata. Atiravam-no no outro dia ao mar e então ecoavam cantos alegres,pois Adônis com as chuvas da próxima estação ressucitaria. Essa imagem ressalta o papel dele nos cultos como filho de Afrodite e como imagem da breve eclosão da primavera. Em Biblos passava um rio chamado Adônis que no dia do festival de sua morte ficava vermelho cor de sangue. Na Síria a festa era celebrada na entrada da primavera. Plantavam-se em vasos e caixas sementes que molhavam todos os dias com água morna, para faze-las germinar mais depressa. As plantas assim obtidas chamavam-se plantas do ‘jardim de Adônis’. Morriam logo depois de nascer.
Hoje podemos festejar essa data relembrando os mitos que as envolvem e fazendo ofertas às deusas Geia, Afrodite e Perséfone, além do homenageado, é claro. A seguir algumas instruções que creio que serão válidas:1– Purifique-se por meio de um banho. Prepare o altar contendo imagens de Adônis e Afrodite, principalmente. Outros deuses podem ser acrescentados, tais como Perséfone e Geia. Separe roupas limpas para a celebração.2– Faça a dedicação de tudo aquilo que será ofertado e/ou libado. Isso pode ser feito com a fumigação de incensos sobre as ofertas e uma espécie de dedicação como “aos deuses o que Lhes é devidos’. Pode-se ofertar rosas brancas para Adônis, além de perfumes, vasos de rosas repletos de folhas aromáticas, além das anêmonas, se possível. Para Afrodite: rosas, espelhos, bijuterias, perfumes, frutas – romã e maçãs. Os líquidos para serem libados podem ser orvalho, água de fonte, leite e mel.3– Purifique o altar com óleo, leite ou essência de rosas. Acenda a chama do altar e por alguns instantes medite no significado da data e nos deuses que serão honrados. Cante o primeiro hino a Héstia e Geia:
Toda-Fértil e Toda-Destruidora Gaia, Mãe de Tudo, que traz generosos frutos e flores, Toda variedade, Donzela que ancora no mundo eterno sozinha, Imortal, Abençoada, coroada com toda a graça, Profundo florescer da Terra, doces planíces e campos, gramas aromáticas nas chuvas que nutrem. Em torno de ti voam as belas estrelas, eternas e divinas; Venha, Abençoada Deusa, e ouça as preces de Teus Filhos, faça os frutos e grãos crescerem em teu constante cuidado, e que com as estações férteis tuas criadas se aproximem e abençoem teus suplicantes
– Hino Órfico à Géia, com olíbano“Héstia, tu que cuidas da sagrada casa do senhor Apolo, o que atira longe ao enorme Pytho, com suave óleo escorrendo sempre de suas madeixas, venha agora a esta casa, venha, tendo uma só mente com Zeus o onisciente — venha para perto, e sobretudo conceda suas graças sobre a minha canção”-Hino Homérico XXIV a Héstia
Eventualmente pode-se fazer alguma oferta a Elas após a primeira libação. Em seguida pode-se cantar hinos para Afrodite, sejam eles antigos, modernos ou composições próprias. As libações são feitas durante o recitar do hino e as ofertas podem ser feitas ao término da libação com uma dedicatória aos deuses como por exemplo: “ Adônis, para Ti, ó Belo, estas rosas”.4– Ao terminar as libações agradecer a presença dos deuses em uma saudação do tipo: ‘saúdo os eternos deuses de nossos pais reinterando minha devoção e fé ao sagrado panteão para que todos os pensamentos que compartilhamos hoje sejam enviados e reconhecidos através da Terra. Assim seja”.Meu poema para o festival, em honra de Adônis:

Hino a Adônis

A fumigação das rosáceas
Libação de suco de rosas e leite

Musa, inspira minha canção
Para que eu cante os amores da Ourania
E de seu filho desditoso,
Amado entre as deuses

Ó Adônis, do hálito floral
Tu, desditoso fosse ao receer da moira tão prematura morte
Mas também tivesses a graça do amor de tua mãe e amadas
A espalhar pela terra as cores da primavera
Apaixonadas, numes de róseos braços
E madeixas graciosas, duas , te dedicaram especial afeto;
A sempre bela Ourania, tua mãe e amada
E a sempre pura Koré, entre os homens venerada
Possa minha canção subir garciosa como os ramos da rosácea florida
E os deuses ouvirem minha canção
E no dia de tua morte cantarão felizes
Promessas para uma nova estação
Oh deusas de belos braços, que eu sempre seja forte
Soberbo e agraciado, pelo vosso sopro e favores
Sempre eternos.
Ó tõn Téoi, ecsfaristo polý”

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Our Lady of Fatima


Today’s her day – the day she appeared to the 3 sheperds in Portugal, in 1917. My great-grandma told me this story over and over again when I was little (she was little at the time that happened) – I remember the facts of course (even why I read them again after many years – www.fatima.org), but it’s not the same thing, you know…she told me the story with soooo many details and with such a passion! Too bad there were no recorders during those talks with her, because now, 17 years later, I can remember none of it Except how great it was to hear her

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Another bright side of the day: I just ate Nutella, mmmmmmmmmmmmmm!!!!!!! hihiih

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Habemus Papam!!!


The white smoke came out of the chimney, the bells tolled and the Conclave’s over. Now we only have to wait for the identity…Joseph Ratzinger – Benedetto XVI. The second non-italian pope so far!

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Meanwhile, I’m here facing my monthly pain again…couldn’t go to uni because of it! And I can’t post more right now cause of it too, ughghhghghg 😦

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Music: new Shaaman album (finally released in most places) and tour (their show in SP will be on June 11th), and new DT album (in June)!! You can see a very good review (in portuguese) for Shaaman’s new album, "Reason", in the following link:

http://whiplash.net/reviews_list.mv?registro=2910

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Aurora

Uma imagem vale mil palavras, então...

Pedazos de miel en jaula

La existencia, la introspección y la experiencia

Filosofia Animada

Sitio Virtual onde se encontra o registro das práticas educacionais do Prof. Daniel Carlos.

throughdanielleseyes

Words, thoughts, and snapshots of life.

Dirty Sci-Fi Buddha

Musings and books from a grunty overthinker

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Thinking and Living English

BA -VISUAL LESSON PLANS

for English teachers.

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Progressive Transit

For better communities and a higher standard of living...

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A mental birthday suit

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