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Debate para hoje


Longo debate, aliás…no início de fevereiro, uma amiga repassou esta publicação, que reproduzo abaixo, caso algum dia o post do Facebook suma:

“Meu nome? F. L.* Então, eu não tô nessa vida porque eu quero, né…eu tenho 27 anos e me prostituo desde os 13. Vim lá de Minas Gerais pra São Paulo, porque meu pai faleceu quando eu era bebê ainda e meu padrasto batia muito na minha mãe. Eu não aguentava ver aquilo, mas mesmo assim eu ficava lá, até o dia em que ele me estuprou. Eu tentei matar ele com um facão, mas mesmo depois disso minha mãe ficou do lado dele. Aí eu peguei cadeia, cumpri a pena e fugi pra cá.

Quando cheguei, eu morei com a minha tia, mas ela não me ajudava, só deixava eu dormir lá. Então, pra tirar um dinheiro eu fui me prostituir, fiz programa até os 17, que foi quando fui trabalhar numa boate lá na Praça da Árvore, fiquei um tempo lá, mas não deu certo, aí viajei o Brasil todo fazendo programa e voltei pra cá faz três anos.

Nessas andanças eu morei com travesti, com viado, sapatão. Só não voltei pra minha tia porque eu sou viciada no pó desde que entrei na boate e ela não gostava, mas nunca roubei, sempre trabalhei pra ter a droga.
A gente não faz programa porque gosta, mas é um vício, é ver sua filha de 3 anos precisando de comida e você ter que ganhar um dinheiro fácil sem roubar. Mas é muito perigoso, já colocaram arma na minha barriga duas vezes pra não pagar, já me sequestraram e soltaram no meio da rodovia lá pra Mairiporã de madrugada, não é fácil.
Eu nunca quero isso pra minha filha, não é vida pra ninguém. Ela pode dar pra quem quiser, mas não quero que ela viva isso aqui. Meu sonho é sair desse lugar e ficar de boa, voltar com meu ex-marido e fazer uma família com ele, minha filha e o nenê que tá vindo. Aqui o capeta engorda todo dia.”

Embaixo da publicação, minha amiga comentou:

“Não há nada de “empoderador” em uma prática que NÃO é a escolha da maioria de suas praticantes e que corrobora na objetificação e subvalorização das mulheres. Quantos bordéis para mulheres irem ter sua primeira relação sexual existem? Só esse fato já mostra que é algo sexista, que não deve ser romantizado ou aceito como um “trabalho qualquer”.

Aí começou o debate no mural dela, que reproduzo aqui:

“Sem romantizar… Mas ser realista é lutar pra melhorar as condições de trabalho desumanas a que essas mulheres são submetidas ou lutar pra acabar de vez com uma profissão que depende diretamente dá manutenção do machismo? Qual a utopia a se perseguir, e qual o discurso a se manter que não corrobora com o machismo (tanto o contra como o a favor podem fazer o mesmo). Acho que o lugar dá prostituta é um dos nós mais complicados do feminismo, porque não dá também pra tomar uma posição do tipo “não devia existir, portanto luto contra”, porque tem gente que depende daquilo pra viver, e sem aquilo não tem pra onde correr. É embaçado…”

“Sim, é uma questão bem complexa, mas por ser um dos alicerces da objetificação e subvalorização das mulheres não creio que adotar medidas para “regulamentar a profissão” seja o caminho. Naturalmente não se trata de marginalizar ainda mais quem está na prostituição, mas oferecer alternativas muito boas para quem quer sair dessa vida de riscos.”

“Mas isso seria o ideal… Que só vai acontecer no apocalipse zumbi junto com as alternativas para ex-presidiários. E enquanto não chega, o que fazer dessas mulheres?”

“O fim da escravidão também aparecia como uma utopia….claro que devemos considerar que ainda há trabalho escravo hoje em dia e que acabar com a escravidão sem dar alternativas para o povo liberto não foi o ideal. Mas prefiro crer que proibir a escravidão é melhor do que “regulamentá-la”.

Enquanto não chega o fim da prostituição, oferecer outras opções para estas mulheres é a saída. Creio que um mísero Bolsa Família, pago diretamente às mulheres, contribuiu para evitar que muitas caíssem na prostituição.
Enquanto houver a mercantilização do corpo feminino não poderemos falar em emancipação feminina.”

“Eu acho que pode ser um caminho, sim… assim como acho que oferecer seringa pra quem usa heroína é um caminho (ok, a comparação parece meio doida, mas vou tentar explicar).

Acho que a regulamentação aproxima as trabalhadoras do sexo dos serviços públicos de assistência e as coloca novamente sob a égide do Estado. Sozinhas, essas medidas não resolvem o problema, mas podem abrir caminho pra outras formas de intervenção que ajudem quem quer sair da prostituição… No pior dos casos, pelo menos terão acesso a assistência médica, jurídica, aposentadoria, etc…”

“E sem falar que a prostituição depende estruturalmente dessa condição desumanizada das mulheres, é isso poderia gerar formas de independência a longo prazo”

“Continuaremos naturalizando as mulheres enquanto objetos, não vejo isso como solução.”

“Ai gente, muito difícil…. mesmo…. Acho que não tem resposta pronta, talvez regulamentar ajude a caminhar o processo, talvez não e atrase a crítica à prostituição, de toda forma é insuficiente… Mas o fundamental acho é criar espaços de diálogo com essas mulheres via estado e fora dele, ONGs sérias, grupos de mulheres enfim, porque a coisa não vai melhorar sem disposição da sociedade civil de dialogar e colaborar, e olhar pra esse submundo sem sete pedras na mão. O mesmo vale pros presidiários, como os Racionais alertam faz tempo. Parece que é como a droga, fácil de entrar, difícil de sair, quanto mais vulnerabilidade social mais difícil.

E também não podemos esquecer que quanto mais “sobe” o “nível” da prostituta, mais você encontra mulheres que não querem sair da “vida” (vida?), que preferem ganhar de 5 a 30 mil no puteiro do que 2 mil em outro serviço. E tb não sei se a proibição mudaria muita coisa no caso dos Bahamas da vida, que vão continuar existindo pros homens ricos que pagam 300 reais a hora de sexo. Conheci puta que gosta do que faz e não larga. Mas acho que a maioria é como o caso acima, vulnerabilidade social extrema, histórico de abuso etc.

E uma vez que nosso hipócrita estado não proíbe a prostituição, ela deveria ser regulamentada mesmo se não for ser proibida. Ridículo, proíbe aborto e não prostituição. Ridículo”

“Sobre a “polêmica” envolvendo a fala política de uma trabalhadora do sexo organizada num programa da Globo e a reação que tá rolando a essa fala.

Essas discussões sempre começam com “você é a favor ou contra a pauta x?”, e a briga segue entre quem é a favor e quem é contra. Um monte de gente, “teóricas e teóricos” do trabalho sexual, discutindo a favor ou contra um espantalho da discussão feita por trabalhadoras organizadas, que tem suas demandas, fruto de organização políticas, tratadas como “só mais uma opinião” dentro do balaio.

Tá errado. Tá errado pra caralho. Isso começa com a organização política das trabalhadoras. E já começou. Faz tempo. Desde 20, em Hamburgo, com o sindicato de prostitutas comunistas citado por Lenin em carta a Zetkin, se precisam desse tipo referência pra ouvir. E estão organizadas hoje, e têm demandas políticas.

Sigo, e sigo acreditando que deveríamos todas seguir, do lado da organização política e de caráter trabalhista das mulheres da nossa classe. Que sigam se organizando e se fortalecendo, enquanto mulheres e enquanto categoria, mais e mais. Sigo, como acredito que deveríamos, acreditando que a luta organizada de trabalhadoras deve ser fortalecida, não silenciada; incentivada, não pixada de “o que faz o feminismo sangrar”, como tivemos o desprazer de ler.

Se há discordâncias políticas, que elas sejam tratadas, como são, dentro do movimento das trabalhadoras em luta. Mas quanto é toda a sociedade e o próprio senso comum versus a organização política de mulheres trabalhadoras, não deveria ser muito difícil escolher o lado.

O feminismo revolucionário sangra, isso sim, quando há luta contra a organização política de caráter trabalhista das mulheres da nossa classe.”

“”Precisamos parar urgentemente de falar de prostituição como se fosse ato sexual. Não é. Prostituição é sobre dominação masculina, trata do exercício de poder masculino sobre os corpos femininos. Toda a ideia de que é possível comercializar corpos de mulheres, estabelecer preços sobre cada parte a ser tocada (“consumida”) ou sobre o que se pode fazer com cada pedaço do corpo , tudo isso parte da objetificação da mulher, da ideia de que nossos corpos podem ser desmembrados e a esses pedaços de carne atribuir valor de acordo com o prazer que podem dar aos homens.

É necessário um enfrentamento de questões simples, como por exemplo: por que a prostituição é historicamente uma atividade destinada às mulheres ou, no máximo, àqueles homens que assumem símbolos de feminilidade como parte de sua identidade? Por que os prostituintes* são em sua maioria pessoas do sexo masculino?

Nada disso é coincidência. A prostituição é uma ferramenta de exploração histórica intimamente ligada à submissão imposta às mulheres desde que o patriarcado as separou entre aquelas que serviriam para a procriação (esposas/mães) e aquelas destinadas apenas a dar prazer sexual aos homens (prostitutas). E quando eu falo patriarcado eu espero que vocês não imaginem um ser sem forma espalhando maldade, mas um sistema que se materializa na vida de todas as mulheres, onde os agentes responsáveis pelo estabelecimento e perpetuação desse sistema são aqueles que se beneficiam dessa exploração: membros da casta favorecida, os do sexo masculino.

Procurar e encontrar respostas para essas perguntas vai nos mostrar que não é possível um movimento de emancipação das mulheres sem que este tome como pauta fundamental e urgente a eliminação dessa exploração sexual, que não é compatível lutar pelas mulheres e ao mesmo tempo apoiar sua submissão. Nenhuma mulher será emancipada enquanto a dominação masculina e a submissão feminina** existirem. São dois lados complementares da estrutura patriarcal e para destruir essa estrutura precisamos atacar na base, eliminando todas as formas de exploração do sexo feminino. Todas, sem exceção.

*O termo prostituinte refere-se àquele que paga, difere do prostituidor, que é aquele que alicia para a prostituição, também chamado de proxeneta ou cafetão.

**Vou deixar aqui um trecho que me parece instigante sobre essas questões:
“A prostituição emerge da submissão do corpo das mulheres. Se não fosse assim, teriam homens na beira das estradas e mulheres comprando/pagando eles. Mas homens não podem ‘escolher’ se prostituir. Mulheres não têm uma sexualidade dominante e não foram criadas para verem homens como seus objetos sexuais. Prostituição é sobre os direitos e privilégios dos homens de dominação e objetificação sexual da mulher. Se existisse igualdade então mulheres não poderiam ‘escolher’ se prostituir porque não existiria prostituição.” (Sheila Jeffreys)”” [Via Tamy Snow]”

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Universiotários


Homenagem de alunos da UFRGS gera polêmica

Mulher em foto sensual postada na web para homenagear Dia da Mulher gerou críticas; DCE Livre diz que objetivo era ressaltar a beleza
Homenagem do Dia da Mulher gerou polêmica / Reprodução/Facebook “Uma homenagem ao Dia da Mulher, no último dia 8 de março, causou polêmica no Facebook do DCE Livre (Movimento Estudantil Liberdade), que apoia o DCE (Diretório Central de Estudantes) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Na ocasião, o grupo postou a foto de uma mulher seminua com uma mensagem marcando a data comemorativa.”Neste 8 de Março, o DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade, grupo que apoia a atual gestão do DCE da UFRGS, deseja a todas as mulheres um Feliz Dia Internacional da Mulher”, afirma o post.Entre as mensagens, internautas dizem que a postagem foi “estúpida”, “imbecil”, “machista”, entre outros.

Em entrevista ao Portal da Band, o presidente do DCE Livre e responsável pela página, Gabriel Afonso Marchesi Lopes afirmou que o movimento já havia sido criticado antes e que “para homenagear a mulher, escolheu uma foto que expressa a beleza feminina”.

“Fizemos algo semelhante no Natal, com 50 mil acessos, e vamos continuar fazendo. Desta fez, a postagem alcançou 7 mil usuários”, disse.

Segundo Lopes, “o movimento possui uma posição criticada por muitos”. “Nossa visão é um pouco diferente da visão estereotipada”, completou.

Procurada pela reportagem, a UFRGS disse que o grupo não tem relação direta com a universidade e que não vai se pronunciar sobre o assunto”.

kkkkkkkkkk E ainda têm coragem de chamar isso de homenagem!!!! “Homenagem” é o que os caras fazem olhando pra essa foto e batendo uma, isso sim….

Visão diferente da estereotipada?!? Faz-me rir!!!! Quer maior estereótipo do que uma bunda feminina desnuda? 😉 kkkkkkk

Pior do que ler a notícia foi ler os comentários dos leitores (em sua maioria homens, e mulheres machistas, claro!), essas coisas sempre me deprimem…

Vocês sabem, aquele discursinho de que reclamar a respeito da objetificação da mulher é coisa de baranga, de mal-comida, de feminazi…? E que as mulheres são objetos mesmo, elas não se dão o respeito, mimimimimi. Ou seja, coisa de quem não sabe argumentar. Queria ver esses caras todos virando para suas avós, mães, irmãs, primas e tias e falando essas tremendas asneiras. Iam levar tabefe na hora *rs* E ficar para sempre na punheta, óbvio 😉

PS – no meio da imbecilidade toda, alguém com cérebro: “Acho engraçado a UFRGS tirar o corpo fora. Trata-se de um grupo surgido lá dentro, que apoia a direção do DCE, que cita a UFRGS frequentemente na sua página, que dá um desgaste gigante à imagem da universidade, e que ofende todas as estudantes e docentes com essa fobia do sexo feminino. Sim, porque essa objetificação patética não é nada além de medo de mulher. Eu já dei um jeito de enviar uma mensagem para a universidade. Acho que é hora de todo mundo começar a se manifestar. Isso aqui não tem nada a ver com democracia e livre manifestação. Isso é fascismo do pior tipo. E fascismo de moleque”. (comentário feito por Angelo Pilla)

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